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iPhone 5

Vence, mas não convence

Nota: Um agradecimento especial à Vodafone Portugal que nos disponibilizou um iPhone 5 durante algumas semanas possibilitando assim este artigo.

No dia 9 de Janeiro de 2007 Steve Jobs subiu ao palco da conferência Macworld no Moscone Center em São Francisco. Depois de três anos de desenvolvimento e um investimento de 150 milhões de dólares (em grande parte obtidos através de um acordo com a AT&T) a Apple apresentou ao mundo o iPhone, um dos primeiros marcos tecnológicos do século XXI. Depois de ter revolucionado o mercado de leitores digitais de música com o iPod, a Apple criou um novo mercado, uma nova necessidade nos consumidores e também uma oportunidade para outros fabricantes.

Já passaram quase seis anos. Depois de um domínio claro, tanto a nível de hardware como em software, 2012 foi o ano em que os dispositivos Android, particularmente através da Samsung, provaram que existe uma “alternativa” viável e apelativa ao iPhone no mercado de Smartphones. Quando o Galaxy SIII foi lançado, o iPhone deixou de ser o telefone de “topo” pela primeira vez na curta história deste segmento, tendo-se assistido a uma alteração na estratégia da Apple que se tem tornado mais reactiva no “reino” de Tim Cook como CEO da empresa. Com o lançamento do iPhone 5 a Apple conseguiu regressar ao topo, mas será suficiente para se manter por lá durante muito tempo?

Ao contrário do que acontece com o mercado dos tablets, em que ainda não existe um verdadeiro concorrente ao iPad (principalmente devido ao reduzido número de aplicações Android desenhadas especificamente para tablet), o mercado de smartphones é mais “maduro” e a competição feroz. A Samsung tem apostado na diversificação, lançando modelos para todos os gostos, com os mais variadas características e tamanhos de ecrã. Com esta estratégia, a marca coreana conseguiu tornar-se no maior fabricante de telefones do mundo ultrapassando a Nokia e as vendas do Galaxy S3 ultrapassaram no último trimestre as vendas do iPhone 4S (se somarmos as vendas do iPhone 5 a Apple mantém-se na liderança). Sendo o mais antigo sistema operativo móvel actualmente no mercado, o iOS não tem acompanhado as mais recentes iterações do Android e as principais features das últimas versões, como os mapas e o Siri (assistente pessoal por voz), foram muito mal recebidas pela comunidade.

Mas a Apple tem algo que é muito difícil de lhe retirar. A Apple faz parte da pop culture. Os seus produtos tornaram-se icónicos e são as principais referências nos seus segmentos. Os utilizadores são fiéis e muitas vezes fundamentalistas, capazes de defender “a sua dama” contra qualquer um que se “atreva” a desafiar as suas qualidades e apontar defeitos. Em muitos países, ter um iPhone é como ter um Porsche, é um objecto de desejo e símbolo de estatuto. Com o iPhone 5 a Apple não comprometeu em nada esta sua posição aos olhos dos seus fieis seguidores, mas terá fabricado o melhor smartphone de sempre?

Uma obra de arte

Quando lançou o iPhone 4 a Apple rompeu com as linhas que tornaram os primeiros modelos icónicos. A traseira curva foi substituída por vidro e o dispositivo tornou-se mais “executivo”, com acabamentos e pormenores que o tornaram único e desejado. No iPhone 5 o vidro desapareceu e foi substituído por alumínio anodizado, com um complemento de vidro cerâmico no topo e que no fundo dá um look & feel totalmente diferente de qualquer outro dispositivo. Mais fino e mais leve (18% e 20% respectivamente), o iPhone 5 é, sem sombra de dúvida, o mais bonito smartphone alguma vez fabricado. Os pormenores e acabamentos são dignos de uma peça de joalharia.

Uma das alterações mais controversas é a substituição do velhinho cabo de 30 pinos por um novo conector que a Apple apelidou de Lightning. Embora o nome possa levar a pensar que a transferência de dados é mais rápida, tal não acontece. A grande vantagem deste novo conector é ser bem mais pequeno e reversível, isto é, funciona de ambos os lados não sendo necessário andar sempre “à pesca” do lado correcto para conectar o telefone.

Ainda ao nível do Design, é de salientar a colocação do headphone jack na parte inferior do dispositivo. Aproveitando o tema do “som”, o iPhone 5 traz consigo novos auscultadores baptizados de Earpods. Embora sejam indiscutivelmente melhores que os anteriores, os Earpods deixam muito a desejar. O som é melhor mas não muito melhor, os auscultadores caem menos vezes mas continuam a cair. Têm um design interessante e são provavelmente os melhores auscultadores fornecidos com um smartphone, mas não se espere que façam milagres. O próprio som do iPhone não sofreu grandes alterações e continua a anos de luz da qualidade dos dispositivos HTC com Beats Audio (por exemplo o novo HTC 8X).

4 polegadas são suficientes?

Na versão lançada na maior parte da Europa o novo design e ecrã do iPhone 5 são as principais novidades. Mais do que o aumento de 0,5 polegadas (que permite uma nova linha de aplicações, mais dois e-mails na aplicação de email, etc … ) o ecrã tornou-se bem mais apelativo ao toque muito devido à espessura do vidro que foi dramaticamente reduzida em comparação com o seu antecessor.

Uma das preocupações da Apple na adopção de um ecrã de 4’’ foi não prejudicar a sua utilização. Para a Apple um smartphone “funcional” terá que permitir ao utilizador tocar em qualquer parte do ecrã e o iPhone 5 permite fazê-lo: com o polegar é possível alcançar a extremidade superior contrária sem dificuldade. As 4 polegadas são suficientes para a grande maioria dos utilizadores, o telefone continua a caber bem no bolso de uns jeans (mesmo que justos). Para a minha utilização teria preferido um ecrã um pouco maior. Neste momento 4,3 polegadas é o tamanho perfeito.

Muito, muito rápido ….

A fluidez e rapidez do iPhone 5 é notável. Praticamente todas as aplicações abrem instantaneamente, o multitasking é rapidíssimo, os jogos apresentam gráficos estonteantes (cada vez mais parecidos com as consolas portáteis mas sem conseguir ter a jogabilidade das mesmas) e é muito difícil “abrandá-lo”, mesmo abrindo dezenas de aplicações e estar constantemente a mudar de aplicação. Nos testes de benchmarking o iPhone 5 mostrou ser duas a quatro vezes mais rápido que o iPhone 4S e o mesmo acontece comparando com o Samsung Galaxy S3 (que tem valores semelhantes ao 4S). O “regresso” a um iPhone 4, depois de experimentar este novo iPhone é “duro” porque as diferenças de performance são muito evidentes.

Esta velocidade está naturalmente relacionada com o novo processador A6 da Apple (Dual Core, 1,2 GHz) com o novo GPU e memória RAM (1GB) mas também com a leveza do sistema operativo. Embora seja muito criticado pela sua inflexibilidade, falta de customização e pelo controlo apertado das aplicações da App Store, a verdade é que a experiência em iOS é muito fluída e natural. Mas se o iOS tem obviamente muitas vantagens em comparação com outros sistemas, nota-se algum “conformismo”, nomeadamente na apresentação de novas funcionalidades.

Não convence

O iOS 6, que vem instalado no iPhone 5, tem como principal feature a aplicação de mapas da Apple. Acontece que essa aplicação, que substitui o Google Maps, está ainda numa fase muito embrionária. Pode-se dizer que está em Beta (mesmo que a Apple não o admita). Com a actualização, os utilizadores ficaram com uma pior experiência de navegação, levando Tim Cook a sugerir aos consumidores a utilizar outras aplicações, tendo posteriormente despedido os responsáveis pelo seu desenvolvimento. As outras novas funcionalidades do iOS 6 estão relacionadas com a integração do Facebook, melhoramentos no Siri (assistente pessoal por voz), Passbook (um repositório de bilhetes, cupões, cartões), a possibilidade de fazer chamadas Facetime por 3G e fotografias panorâmicas. De realçar que muitas destas funcionalidades apenas estão disponíveis para o iPhone 4S e 5 (ver a letra miudinha no final desta página).

A Apple necessita de repensar o iOS, não apenas com uma ou outra nova funcionalidade mas sim de uma forma mais abrangente.

Câmara

O iPhone 5 traz poucas novidades em comparação com o 4S, o que não é necessariamente mau. Continua a ser uma das melhores câmaras do mercado. A rapidez e fluidez é impressionante, não deixando muito espaço de manobra para grandes avanços nesse aspecto. Com o iOS 6 é possivel fazer fotos panorâmicas, uma feature disponível em Android há bastante tempo e também possível através de diferentes aplicações em iOS. A verdade é que neste ponto a Apple não desiludiu e as panorâmicas tiradas com o iPhone 5 são deslumbrantes.

O vídeo também não fica atrás e a gravação em 1080p é fantástica mesmo em condições de luz muito pouco favoráveis.

Why Apple? Why?

Se é verdade que Portugal já faz parte da “primeira divisão” dos países no que diz respeito a lançamentos da Apple (O iPad mini foi lançado no mesmo dia em Portugal e nos EUA), também é verdade que continuamos a ser esquecidos em outros aspectos. Não faz qualquer tipo de sentido que o Siri não esteja disponível em Português mas que possa ser utilizado em “Swiss Italian”. Parece-me uma falha grave quando o Português é a língua mais falada no hemisfério sul.

Um outro aspecto que deixou muitos consumidores frustrados, e que provavelmente tem grande impacto na decisão de aquisição de um iPhone 5, é a não compatibilidade com a rede 4G portuguesa. Neste caso o problema não é exclusivo de Portugal já que na Europa apenas é possível navegar em 4G num iPhone na Grã-Bretanha, Alemanha e França. Mesmo assim não deixa de ser frustrante que um telefone topo de gama não tenha essa capacidade ainda por cima num País em que as operadoras investiram muito nas infraestruturas. Será o próximo iPhone o primeiro dispositivo “4G world ready” do mercado? Esperemos que sim.

PRÓS

Design
– App Store
– Acessórios
– Rapidez, fluidez, facilidade de aprendizagem

CONTRAS

– Sistema operativo datado
– Sem suporte para Português no Siri
– Preço
– Não compatível com a rede 4G portuguesa



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