disco

“In a Poem Unlimited” | U.S. Girls

O manifesto político de U.S. Girls

Até a saída de “Half Free” , em 2015, poucos prestaram atenção ao projecto iniciado por Meg Remy, a vocalista do projeto U.S. Girls. A partir desse lançamento (que muitos consideravam ter sido o seu primeiro), as atenções sobre a sua synth pop foram aumentando.

Em 2018, volta com um novo trabalho, “In A Poem Unlimited”. Neste novo álbum, Meg Remy apresenta-nos um manifesto politico, sob o ponto de vista do observador feminino, embalado pelos tempos em que hoje vivemos. As canções, essas, continuam a ser algo que nos habitou, pop imaginativa e opinativa.

Conta com o apoio de The Cosmic Range (multi-instrumentalista de Toronto e de Max Turnbull, compositor, actor e actual marido de Remy). Se The Cosmic Range assume a responsabilidade de intensificar o jazz/funk nas músicas, já Max Turnbull influencia e contribui nos arranjos primordiais do disco.

No primeiro single, «Mad as Hell», consegue sentir-se o espírito dos ABBA a deambular, ou talvez o psicadelismo dos anos 70, mergulhado na inspiração do movimento #timesup. Neste tema, Remy canta “I won’t forget so why should I forgive?”. Poderíamos pensar tratar-se de uma frase escrita sobre alguma traição de amor, mas não é… o alvo é Barack Obama. Remy, traída pela fraude política, identifica o antigo presidente dos Estados Unidos como um avatar de autoritarismo masculino, que manteve metade de um meio país encantado, continuando a fazer as suas guerras e espiando os seus cidadãos. Em 2016 numa entrevista, referiu que “a violência que as mulheres vivem individualmente de outros homens, na minha mente, reflete a violência que está a acontecer em todo o mundo. É o mesmo que a brutalidade policial que está a acontecer nos Estados Unidos, é o mesmo que o bombardeio do povo sírio!”.

É assim um álbum sobre a fúria feminina nas suas diferentes formas, alicerçadas na pop, disco e glam. Tudo isto com uma vibe muito muito dançável (e ainda bem).

Políticas à parte, com o selo da 4AD, “In A Poem Unlimited” é um dos álbuns mais interessantes lançados em 2018 e atrevo-me a considerar um dos melhores lançados este ano. Não tenho dúvidas que no final de 2018, figurará em posição de destaque nas diferentes listas dos álbuns do ano.



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