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iPad

Previsões agora são impossíveis, mas podem ter a certeza de um ponto – o iPad não passa despercebido a ninguém.

Ver a palavra “iPad” no título de um artigo garante duas reacções – ou o “Epah, mais um?!” ou o “Vamos lá ver afinal o que é o iPad”. Seja como for, não provoca indiferença – o grande lançamento da Apple que foi acompanhado com tanta antecipação online (e offline) está na boca do mundo, mesmo após ter sido lançado. Se antes discutíamos supostos protótipos e rumores, agora defendemos ou atacamos as escolhas tecnológicas do iPad. Muitos procuram as suas verdadeiras vantagens, tentam decifrar a estratégia por detrás deste lançamento ou simplesmente procuram usos para dar à tábua digital.

Não vou entrar por nenhum destes pontos. Se o fosse fazer seria mais fácil e menos demorado postar um conjunto de links para especialistas da área que, sem dúvida, sabem mais que eu sobre o assunto e melhor opinarão sobre as características deste produto. O que acredito ser relevante observar no iPad não passa pelas questões operacionais ou estratégicas, mas sim o que o lançamento deste aparelho híbrido representa na connected society. Ou seja – o amadurecimento de um público que já não vive com only oxygen.

No entanto, e para não desiludir quem ainda não sabe exactamente o que é o iPad, este aparelho poderá ser descrito enquanto uma tábua composta por um ecrã digital multi-touch que é alimentado pelos mesmos princípios do iPhone – aplicações e ligação 24/7. De largas dimensões e peso bastante reduzido, o iPad chocou no seu momento de lançamento por dois motivos. Em primeiro lugar o preço altamente reduzido (começa nos 499 dólares para o modelo de 16 GB e sem 3G e vai até aos 829 dólares o modelo com 64 GB e 3G). Em segundo lugar, pela aparente falta de especificações técnicas que pareciam óbvias a este aparelho. Entre elas destacam-se a ausência de uma câmara incorporada, a incapacidade de multi-task (não, não podemos ler um livro e ouvir música ao mesmo tempo no iPad) ou não ter uma saída HDMI. Logo, basicamente estamos a falar de um monitor um pouco mais robusto com memória, capacidade wireless e, claro, toda a magia que a Apple provou ter no passado com o iPhone.

Como seria de esperar, são muitos os que ainda discutem se foi a melhor jogada ter lançado um produto que à primeira vista parece inacabado. No entanto há um detalhe que convém recordar – tanto o iPod como  o iPhone não foram recebidos da melhor maneira pelo público, tendo sido a sua utilidade altamente questionada. No entanto, passados alguns anos, ninguém pode negar que os mesmos não tenham mudado a forma como ouvimos música ou como utilizamos um telefone. A Apple é uma marca com o Brand Love que tem por uma razão clara – foca-se no comportamento esperado dos consumidores, intensificando tendências sociológicas através de uso simplificado. Daí que normalmente não sejam aparelhos “tecnicamente” pesados ou focados em listas de especificações intermináveis que, por muito que não queiramos admitir, nunca vamos utilizar. A Apple dá o que é preciso.

O mais interessante no lançamento do iPad, na minha opinião, será exactamente pensar como este poderá ter um efeito semelhante que os seus antecessores. Ou seja, se o iPod e o iPhone mudaram comportamentos de uma sociedade, como é que o iPad os poderá mudar e que tendência já existente veio o iPad explorar?

Aprofundando um pouco o raciocínio, dividimos a resposta em dois eixos – o que veio explorar e o que poderá mudar. O que veio explorar é sem dúvida mais interessante, a meu ver, pois comprova uma maturidade ao nível da conectividade dos consumidores que ainda não se tinha comprovado. O iPad é, em primeiro lugar, uma ferramenta versátil – é para ler artigos online, ler livros digitais, fazer posts, ver e-mails, entre outras funções que já fazem parte do dia-a-dia mas que passam principalmente pelo computador pessoal de cada um. Até aqui nada novo. No entanto, o iPad tem exactamente a componente que falta nos anteriores – é altamente móvel, depende de conectividade e é de uso muito simples (supondo que segue os moldes do iPhone ao nível da usabilidade, está claro). Para além disso, o preço ajuda a provar a aposta em massificação do produto – não na sua exclusividade para quem já tem determinados hábitos e apenas os quer estender para fora de casa. O iPad representa um ponto de maturação da Web 2.0 que, estendendo a sua influência para o offline, se revela imprescindível no dia-a-dia dos utilizadores sem por isso significar aparelhos altamente complexos, pesados ou/e caros.

Os hábitos que irão mudar não me vou arriscar a prever – seria presunção nesta altura do campeonato. Por outro lado, a forma como irá ter impacto também depende de detalhes como taxa de penetração de Wi-Fi nos locais, tarifários de acesso à Internet por parte de operadoras (que cada vez mais terá tendência a baixar por causa do próprio mercado) e até a própria aptidão do povo que o irá consumir. Não duvido minimamente que em terras lusas teremos vários adeptos deste aparelho. E ainda menos duvido do possível impacto do iPad na vida dos consumidores. Mas acima de tudo, quero ver como vão as marcas reagir perante este novo formato de possível publicidade e a própria forma como os sites poderão vir a ser construídos para serem compatíveis com o iPad. Previsões agora são impossíveis, mas podem ter a certeza de um ponto – o iPad não passa despercebido a ninguém.



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