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Joan as Police Woman @ Lux

O outro lado de Joan!

O dia 15 de Outubro marcou o arranque da mini tour portuguesa do espectáculo “Interpretation Domination” que Joan Wasser trouxe à Europa. Acompanhada apenas pelo músico Timo Ellis e uma cassete (gravada de propósito para esta tour) como apoio instrumental, o espectáculo apresentou o disco “Cover”, vendido em exclusivo nos locais por onde passou a tour, em que a Nova Iorquina desvia-se um pouco do seu registo mais habitual e interpreta temas de diversos artistas, desde David Bowie a Britney Spears.

O Lux foi o local escolhido para acolher a passagem de Joan pela capital e acabou por ser o local indicado para criar um clima de proximidade entre público e artistas. A discoteca de Santa Apolónia é, provavelmente, o espaço em Lisboa com melhores condições para se aguardar calmamente o inicio de um concerto. Mesmo tendo esse facto em conta, foram muitos aqueles que quiseram aguardar a abertura “das escadas” para o piso inferior formando uma longa fila.

Sorridente e com um vestido prateado, Joan Wasser surge em palco 40 minutos depois da hora marcada. Dedicada a Freddy Mercury, “Ringleader Man”, um original de T-Pain, foi a música que abriu o concerto. Acompanhada de Timo Ellis e de um leitor de cassetes de quatro pistas com ritmos de bateria gravados – “Sim, nós vivemos no passado”, comentou – Joan foi-nos surpreendendo com as improváveis versões, preenchendo o resto do alinhamento com alguns temas dos seus dois discos de originais.

Entre as teclas e a guitarra, visivelmente bem-disposta por estar em Portugal depois do frio da Noruega, Joan foi-se libertando e dando a conhecer as suas novas versões de um disco que curiosamente até na própria capa é uma versão, já que o artwork foi “copiado” de um disco funk dos anos 70 como a própria confidenciou no decorrer do concerto. Se “Baby” de Iggy Pop, “Sweet Thing” de David Bowie e “Fire” de Jimi Hendrix (sem a energia electrizante do original) são temas que encaixam bem na musicalidade da artista, os três temas que fecharam a primeira parte do espectáculo foram claramente grandes surpresas.

Já não é a primeira vez que temas de Britney Spears são alvo de covers mas “Overprotected” tocado e cantado por Joan Wasser foi capaz de colocar sorrisos na cara dos presentes que, surpreendentemente (ou não), conheciam muito bem a letra da música. Depois da pop cor-de-rosa de Britney ter sido redefinida, o hip-hop foi o género seguinte, com a versão de “She Watch Channel Zero” dos Public Enemy, terminando em grande com “Sacred Trickster”, tema escrito por Kim Gordon dos Sonic Youth, a fazer lembrar PJ Harvey neste género de hino às mulheres roqueiras.

Depois da intensidade com que fechou a sua actuação, o encore, tal como aconteceu, era totalmente dispensável. Embora os fãs tenham apreciado o facto de ter tocado “The Start of My Heart”, um dos singles do seu segundo disco “To Survive”, Joan fechou o espectáculo com a longuíssima e sentida “Keeper of the Flame” de Nina Simone que sofreu um pouco com alguns problemas de som que foram progredindo com o desenrolar do concerto.

Esta passagem de Joan as Police Woman por Portugal veio demonstrar que ela pode seguir a sua carreira por diversos trilhos – do rock mais ritmado às canções – que irá sempre manter a qualidade que nos tem habituado.



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