Jameson Urban Routes 2014 | Antevisão

Jameson Urban Routes 2014 | Antevisão

Com a edição de 2014 mesmo aqui à porta, aproveitámos para fazer a antevisão e para uma breve troca de palavras com o Pedro Azevedo, responsável pela programação do cartaz do Jameson Urban Routes

Este ano o JUR vai acontecer nos dias 22, 23, 24, 25, 31 de Outubro e 1 de Novembro e vai ter muito para ver e escutar…

Tudo começou em 2006, ano da primeira edição do festival. Desde então houve tempo para amadurecer e dar consistência a uma matriz muito própria e única, com um “balanço extremamente positivo a todos os níveis”. Ora digam lá outro clube que chame a si a organização de um festival? Não se lembram? É normal, é que não há muitos mesmo e isso leva-nos inevitavelmente a pensar se quem está do lado de lá não se sente um pouco refém do formato. “O formato é o que um clube com as características do Musicbox permite mas de modo algum nos sentimos reféns nem tão pouco limitados. Sentimos sim que estamos a crescer a cada ano, não só em programação mas também na comunicação, público e missão para com a cidade. Crescer para um espaço maior nunca foi a nossa intenção; o JUR é projectado desde a sua génese para sintetizar em cinco dias a vida programática anual do Musicbox.”

Sempre que se tenta caracterizar o cartaz do Urban Routes, ecletismo e consistência são duas palavras que vêm logo à cabeça. E esses adjectivos podem facilmente ser estendidos à sala onde tudo acontece, o Musicbox, ali na Rua Nova do Carvalho, no Cais do Sodré, mesmo debaixo do arco. São poucos os locais de lisboa que conseguem chamar assim numa base regular públicos totalmente distintos. Electrónica nas mais variadas vertentes, Rock, Hip-hop ou Pop. Todos têm o seu espaço e o seu momento ali e sempre na vanguarda, sempre um pouquinho mais à frente na curva. E isso faz a diferença. Cria identidade. Confere longevidade. Cria laços e fideliza. Parece fácil, não parece? Segundo Pedro Azevedo “existe uma missão para o festival, uma linha orientadora para cada um dos dias e um orçamento”. Depois basta juntar “estes três itens à disponibilidade dos artistas e tens um festival, embora seja crucial manteres-te fiel ao teu conceito”. Esta é a parte complicada e onde reside um dos grandes méritos do JUR.

Dia 22 é um dia dedicado à música que se vai fazendo por cá e de entrada livre. Blac Koyote trará sonoridades electrónicas. Alguns encontrarão pontos de contacto com os Sensible Soccers e outros sentir-se-ão como que embebidos na atmosfera de uma banda sonora de um filme. Ambas as partes terão razão. Já os Cachupa Psicadélica mostrarão como se combina o rock de Seattle com os sons crioulos. Umas vezes mais atmosféricos e outras vezes mais intensos mas nunca desinteressantes. Sequim continuará a sua imparável afirmação (é já um dos nomes incontornáveis de 2014, no que aos lançamentos nacionais diz respeito) e esta será mais uma ocasião para o comprovar. O indispensável Clubbing ficará a cargo de Rastronaut e King Kong.

Dia 23 teremos os primeiros pesos pesados que foram, quiçá, responsáveis por uma das procuras mais desenfreadas de bilhetes a que o Musicbox assistiu. Mas já lá vamos. A abrir a Noite vamos ter os Memória de Peixe que em 2012 lançaram um disco homónimo que partiu a loiça toda. Já não se lembravam? Pois deviam! Eis aqui a oportunidade perfeita para ver ou rever como se constroem canções a partir de loops mesmo curtinhos, curtinhos de guitarra e bateria. É quase uma forma de arte e a esperança de escutar canções novas é sempre legítima! Os Celebration encarregar-se-ão de trazer o palco da Rua Nova do Carvalho o seu auto-intitulado soul psicadélico. Espera-se que funcionem como o rastilho que se irá incendiar, assim que os Future Islands entrem em cena para apresentar “Singles”. “Singles” será por ventura um dos títulos mais provocadores que tivemos oportunidade de conhecer em 2014 mas a verdade é que tem potencial para isso mesmo. Para confirmar por volta das 23h30! O Clubbing ficará a cargo dos DJ’s da Discotexas, que já conhecem os cantos à casa.

Dia 24 começa mais tarde, pelas 23h30, e ao som dos Keep Razors Sharp que contam nas suas fileiras com nomes como Afonso (Sean Riley & The Slow Riders), Bráulio (ex-Capitão Fantasma), Rai (The Poppers) e Bibi (Riding Panico). O post-rock é rei e senhor, com alguns laivos de psicadelismo e são também uma das apostas pessoais da organização e com lugar de “destaque nas listas de melhor disco e banda do ano”. Os Fujiya & Miyagi parece que existem há mais tempo do que aquele que realmente têm de existência. A dupla de Brighton anda nestas lides “apenas” há 8 anos, porém os nomes ligados ao Kraut Rock que os influenciam, acabam por envolvê-los numa aura algo intemporal. O underground londrino encontra o underground lisboeta. É neste contexto que os Glass Animals visitam o Musicbox. As comparações com o menino bonito James Blake são quase inevitáveis mas os Glass Animals preferem fintar a melancolia e piscar o olho ao sexy. Começam a tocar mais tarde, já por volta das 1h30, mas faz sentido. As ambiências das canções dos ingleses convidam-nos a noites longas e esta tem tudo para ser mais uma. O incontornável Clubbing, fica entregue a Maurice Faulton e Jorge Caiado.

25 de Outubro começa ao som Medeiros / Lucas. Lucas é Pedro Lucas, conhecido pelo seu projecto O Experimentar N’A Mincomoda. Medeiros é Carlos Medeiros, figura indissociável da música tradicional portuguesa. O resultado é imprevísivel: da nossa península, às costas do Norte de África, e com passagens pelo atlântico, mais precisamente pelos Açores. Para descobrir e, segundo Azevedo, uma “aposta ganha para 2015”. Tim Hecker é o primeiro canadiano da noite. Na bagagem traz “Virgins” para mostrar. Contem com atmosferas etéreas e minimalistas, recortadas por adornos sonoros precisos. Moon Face é Spencer Krugg ou pelo menos uma das suas muitas facetas. Esta será a mais minimalista de todas elas mas nem por isso a menos complexa (é também o segundo canadiano da noite). Um concerto que marca regresso ao nosso País de um dos músicos mais profícuos da sua geração, novamente a solo, e depois do enorme espectáculo que deu na edição de 2013 do Vodafone Mexefest. Os pratos ficarão a cargo de Voxels Live e Sonja.

Depois de alguns dias de descanso, mais precisamente no dia 31 de Outubro, retoma-se o andamento e o ideal é começar logo sem paninhos quentes, sem merdas mesmo. Rock puro e duro, à moda de Barcelos, daquele que se sente nos ossos e servido pelos The Glockenwise. Os LOWER, vêm de Copenhaga e trazem rock com uma vertente vincadamente post-punk e forjado a partir das experências emocionais do vocalista da banda. A encabeçar a noite de concertos está o projecto de Timothy Showalter, Strand of Oaks, para nos apresentar “HEAL”, um registo rock e complexo nas emoções que encerra em si. Uma noite que irá pôr as paredes do Musicbox à prova. Jonathan Toubin e De Los Miedos tratarão depois de assegurar que a festa prossegue até ao amanhecer.

Dia 1 de Novembro marca o regresso dos Shabazz Palaces a Lisboa para mostrar o já mui venerado “Lese Majesty”, editado com o carimbo da grande 4AD. Uma oportunidade única para experienciar de perto o que está ser feito no campo do hip-hop que vive nas franjas, nas extremidades e com uma personalidade e carismas únicos. Antes haverá ainda tempo escutar , nascido na Guiné-Bissau mas radicado no nosso País e cumplíce habitual de Lula Pena ao vivo, o que por si só, deveria ser argumento mais do que suficiente para marcar presença. Para fechar em grande haverá não dois mas três nomes no Clubbing: Nidia Minaj, Anthony Naples e Black.

Fica feito o convite.



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