rdb_stillhere_header

I’m Still Here

A barba de Joaquin Phoenix.

31 de Outubro 1993. À porta do The Viper Room, discoteca afamada de Hollywood, Joaquin Phoenix faz uma chamada. É uma emergência, o irmão River, o mais promissor dos jovens actores da altura, está a morrer de sobredose de drogas. Os esforços de Joaquin não servem de nada, River Phoenix morre nessa noite, e a chamada é repetida à náusea nos meios de comunicação social que relatam o acontecimento. Joaquin Phoenix quase desiste de ser actor.

Não há uma referência que seja a este episódio em “I’m Still Here”, o documentário fingido sobre a pretensa retirada de Joaquin Phoenix do mundo do cinema e a sua tentativa de iniciar uma carreira como artista hip-hop, escrito a quatro mãos com o amigo e cunhado Casey Affleck (também irmão mais novo de um actor famoso), que realiza o filme. E, no entanto, não se fala de outra coisa. De como os meios de comunicação assassinam os heróis que criam, sem piedade, sem remorsos.

A discussão sobre se “I’m Still Here” é fingimento ou realidade não é o ponto de maior interesse, embora tenha sido o mais badalado, a crueldade por quem se está a ir abaixo, o gosto de ver alguém auto-destruir-se, os comentários mesquinhos, as línguas viperinas, o riso escarninho, “a barba, a barba, a barrigona, o desmazelo” não são encenados, são uma manifestação bem clara da natureza humana. Nesse aspecto, o de denúncia, o filme cumpre o seu objectivo.

O problema é o resto. “I’m Still Here” não sobrevive sem o contexto, sem as discussões à parte. Como mockumentary tem pouca graça, aproveita mal esta possibilidade de ouro de expor os malefícios da vida de uma estrela, a troupe, os “amigos” são caricaturas sem piada, Joaquin Phoenix, inesperadamente, tem uma das suas piores interpretações – a personagem também não é particularmente interessante. Se Casey Affleck e Joaquin Phoenix devotaram dois anos das suas vidas a este projecto (Phoenix teve de viver na personagem durante este período), esperava-se algo mais bem construído, mais inteligente, não este objecto mal feitão e descuidado.

Fosse o filme como aqueles dez minutos de Joaquin Phoenix no talk-show de David Letterman e talvez estivéssemos perante um grande filme, assim, tirando um surpreendentemente hilariante Sean Combs (Puff Daddy ou P. Diddy ou lá como é que ele gosta que lhe chamem), é um filme amorfo que, na pior das hipóteses, colocará um travão na ascensão de um bom actor de cinema e nos excelentes filmes de James Gray que eram feitos com base no seu nome.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This