Indies & Cowboys

Qual deles és tu? Atreve-te a assumir uma posição.

Em Julho de 2002, surgia nas bancas mais escondidas do meio “underground” independente português uma pequena revista com um grande propósito: dar a conhecer ao mundo as novas tendências musicais, portuguesas e estrangeiras, num espaço simples e atractivo onde a mensagem facilmente fosse transmitida. Assim nasceu a Indies & Cowboys.

O projecto foi fundado por Maria João Serra, Lia Pereira, Mário Mesquita Borges e Ana Matos e é “fruto do trabalho de uma equipa que joga “por amor à camisola””, como nos revela a própria Maria João. Mais tarde, o Mário saiu deste núcleo e entrou o Nuno Proença, mas o espírito manteve-se o mesmo.

A Indies & Cowboys surgiu porque, tal como nós na rdb, não se identificou com os espaços já existentes em Portugal. Assim, propôs-se a ajudar a divulgar música, dando a conhecer coisas novas a quem lê a revista. Queriam desta forma “dar um contributo, à sua escala, para o desenvolvimento da “cultura musical” em Portugal.” Começou a tomar forma quando Maria João se apercebeu que as coisas que mais gostava de fazer era música e escrever e a ideia de uma revista, ou fanzine, permitia conciliar as duas coisas.

As vantagens de criar um meio independente de divulgação é não haver limites impostos ao que se quer divulgar. E esta revista rege-se por isso mesmo.

“Há poucos espaços inteiramente dedicados à música no nosso país, e os que há têm muitas vezes limitações de várias ordens no que toca à escolha dos artistas destacados. Num espaço completamente independente como é a Indies, é possível dar voz a bandas que por um motivo ou outro têm a vida dificultada noutras publicações, e que muitas vezes acabam por não chegar aos leitores com tanta facilidade.” É claro que nunca conseguirão divulgar tudo o que de bom se vai fazendo a nível musical e que por vezes não tem a visibilidade merecida, mas concerteza que abrem algumas portas para os verdadeiramente interessados.

Ao longo destes quase dois anos já por lá passaram colaboradores como o José Mariño, Mónica Mendes, Henrique Amaro, António Sérgio, DJ Vibe, Jorge Mourinha e Zig Zag Warriors (Zé Pedro e Miguel Quintão). Pela capa das seis edições com que a revista já conta passaram Rosie Thomas Utah Carol, Interpol, Zig Zag Warriors, Mike Patton, Neko Case e, mais recentemente, Ryan Adams.

Quando questionada sobre as razões que ainda a levam a manter a revista “viva”, a resposta de Maria João não podia ser mais elucidativa, “uma grande paixão pela música. Uma grande necessidade de escrever. Um grande desejo de que as coisas em Portugal melhorem para o lado da música (e não só…). Acho que foram estas três coisas, juntamente com uma equipa que também pensava da mesma maneira, que me fizeram acreditar que para além de uma grande força de vontade não era preciso mais nada para que uma aventura como esta desse certo.”

A Indies & Cowboys é mais um exemplo de como, a partir de um simples desejo de se divulgar algo que se gosta, se constrói algo que foge à banalidade dos meios de comunicação existentes e vai ganhando o seu próprio espaço para uma imensa minoria que está sempre ávida de mais e melhor conhecimento sobre música.



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