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Inglourious Basterds

Quentin Tarantino.

Motivo de gozo para alguns dos amigos de longa data de Quentin Tarantino, “Inglourious Basterds” estava até há cerca de um ano atravessado na sua garganta. Ideia antiga, um dos muitos argumentos na gaveta do realizador, impossível de filmar até na sua cabeça. Tentou que a coisa resultasse de diversas formas; ocorreu-lhe a ideia de uma mini-série mas Luc Besson desmotivou-o a ir por esse caminho porque “é um dos poucos realizadores que o fazem ir ao cinema”. Pegou no que tinha, tornou tudo num argumento viável para uma longa-duração, deixou de parte algumas ideias e terminou-o com a ideia de que o ia levar à edição de 2009 de Cannes. Estávamos em Julho de 2008. Parecia, novamente, impossível, mas conseguiu-o.

Depois do fracasso das bilheteiras de “Grindhouse” (2007), uma sessão dupla com o seu “Death Proof” e “Planet Terror” de Robert Rodriguez (que só nos Estados Unidos da América teve honras de sessão dupla), “Inglourious Basterds” é a prova que se segue. Ainda para mais quando a sobrevivência da distribuidora Weinstein depende do sucesso deste filme. Mas nem só de dinheiro aqui se fala, os fãs de Tarantino anseiam por este épico de guerra e, ao que tudo indica, as expectativas não serão defraudadas.

Épico de guerra, sim. Para ferir muitas susceptibilidades. O motivo não é para menos numa época em que muitos se querem sentir tocados com alguma coisa. É uma ficção sobre a Segunda Guerra Mundial, aliás, sobre um grupo de judeus liderados por Brad Pitt que desata a matar nazis e, os que deixam viver, ficam marcados com uma suástica no corpo (para viverem com a memória, segundo parece); e uma judia que procura vingar a morte da sua família matando um membro das SS conhecido por “Caçador de Judeus”. Nada baseado em factos reais, assunto logo arrumado com a frase “Era uma vez na França ocupada pelos Nazis” que se pode ler nalguns cartazes. Tarantino ainda tentou juntar alguma factualidade à história, mas depressa desistiu e decidiu fazer a sua própria história.

O título remete para “Inglourious Bastards” (1978) de Enzo Castellari, mas nada tem a ver com o filme. É antes uma espécie de “The Dirty Dozen” (Robert Aldrich, 1967) filmado por Tarantino, abraçando o western-spaghetti e “The Good, The Bad And The Ugly” (1966) de Sergio Leone. Há um apelo à violência que apaga a idealização poética de alguns filmes de guerra – mais concretamente sobre o período retratado -, parece que Tarantino deixou-se possuir por Sam Peckinpah.

O que poderíamos querer mais? Ainda por cima vindo de um realizador que ensinou muito boa gente a ver cinema, a visitar cantos mais sombrios – ou esquecidos – da sua história e que é alguém que revela um entusiasmo – e conhecimento – invejável quando fala sobre filmes.

Segundo consta, a interpretação de Christoph Waltz é soberba. Já rendeu o prémio de “Melhor Actor” em Cannes e parece que é mais um que vê a carreira salva à pala do realizador. Presentes estão também Eli Roth (o realizador de “Hostel”, filme produzido por Tarantino), Michael Fassbender (vimo-lo como Bobby Sands em “Hunger”), Daniel Bruhl, Diane Kruger e Mélanie Laurent.

Até o vermos, tudo isto vale o que vale. Mas quem não sente água na boca depois daquele trailer e os cartazes que surgiram pouco antes da apresentação de “Inglourious Basterds” em Cannes?

Ilustração do artigo de Isabel Salvado



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