IMAGO 2006

Mais conhecido que a cereja.

A sétima edição do Festival Internacional de Cinema Jovem decorre entre os dias 30 de Setembro e 8 de Outubro e, uma vez mais, vai transformar o Fundão num dos pólos culturais mais activos do nosso país. Através do sucesso das edições anteriores, o IMAGO já conseguiu encontrar o seu lugar de honra no panorama cultural nacional e a edição deste ano vai continuar a seguir o trilho da independência e qualidade, com uma programação cinematográfica e musical bastante interessante e altamente aconselhável.

A edição deste ano é dedicada ao tema “Da Nona à Sétima arte – Para lá dos super-heróis” e está carregada de novidades, competições e actividades paralelas. Uma das principais novidades é a sua localização “física”. O IMAGO estará instalado no novo espaço cultural do Fundão – “Antiga Moagem – Cidade do Engenho e das Artes”, um projecto vital para a dinamização da cidade (e da própria região) e que servirá de “base” para as futuras edições do IMAGO, garantindo um maior conforto aos espectadores e uma maior dinâmica entre as diversas actividades planeadas.

No que diz respeito às competições, a edição deste ano apresenta, em estreia absoluta no nosso país, um “sector” dedicado exclusivamente a filmes feitos para Internet e telemóveis 3G. A “Clix Micromovies” é mais uma iniciativa pioneira do IMAGO e prossegue a linha que o festival sempre adoptou como vital: dar espaço a jovens portugueses e estrangeiros para se afirmarem no mundo do cinema e do audiovisual. Esta competição será lançada na edição deste ano do festival e prolonga-se até ao IMAGO 2007.

Para além das secções competitivas (Oficial Internacional, Docs in Shorts, Under 25 e Clix Micromovies) que possibilitam o contacto do público nacional com películas de jovens realizadores não distribuídos comercialmente no nosso país, são apresentadas várias sessões especiais (e retrospectivas) dedicadas ao tema deste ano. Assim, vão ser exibidos os trabalhos de nomes ligados às artes gráficas, como é o caso de Dave McKean e Alejandro Jodorowski, bem como um conjunto de filmes que pretendem dar a conhecer algumas adaptações da BD ao cinema.

Ainda no programa dedicado à 7ª arte, vai ser exibida uma “prospectiva” de um jovem realizador belga, Nicolas Provost, uma das esperanças do cinema europeu, e alguns dos primeiros filmes de Clint Eastwood, na secção “Early Years …”, dedicada à obra produzida até aos 35 anos por cineastas hoje já consagrados.

Para além do cinema, o IMAGO tem-se destacado dos outros festivais devido à excelente programação musical que apresenta. A “Sound & Vision Experience”, secção dedicada às novas formas/relações entre a música e imagem, apresenta um conjunto de eventos (filmes concerto, live acts e DJ/VJ sets) que só por si dariam um excelente festival.

Pelo Fundão passam nomes como David Holmes, Andy Votel, PlanningtoRock (actuação incluída na Girl Monster Night, extensão do projecto dinamizado em Barcelona por Alex Murray-Leslie das Chicks on Speed), DK7 e El Perro del Mar (dois projectos suecos que vêm dar o complemento musical ao programa especial “Here Come… The Swedish”), bem como projectos nacionais como os Ölga e Pop Dell Arte.

Para ficarmos a conhecer melhor a edição deste ano do IMAGO, estivemos à conversa com Sérgio Felizardo, um dos responsáveis pelo festival. Fiquem com a entrevista e por favor não se esqueçam de passar pelo Fundão entre 30 de Setembro e 8 de Outubro.

RDB: A edição deste ano do IMAGO tem como tema “Da Nona à Sétima arte – Para lá dos super-heróis”. Podes explicar-nos a razão da escolha?

Sérgio Felizardo:
A razão principal advém do facto de o director do IMAGO ser um fã absoluto de Comics, Graphic Novels e afins. Era por isso desde há muito um desejo dele dedicar a temática base de uma das edições à BD e às suas ligações ao Cinema, mas numa perspectiva em que os super-heróis “tradicionais” ficassem de fora. Depois, como em 2005, tínhamos prevista a visita do Dave Mckean ao IMAGO e nessa altura não foi possível e ficou adiado para este ano. Tudo acabou por se conjugar bem.

À volta deste tema e da presença e retrospectivas do Mckean e do Alejandro Jodorowsky (que infelizmente entretanto cancelou a sua estadia no Fundão, porque foi também convidado para um Festival em Nova Iorque) pedimos ao João Miguel Lameiras, um dos maiores especialistas desta área em Portugal, para construir um programa de longas e curtas-metragens.

Uma das maiores novidades deste ano é a nova “base” do IMAGO, o novo espaço cultural do Fundão, a “Antiga Moagem”. Fala-nos um pouco desse espaço e da importância do mesmo para a cidade

A Antiga Moagem é o espaço que nos faltava para podermos montar o Festival sem termos de montar também todas as estruturas físicas que o suportam, como aconteceu nos últimos dois anos no Fundão. Nós desde que fomos para o Fundão que sabíamos que iríamos ter um espaço próprio para o Festival, mas ainda tivémos de fazer duas edições num pavilhão, o que nos obrigava a montar um cinema, o Open Space, a encontrar espaços para os concertos… basicamente a preocupar-nos com muito mais coisas para além da programação e da organização. Com a Moagem a funcionar acaba tudo isso e começa um novo ciclo de maior conforto para os espectadores, de possibilidade de termos coisas a acontecer ao mesmo tempo e darmos hipótese real às pessoas de escolherem o que querem ver e fazer.

Este ano o conceito do Heineken Open Space vai pela primeira vez funcionar como foi pensado de início, ou seja, simultaneamente com o Auditório onde temos a Selecção Oficial.

Depois, a Moagem abre-nos a possibilidade de termos um local onde podemos programar iniciativas IMAGO ao longo do ano, o que para nós também é muito importante e contribuirá para enriquecer a vida cultural da cidade e da região. O Fundão é uma cidade de grandes tradições de eventos culturais, com uma população jovem, e menos jovem, aberta e sedenta de actividades e a verdade é que até agora não havia espaços para se diversificar a oferta.

Uma outra novidade do IMAGO 2006 é o “Clix Micromovies”, uma nova competição. Podes explicar-nos um pouco melhor o conceito?

O Clix Micromovies é uma aposta num novo e emergente conceito audiovisual, em que queremos mostrar as coisas que se fazem hoje em dia com a mira apontada às novas tecnologias, nomeadamente à Internet e aos telemóveis de terceira geração. A competição, entretanto teve de sofrer uma reestruturação pois não foi fácil conseguir-se a plataforma para a suportar. Ou seja, a funciona num site construído pelo Clix, onde as pessoas inscrevem e carregam os filmes e onde o público os visiona e vota. Tudo isto acabou por levar mais tempo do que o previsto, pelo que decidimos que a competição terá o seu arranque no IMAGO e prolongar-se-á pelos próximos 12 meses, até ao IMAGO 2007.

O número de inscrições para a edição deste ano foi a maior de sempre. Têm apostado na divulgação do festival internacionalmente? Qual tem sido o feedback?

É verdade, este ano chegámos quase às 1500 inscrições, oriundas de 63 países, o que é significativo da aposta que fazemos na promoção internacional e também do nome e da visibilidade que estamos a conseguir alcançar. E é sempre bom realçar que nas duas principais competições (Oficial e Docs in Shorts) apenas aceitamos filmes até 30 minutos e de realizadores até aos 35 anos, o que acaba por ser redutor. O feedback que temos lá fora quando vamos a festivais estrangeiros é sempre muito positivo e, sem falsas modéstias, acreditamos que neste momento a nível dos festivais de cinema dedicados a jovens realizadores seremos o mais relevante em Portugal e mesmo a nível europeu temos já algum nome.

Dos filmes inscritos na Competição Oficial, quais são aqueles que destacas e que te despertam maior curiosidade?

Eu creio que este ano temos uma competição oficial extremamente aliciante e competitiva, com filmes muito muito bons. Mas pessoalmente há três ou quatro que posso destacar: o francês “Star Stuff”, de Gregory Hervelin, o australiano “Monster”, de Jennifer Kent, o português “Rapace”, de João Nicolau, e “Respire”, de Wi Ding Ho, de Taiwan.

Na programação “especial” são destacados dois nomes que podem ser desconhecidos para o grande público: Alejandro Jodorowsky e Nicolas Provost. Podes dar-nos algumas pistas sobre estes dois nomes e sobre o que será exibido?

Jodorowsky é um mito da BD e do Cinema mais marginal ligado ao mundo dos Comics, do fantástico e do paranormal. Uma figura de culto que infelizmente cancelou a sua estadia no IMAGO, onde iria ser júri, e de quem vamos mostrar três filmes incontornáveis: “El Topo”, “Fando y Lis” e “Santa Sangre”.

Nicolas Provost é a nossa aposta como jovem realizador que num futuro muito próximo irá ser uma figura de alto relevo. Tem uma série de curtas premiadas nos mais importantes festivais mundiais, entre elas a mais “conhecida” será o estranho “Exoticore”. Vamos dedicar-lhe uma retrospectiva em jeito de “Prospectiva”, ele vai fazer parte do Júri da Competição Oficial e vamos exibir praticamente todos os seus trabalhos, dando-lhe ainda a oportunidade de explicar o seu trabalho ao nosso público, numa master class a decorrer no dia 6 de Outubro.

Para além do cinema, a vertente musical do IMAGO tem conseguido complementar da melhor forma o festival. O que destacas na edição deste ano?

Este ano temos mais uma vez muita música, com destaque por exemplo para a estreia em Portugal de dois projectos suecos que vêm dar o complemento musical ao programa especial “Here Come… The Swedish”, que são os DK7 (que actuam na última noite do IMAGO, 7 de Outubro) e El Perro del Mar (no dia 30 de Setembro) que logo a seguir ao IMAGO vai entrar em digressão com os escoceses Camera Obscura. Depois, e para além de uma armada de DJs espanhóis e portugueses, divididos por toda a semana, temos ainda outra estreia em território nacional que é a do David Holmes, que vem fazer um DJ Set com Andy Votel (no sábado, 7 de Outubro). Destaco ainda a Girl Monster Night, que na quinta-feira, 5 de Outubro, leva ao Fundão um conceito da autoria das Chicks on Speed que acabam de lançar na sua label um triplo CD com o mesmo nome e que junta músicas das artistas mais importantes da música no feminino dos últimos anos. Ao vivo no IMAGO teremos Planningtorock e Gustav.

Este ano a editora escolhida para estar presente no Fundão foi a britânica Type Records. O que podemos esperar dos seus projectos?

A Type é este ano convidada no nosso programa “This is..” em que procuramos mostrar o trabalho de editoras pequenas que têm nas suas fileiras alguns dos artistas que mais nos agradam pessoalmente. Da Type teremos em palco na sexta-feira, 6, Helios, projecto de Keith Kennif que será aqui apoiado pelo seu irmão Colin, para além do próprio patrão da editora, John Xela, que fará parte do Júri da Competição oficial (ele que foi estudante de cinema e que tem como objectivo próximo fazer cinema) e que actuará ao vivo e fará depois um DJ Set.

Podemos esperar muita electrónica requintada, mas também guitarras e percussões e música de uma beleza já rara hoje em dia nesta área das electrónicas.

Existe também uma forte representação nacional no programa musical do IMAGO. Houve a preocupação de dar a conhecer novos projectos?

O contigente nacional concentra-se este ano, tal como nos anos anteriores, mais no dia 4 de Outubro, com concertos de Ölga e Pop Dell Arte (nota: o concerto foi cancelado) e DJ sets de Mr. Mitsuhirato e Jukebox Nightmare Under 35. Mas logo no primeiro dia temos também um espectáculo que eu tenho a certeza que vai ser uma surpresa fantástica para muita gente que é a união em palco dos Factor Activo com o maestro Luís Cipriano a musicarem duas animações do Felix The Cat.

Outra grande aposta nossa é nos Oxygen, duo electrónico que conhecemos via myspace e que desafiámos a construir uma banda sonora original para o filme “Decasia”, de Bill Morrison, a apresentar no dia 7.

Antes disto, na tarde do dia 5, há ainda um concerto da dupla Zero (ramificação dos Canal Zero) integrado nas actividades do Projecto VS, que este ano chega à terceira edição a mostrar obras experimentais de jovens videastas portugueses)

O IMAGO esteve recentemente em Paredes de Coura, com uma programação especial durante o Festival. Como correu a iniciativa?

Paredes de Coura correu extraordinariamente bem. Levámos o nosso programa que estreamos este ano no IMAGO e dedicado a documentários musicais, “Stop Making Sense”, e creio que esta pré-estreia se revelou uma aposta acertada. A sala do Centro Cultural de Paredes tinha cerca de 140 lugares e tivemos uma média de 90 bilhetes tirados (as sessões eram de borla, mas contabilizavam-se os bilhetes) nas sessões da tarde e 40 nas sessões da manhã, sendo que depois de determinada hora entrava muita gente sem tirar o bilhete, pelo que, pelas nossas contas tivemos cerca de 600 pessoas no total das sete sessões apresentadas ao longo de 4 dias. Julgo que as pessoas gostaram e para o ano tentaremos fazer mais e melhor.

De que forma o IMAGO é visto pelos habitantes do Fundão e da região? Achas que o festival já se tornou tão popular como a cereja?

Entre a população jovem da cidade, sem dúvida alguma que somos tão populares como a cereja. Há pelo menos sempre muita expectativa ao longo de todo o ano e, principalmente agora que o Festival se aproxima, nota-se já alguma ansiedade em muita gente mais ligada à cultura e em especial ao cinema e à música. Na generalidade da população, sabemos que o Festival tem bom acolhimento e que as pessoas já o começam a entender como um evento que traz muita gente à cidade e que lhe dá alguma relevância a nível nacional e internacional. A nível regional, também notamos que cada vez temos mais gente a deslocar-se, principalmente de Castelo Branco e da Guarda, mas também, e alargando o âmbito regional a toda a Zona Centro, de Coimbra, de Viseu e de Leiria, por exemplo.

Quais são as vossas expectativas para a edição deste ano? E no futuro próximo? Têm outras iniciativas já planeadas?

Para este ano as nossas expectativas são as melhores. Temos casa nova, estamos na expectativa de ver a reacção das pessoas a esse facto e estamos ansiosos por ver como as coisas vão funcionar pela primeira vez da forma como foram inicialmente pensadas, ou seja, um festival em que há escolhas a fazer e em que cada um pode viver o Festival da forma que melhor entender, com mais cinema e menos música, com mais música e menos cinema, só com o Open Space, só com as master classes, sem falhar o jogo de futebol e as sessões de festa na discoteca, sem perder uma única sessão competitiva, ou não perdendo nenhuma sessão dos programas especiais, enfim, escolher e planear para tirar o melhor partido possível da semana.

Quanto ao futuro, queremos para já ver como funcionamos na Moagem para depois podermos planear ainda melhor as coisas para próxima edição, que de resto está já estruturada e com algumas coisas perfeitamente definidas.



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