“La Piscina” de Carlos Quintela

IndieLisboa´13 | Reportagem

Os filmes que marcaram a 10ª edição do Festival de Cinema Independente de Lisboa

“I Used to Be Darker” de Matthew Porterfield (2013)

Taryn (Deragh Campbell) é uma jovem irlandesa, de 19 anos, que decide fugir de casa, procurando consolo, e um meio de se distanciar dos seus problemas, em casa de sua tia, que vive em Baltimore e trabalha como música. Porém, a altura não foi a melhor. Os tios de Taryn encontram-se a meio de um processo de divórcio e enfrentam a dificuldade de escolher o que será melhor para o futuro de sua filha, Abby, uma adolescente aspirante a actriz. Numa casa onde se respira música, são enfrentados problemas intrinsecamente humanos como a busca pela independência e a necessidade de compreender o que é o amor e até onde este sentimento nos pode levar. Um filme inspirador, realizado por Matthew Porterfield, depois do êxito de “Putty Hill”.

“Lacrau” de João Vladimiro (2013)

Uma viagem da cidade rumo à natureza. “Lacrau”, de João Vladimiro, é uma fuga ao vazio espiritual do homem que habita na cidade, um ser absorto num caos quotidiano. Este filme é uma procura da verdadeira origem do homem, uma redescoberta das sensações e relações mais puras e simples, que só a natureza consegue oferecer. Através de jogos de luz, de texturas e planos, são visionadas imagens de uma realidade esquecida por muitos. O isolamento, o desconhecido, o animal, o vegetal, tudo aquilo que não habita dentro de nós, mas que vive em constante comunhão com a nossa existência. O lacrau não vê, a víbora não ouve, assim será para todo o sempre, “tal como o campo é calmo e a cidade agitada e o ser humano impossível de satisfazer”.

“La Piscina” de Carlos Quintela

O realizador cubano Carlos Quintela estreou-se no ano de 2011 com a sua primeira longa-metragem, intitulada “La Piscina”. Este filme arrecadou bastantes prémios, atribuídos em festivais de Cinema cubano. Situado na categoria “Cinema Emergente”, esta é uma história que não deixa o espectador indiferente, não tanto pela riqueza do argumento, mas mais pela imagem fotográfica e pela mensagem de sobrevivência e coragem que transmite. Este é um filme poético, que retrata um instrutor de natação que trabalha com alunos que sofrem de problemas físicos e mentais, interpretados por actores não profissionais. Surgirá uma altura em que estas personagens serão confrontadas pelas suas próprias fraquezas, obrigando-os a unirem-se enquanto grupo, descobrindo o significado da ajuda mútua.

“La Piscina” de Carlos Quintela

“Not in Tel Aviv” de Nony Geffen (2012)

Este filme não é simplesmente uma comédia de humor negro sobre um professor de liceu que, após ter sido despedido, começa a fazer coisas estranhas: rapta a sua aluna Ana; mata a mãe; tenta conquistar uma antiga colega de liceu, Nony; tenta matar o seu único amigo e, consequentemente, arranja problemas com a polícia. Realizado por Nony Geffen, “Not in Tel Aviv” é muito mais do que isso. Através de uma fotografia a preto-e-branco, é-nos contada uma história sobre a procura do amor, enquanto sentimento que une as pessoas, sem haver uma razão concreta para isso. Micha, Ana e Nony são três personalidades muito diferentes que, subitamente, se vêem interligados entre si, numa vivência quase dependente. Juntos vão descobrir o que representa a rejeição e aceitação nas relações.

“Un Enfant de Toi” de Jacques Doillon (2012)

Esta longa-metragem, realizada por Jacques Doillon, conta-nos como, por vezes, as relações conjugais podem ser bastante complexas. Lina tem sete anos e é uma criança extremamente perspicaz. Ela suspeita que os seus pais (Lou Doillon e Samuel Benchetrit) voltaram a namorar, depois de se terem separado. Ao longo da história, é revelado que a mãe de Lina quer ter outro filho, desta vez com o seu namorado actual. Através dos diálogos da actriz Lou Doillon, representando uma mulher dividia entre dois amores diferentes, percebe-se como o mundo dos adultos será sempre um eterno mistério no que toca aos sentimentos e decisões sobre a vida.

“Shirley: Visions of Reality” de Gustav Deutsch (2013)

O artista de vídeo Gustav Deutsch desenvolveu uma narrativa a partir de treze reconhecidas pinturas de Hopper, criando uma série de fotografias vivas, que falam por si mesmas. Ao público é dado a observar a história de uma aspirante actriz de ficção, numa não tão antiga sociedade americana. O resultado é um exemplo onde a arte imita a arte, uma fascinante síntese da arte e do cinema. As provocações e tribulações da personagem principal resultam como um retrato da própria história da América.

“Shirley: Visions of Reality” de Gustav Deutsch (2013)

O brilho visual e rica sonoridade criado pelo cineasta é cativante. Durante as primeiras cenas somos presenteados com intrigante colaboração entre fotografia, CGI, efeitos de textura e design de produção. “Shirley: Visions of a Reality” é uma ovação ao silêncio das mulheres solitárias nas paisagens urbanas e masculinas de Hopper.

“Shirley: Visions of Reality” de Gustav Deutsch (2013)

“Sightseers” de Ben Wheatley (2012)

Um dos mais polarizados filmes dos últimos anos, um drama que se cruza com um híbrido de terror surreal, “Kill List”, veio confirmar a todos aqueles que saíram do cinema, que Ben Wheatley é um dos mais interessantes cineastas contemporâneos da Grã-Bretanha. O seu último filme, ao contrário do referido, foge das convenções de uma narrativa em três actos, desarmando e desorientando os espectadores. O filme estabelece o seu singular (e particularmente peculiar) ritmo logo no início e nunca dele se afasta. Banalidade, humor e um toque de psicopatia convergem neste filme, desafiando a comédia de humor negro de um medíocre casal que empregam uma extrema ‘violência’ com uma regularidade alarmante.

“Starlet” de Sean Baker (2012)

Nos últimos anos, o realizador Sean Baker surgiu como um talento em ascensão e muitos quiseram mantê-lo debaixo de olho. As suas obras cinematográficas são íntimas, dando ao público um olhar que vem de dentro, não só sobre a vida dos indivíduos retratados, mas também sobre o mundo em que estes habitam. O seu último filme é uma pequena pérola que explora a amizade e o quão complicada esta pode ser. De um ponto de vista mais vasto, explora a necessidade de dissipar alguns preconceitos sobre uma deturpada e mal interpretada indústria. No seu todo, o filme é uma inesperada colecção de tópicos que estão ligados de forma memorável. “Starlet” é puro divertimento, que facilmente irá agradar a todos. Provocando risos, levantado interessantes questões éticas, ou dando-nos uma introdução ao negócio da pornografia, é um objecto que prenderá a nossa atenção.



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