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INDIELISBOA ’17 | “Ciao Ciao”, de Song Chuan

Mais do que um filme, um poema.

Ciao Ciao (Liang Xueqin) é uma jovem insolente que regressa contrariada à sua terra, na província, após ter passado algum tempo no Cantão.

E chega a casa como se nunca ali tivesse vivido, desprendida de raízes e de saudade. A sua Louis Vuitton nos braços, Hermés ao pescoço e cigarros nos dedos, onde neles queima a frustração, são motivo de conversa nas janelas mais atentas da aldeia.

Fumar mata, e o amor também. Não tivesse sido esse o ponto de encontro entre Ciao Ciao e outros locais com quem cruza bafos e desabafos, e a quem pede o lume que não consegue acender.

Ciao Ciao, mais malandra que o arroz, depara-se então com surpresas nos trilhos daquela sua terra batida que se rodeia de montanhas e planícies verdejantes, mas que toldada pela vontade de evadir, vai atropelando com o ecrã do iPhone.

Song Chuan não poupou na saturação das paisagens electrizantes, onde o vermelho e o verde vivem numa harmonia tão perfeita quanto o cenário. Sempre filmado à luz do dia, o realizador quer mostrar-nos o contraste com a luz natural e a obscuridade de Ciao Ciao, a linha ténue entre o seu cosmopolitismo e a ruralidade que esqueceu, a tranquilidade do campo e a banda sonora electrónica composta por Jean-Christophe Onno, tão distante mas tão próxima daquele universo, onde  a personagem Ciao Ciao acaba por se deixar prender.

Ciao Ciao é para além de uma misteriosa história, um poema filmado na província do Yunnan, um postal feito homenagem que envolve a audiência numa fria proximidade com a narrativa. E para quem quiser visitá-lo, vai ser exibido novamente dia 8 de Maio, pelas 19 horas, no Cinema Ideal.

 

 



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