Jazz ao Centro 2005

2ª Parte dos Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra.

Nos dias 3, 4 e 5 de Novembro a 2ª Parte dos Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra partilha a paixão por jazz, de sempre e de agora.

O ‘Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra’ é fruto da vontade de muitos amantes desta música e conhece no mês de Novembro a sua 2ª parte. Apostando sempre na pluralidade de ofertas que visam surpreender o público, sem descurar a qualidade vinda de variadíssimas proveniências, o JACC – Jazz ao Centro Clube, organizadora do evento em parceria com a Câmara Municipal de Coimbra e a Trem Azul, conta com um cartaz  recheado de referências estilísticas diversas.

No primeiro dia, 3 de Novembro, o palco do Teatro Académico de Gil Vicente fica entregue a três das mais importantes personalidades do jazz francês actual. Aldo Romano na bateria, Louis Sclavis no saxofone soprano e clarinete e Henri Texier no contrabaixo fazem a estreia mundial ao vivo do seu último registo ‘African Flashblack’, editado pela Label Blue.

Inspirado nas memórias fotográficas de Le Querrec, deparamo-nos novamente e sempre com a ligação deste trio a África, terra de fascínios, mistérios, tambores, rituais, celebrações. Perseguem uma vez mais a busca das raízes mais profundas do jazz, aventura que já tinham iniciado aquando da edição de ‘Carnet de Routes’ e ‘Suite Africaine’ ambos pela Label Blue. Senhores de uma excelência e perfeição técnica incontestáveis, capazes de produzir uma síntese intemporal de mesclagens europeias e africanas, Romano/ Sclavis/ Texier colocaram-se num patamar singular do panorama do jazz europeu.

O dia 4 de Novembro vê subir ao palco Alberto Conde Trio. Composto pelo pianista Alberto Conde, pelo contrabaixista Baldo Martinez, ambos galegos, e pelo baterista norte-americano Nirankar Khalsa, trazem na bagagem ‘Entremares’ datado de 2002. Estes três talentosos e criativos músicos reflectem no seu trabalho os diferentes estilos de que os seus executantes são praticantes, ainda que marcadamente influenciados pela música tradicional. O resultado é uma world music de cariz galego, a chamada Muiñeira-jazz, e conceptualmente podemos encontrar uma base folk original com adições de melodias simples e espaços para experimentações sonoras e improvisações.

Caberá ao Fredrik Nordström Quintet (FNQ) encerrar o palco principal destes Encontros a 5 de Novembro. Sede de cinco dos mais entusiasmantes improvisadores nórdicos da actualidade (Fredrik Nordström – saxofone tenor, Mats Äleklint – trombone, Mattias Ståhl – vibrafone, Torbjörn Zetterberg – contrabaixo e Fredrik Rundqvist – bateria) este quinteto conta com uma grande maturidade e entrosamento em palco resultado das digressões que já fizeram por vários países incluindo o Canadá. Fredrik Nordström gravou em 1998 o seu primeiro disco com o octeto Fredrik Nordström 08 (Dragon Records, 2000), em 2002 recebe o prémio ‘Jazz in Sweden’ que lhe garantiu a gravação do seu segundo álbum, primeiro como quinteto, ‘On Purpose’ e já em 2004 ‘Moment’ (Meserobie).

O FNQ busca, de forma inteligente, em duas fontes estilísticas distintas, inspiração para as suas composições estando neles depositada a confiança quanto à capacidade de reformulação e rejuvenescimento do jazz. As suas combinações de elementos prontamente associados à tradição do jazz americano com as idiossincrasias  da música de improviso europeia adivinham um concerto com um certo swing moderno e com liberdade estilística e formal.

Após o termo dos concertos no Teatro Académico de Gil Vicente, e a partir das 24 horas, o ponto de encontro muda-se para geografias mais baixas e no Salão Brasil pode-se encontrar todos os dias do Jazz ao Centro o Michaël Attias Trio. Em três dias que se adivinham intensos, a mercê da autoridade, paixão, sopros vincados, de composições de ideias fortes, eficazes e directas de Michaël Attias. Com uma história pessoal que certamente enriquece as suas composições e que contribui para que seja um músico completo, tanto como instrumentista como compositor. Traz consigo o álbum ‘Renku’ de 2005 e a acompanhar o seu saxofone alto estão o contrabaixo de Sean Conly e a bateria de Takeaki Toriyama.

Mas as noites só acabam à beira rio, no Quebra Club, com o groove como prato forte servido pela mestria dos Space Boys Jazz System, João Gomes e Tiago Santos. Para os mais distraídos estes dois nomes são parte do núcleo duro dos Cool Hipnoise que em 1998, juntamente com Francisco Rebelo, também dos Cool Hipnoise, fundaram os Spaceboys. Do álbum de estreia, ‘Sonic Fiction’ de 2003, pouco há a dizer para além de que contaram com colaborações de Kika Santos dos Loopless e de Valérie Etienne dos 2banksof4 e que nomes como Gilles Peterson e Richard Dorfmeister os colocaram nas suas playlists. Será mesmo necessário dizer muito mais? Pode-se dizer que são nomes assíduos de clubes como o Lux, o Fluid, o Frágil ou o Trintaeum. Coordenadas para a viagem intergaláctica que os Spaceboys nos levam? O groove é a força que comanda o embalar da noite

Mantendo as orientações das edições anteriores, não é só de concertos que se enquadram dentro dos parâmetros normais que se fazem estes Encontros. Assim, no dia 3 será ministrado pelo Michaël AttiasTrio um Workshop de combo e instrumento e no dia 4 as portas do TAGV abrem-se a alunos, professores e população em geral para um Concerto Didáctico dado por Vasco Gomes (bateria), Pedro Leonidas (guitarra) e Nuno Correia (baixo). Pretende-se promover a música e particularmente o Jazz, suscitando o interesse pelos diversos instrumentos musicais através da explicação do que é o jazz e da demonstração da função de cada instrumento na composição total.

Complementarmente é ainda possível visitar a exposição de fotografia ‘Retrospectiva do Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra’ de Nuno Martins e Luis Filipe Catarino patente na Sala Branca do TAGV de 3 a de 30 Novembro. No Quebra Club pode-se visitar a exposição de cartazes Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra 2003.



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