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Injustice 2 | Análise

Um dos melhores e mais completos Beat'em Ups de sempre!

Desde o lançamento de Mortal Kombat 9 que, a cada lançamento e sempre num estilo muito próprio, a NetherRealm Studios não pára de revolucionar o género de jogos de luta. Com Injustice 2, o caso não muda de figura, pois ao combinar o melhor do seu antecessor com os anos de experiência a abordar o género, o estúdio traz à actual geração um dos melhores e mais completos Beat’em Ups de sempre!

Na verdade, o jogo não tardou até dar provas disso mesmo. Antes que fizesse alguma coisa, o jogo sugeriu-me um breve tutorial onde poderia ficar a conhecer as principais novidades em termos de jogabilidade, universais para todos os lutadores. Completado o tutorial, por fim abriram-se-me as portas a um jogo de luta que até que em fim, não vê a sua longevidade, única e exclusivamente dependente do modo online. Claro que os jogadores competitivos têm aqui espaço e modos de jogo onde poderão medir forças com amigos e desconhecidos mas Injustice 2 não se esquece dos que apreciam uma experiência single-player e é precisamente no extenso conteúdo que oferece para este efeito que se destaca dos demais jogos do género.

Como não podia deixar de ser, o primeiro modo no qual mergulhei, assim que iniciei o jogo foi o modo de história. O título anterior deixou-me com vontade de mais, a banda desenhada que tem vindo a ser periodicamente lançada (para mim, do melhor que a DC tem deitado cá para fora), mantém o nível de qualidade, o que também não ajuda a acalmar a ansiedade e, portanto, quando finalmente tive oportunidade de explorar os novos eventos da série, não pensei duas vezes. Se pensarmos bem, são poucos os produtores de títulos deste género que se esforçam por incluir uma narrativa que sirva de contexto ao porquê das suas personagens estarem à pancada. Muito menos são ainda aqueles que se esforçam por melhorar a forma de contar as suas histórias. O facto, é que assim que os eventos de Injustice 2 se começarem a desenrolar, dificilmente irão ficar indiferentes a toda a experiência cinematográfica com que se irão deparar, sobretudo se considerarem que estão perante um “simples” beat’em up.

A história tem lugar 5 anos após os eventos de Injustice: Gods Among Us, ou seja, depois da derrota de Superman e do seu regime despótico com o qual tentou subjugar o mundo. Batman e os seus aliados (os que ainda estão vivos) podem finalmente despender forças a ajudar os outrora oprimidos a rumar em direcção a um novo e brilhante futuro. Só que não estaria aqui se a história tivesse ficado por aqui. Muito resumidamente, para não vos estragar nada, não tarda até que surja uma nova ameaça, encabeçada por um poderoso antagonista que obrigará a que heróis e antigas forças do regime unam forças contra um inimigo comum. Se assistiram aos eventos do jogo anterior e da banda desenhada, podem imaginar a sensação de desconforto que por ali vai…

Ao longo de vários capítulos, tão constante como a acção é a qualidade gráfica com que a NetherRealms brinda os fãs da DC, ao traduzir de uma forma tão detalhada os seus heróis e vilões preferidos da banda desenhada para a actual geração de consolas. Apesar de não ser fã de alguns dos rostos, confesso, a animação e o detalhe que acompanha todas as personagens e os movimentos das mesmas foi algo que não me deixou, de todo, indiferente e que só melhorou no campo de batalha.

A jogabilidade é sem dúvida a grande estrela deste jogo. Se têm acompanhado os títulos mais recentes da NetherRealm Studios vão sentir-se imediatamente em casa. O seu estilo é simples na forma acessível com que convida todo o tipo de jogadores, cada um com a sua aptidão para o género mas traz ao mesmo tempo uma complexidade profunda e gratificante que desafia os jogadores mais experientes a dominarem todas as suas nuances. De volta estão as transições de cenário, onde um poderoso golpe projecta o adversário para um cenário completamente diferente e também os objectos com os quais podemos interagir e arremessar contra o nosso oponente. Só que aqui, surge a novidade de agora nos podermos defender destes arremessos. Isto, claro, se falarmos de objectos de dimensões menores, se virem o Atrocitus a atirar-vos um carro acima, bloquear não é propriamente o que recomendo que façam…

Já no que diz respeito à mobilidade das personagens, a sua deslocação é, felizmente, mais rápida quando comparada com a do jogo anterior e permite-nos queimar uma barra de poder para nos afastarmos ou aproximarmos do nosso oponente. A isso, acresce a oportunidade de podermos efectuar uma recuperação no ar, por intermédio também de uma barra, e se a isso aliarmos o leque de movimentos e o super-especial exclusivos dos cerca de 30 lutadores que integram o leque inicial de Injustice 2, nunca os combates foram tão rápidos, cheios de ataques e contra-ataques de curta ou longa distância e tão intensos que graficamente se traduzem num verdadeiro deleite para os olhos.

Terminado o modo de história, será no Multiverse onde irão despender a maior parte das vossas horas de jogo. Aí, à semelhança do que acontece com as Living Towers em Mortal Kombat X, surgem os mais diversos desafios. Desafios esses que terão de ser superados no período de horas, dias ou até de uma semana até que sejam trocados por outros. Os desafios constantes já por si oferecem uma forte longevidade ao jogo mas no final de cada um chegam os merecidos pontos de experiência e as viciantes caixas de Loot!

Cumpram os vários desafios que o Multiverse vos oferece e recebam Loot Boxes. Completem cada capítulo do modo história e recolham Loot Boxes. Tenham um bom desempenho em combate e… Já devem ter percebido, certo? Dentro destas caixas vão encontrar as mais diversas recompensas. Desde novas habilidades, ou peças de equipamento com os mais diversos atributos, como se de um RPG se tratasse, podem moldar o vosso herói ou vilão de acordo com o vosso estilo de jogo com um grau de personalização sem precedentes. A isto, juntam-se também cartas de perfil ou conjuntos de cores para os fatos das personagens. Confesso que quando o jogo foi anunciado não era grande fã desta componente. O Super-Homem com uma armadura, não me fazia lá muito sentido, confesso, mas depois de ver que com o trocar de umas simples peças o Green Lantern se pode parecer com Kyle Reyner e que algumas têm traços mais clássicos, passei a apreciar mais esta componente e o facto é que a longevidade de Injustice 2 cresceu e de que maneira.

O problema cai na aleatoriedade destas caixas que mais depressa me oferecem peças e cores para personagens que não uso do que para as que realmente quero personalizar e o facto de mais uma vez a NetherRealm ter incluído um sistema de micro-transacções. É que no que toca a cor de fatos, ou o facto de podermos trocar o aspecto de peças de equipamento; até o simples acto de adaptarmos um destes itens para o nível actual da nossa personagem (caso o tenhamos ganho há mais tempo) está dependente de uma moeda de troca específica que pode ou não ser adquirida com dinheiro real. Claro que as podemos reunir dentro do jogo, completando desafios e por aí fora mas a velocidade com que reunimos o suficiente para lhes dar uso não é de todo ideal. Por exemplo, no meu caso, estou indeciso entre gastar os cristais para comprar o fato alternativo do Reverse Flash ou uma nova cor para o Batman que nunca mais me sai numa Loot Box. Só que se o fizer, até voltar a reunir os cristais necessários para os poder gastar outra vez…

Não obstante, tirando esse dilema, nunca me senti tentado em gastar dinheiro real e isso por que as loot Boxes não param de cair seja de uma forma ou de outra, por isso não deixem que a existência de micro-transacções (apenas para algo de cariz estético) deturpe a vossa experiência com Injustice 2. Isto porque tal como está, surge como um exemplo do que os jogadores devem esperar de um lançamento deste calibre. O jogo até oferece uma experiência online que pode ser vivida a solo, sem que precisemos de mexer um dedo. Como? Através de batalhas entre personagens controladas pela IA do jogo. Escolhemos uma equipa de três personagens e voilá, é deixá-las lutar contra a equipa escolhida por outros jogadores. A vitória, claro pode levar a mais… já adivinharam Loot Boxes.

Injustice 2 é talvez o primeiro jogo de luta que traz alguma coisa para todo o tipo de jogadores. Sejam os casuais, ou os mais experientes e competitivos, há desafios e conteúdo para que todos tenham neste jogo da NetherRealm Studios horas e mais horas de diversão. Como adaptação do universo da DC para videojogo, Injustice 2 surge como uma referência incontornável mas, como jogo de luta, esta é uma experiência que não podes deixar escapar se fores fã do género!



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