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Iberanime Porto

A Comic-Con da Invicta.

Quem esteve nos jardins do Palácio de Cristal, ou nas suas imediações, este passado fim de semana, certamente viu coisas estranhas. Adolescentes (e alguns graúdos) com indumentárias bizarras e adereços cartoonescos; “mas ainda falta uma semana para o Dia das Bruxas não?”, terá passado pela cabeça dos transeuntes menos esclarecidos nos fenómenos da cultura pop japonesa, e pouco acostumados às internets. Trata-se, claro está, da primeira edição do Iberanime na cidade do Porto, realizada a 23 e 24 de Outubro no Pavilhão Rosa Mota.

No fim da tarde de Sábado, a Rua de Baixo deu um salto ao evento, que pelo nível dos decibéis (ainda no exterior) prometia. Chegamos a meio do concerto do que parecia ser a banda do Hard Gay (a personagem mais conhecida do comediante japonês Masaki Sumitani), uma figura popular no universo dos vídeos virais japoneses e até da televisão, conhecida por se vestir de cabedal e…bem, ser muito gay de um modo geral, parodiando o estereótipo da subcultura gay ocidental. Eram os Gaijin Sentai, encabeçados por Nordan Manz, uma banda de J-Rock brasileira com um largo repertório de covers, sendo a maioria bandas sonoras de diferentes animes e séries televisivas japonesas. E enquanto tocavam, e a audiência vibrava, não menos “disfarçada” que a banda, por momentos parecia que tínhamos entrado para o 4chan ou Nico Nico Douga, ou um qualquer outro destes cantos no ciberespaço.

As barraquinhas e stands da praxe compunham o resto do cenário, com merchandise variado, desde o manga às action figures, passando pelos DVD’s, posters, figuras coleccionáveis e adereços de Cosplay, o qual não faltou no Iberanime Porto. Os participantes no concurso de costume play ou costume roleplay subiram ao palco ao som da música dos respectivos animes ou outras da sua escolha; alguns representaram pequenas cenas combinadas enquanto que outros simplesmente posaram. Curioso foi ver duas personagens da Marvel vencer num evento bem mais orientado para o universo manga/anime, mas também quem sou eu para falar (afinal de contas a única coisa que comprei foi um issue do Batman da DC); o Ocidente venceu outra vez! Parabéns à Jean Grey e à Emma Frost pela vitória.

Para além das barraquinhas repletas de merch do “Dragon Ball”, “Metal Gear Solid”, “One Piece”, “Final Fantasy”, “Naruto” e outros (cujo meu nível de otaku não é suficiente para identificar), havia ainda dois stands que ofereciam necessidades básicas: comida (noodles ou ramen e outros produtos japoneses) e videojogos. A PressPlay, loja de jogos especializada com uma forte inclinação para o retrogaming, esteve presente no evento e trouxe mais do que consolas e jogos, trouxe nostalgia. “Alex Kid” na Master System, “Soul Calibur” na DreamCast (onde levei uma coça de um aluno do básico), “Sonic” na Megadrive e outros clássicos, que põem um sorriso na cara de qualquer um que tenha crescido nos anos 90.

O revivalismo acaba por ser uma das principais características do Iberanime Porto (e deste tipo de eventos), que para além de chamar os mais novos pelas razões óbvias, atrai jovens adultos que cresceram a ver “Dragon Ball”, “Samurai X”, “Cavaleiros do Zodíaco” e etc. Raúl Silva da organização, apostou por isso mesmo neste factor, aliado à presença de um maior número de entidades (por exemplo a Associação de Kendo do Porto) para diversificar o público do evento que antecipa mais Japão na cidade do Porto, já no próximo mês com a Japan Week.



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