Joana Gancho

Exposição na Galeria Trema, conversa na RDB.

Integrado nas inaugurações de mais uma edição da Lisboarte (que tem dinamizado o circuito de galerias da capital), o trabalho de Joana Gancho vai estar exposto na Galeria Trema em Lisboa. “Paisagens Urbanas” é o título escolhido para apresentar o trabalho de pintura e desenho da jovem artista nacional. A exposição estará patente de 18 de Março a 22 de Abril.

Estivemos à conversa com Joana Gancho de forma a conhecer um pouco melhor a sua carreira e trabalho.

RDB: Quem é a Joana Gancho?

Joana Gancho: Nasci em Lisboa, em 1980, mas vim logo morar para Évora. Aqui vivi toda a minha infância e adolescência. Em 1998 entrei para a Faculdade de Belas Artes de Lisboa e fiquei por lá 6 anos, até acabar a licenciatura em pintura. Há um ano voltei a Évora e aqui estou a morar, mas várias vezes vou até Lisboa para me inspirar. Évora transmite-me a calma que preciso para trabalhar e Lisboa a imaginação para pintar.

Como surgiu este gosto pela pintura?

Desde pequena que adoro mexer com tintas, com papéis, com lápis e canetas. E a ideia de seguir um curso relacionado com Artes esteve sempre presente. Quando fui para o agrupamento de artes no 10º ano, o curso que iria tirar ainda não estava definido. Sabia que queria ir para Belas Artes (para mim ir para Belas Artes era algo mágico!), mas as dúvidas em relação a que curso escolher eram muitas. Acabei por entrar em Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes (talvez por ouvir dizer que era melhor para mim em termos de futuro profissional!) Mas depressa percebi que não pertencia ao mundo do design, sentia falta de sujar as mãos e de sentir o cheiro das tintas. Então, ao fim do 1º ano mudei para pintura e agora posso dizer que este é o meu mundo!

Achas que a formação em Portugal está muito atrasada em relação ao estrangeiro?

A formação em Portugal ao nível das artes plásticas é relativamente boa. É claro que há certas lacunas, mas no estrangeiro também as há. Mas a formação ao nível das artes devia começar muito mais cedo, logo na pré-primária as crianças deviam ter acesso ao mundo das artes, em geral. Certamente as coisas começavam a mudar.

Como descreves o teu trabalho? O que te inspira no processo de criação?

Todo o meu trabalho tem por trás o tema do “urbano”, as cidades e as suas pessoas inspiram-me. São pessoas anónimas, sem rostos, que vivem os seus dias na sua rotina, com uns e outros que não conhecem. Por isso nas minhas telas e nos desenhos aparecem sempre situações do quotidiano citadino: o metro, a rua, as paragens de autocarro, os cafés (etc) são os locais escolhidos…. São situações que eu observo ou fotografo e depois as reconstruo.

Fala-nos de “Paisagens Urbanas”. O que podemos encontrar nesta exposição?

Em “paisagens urbanas” cada tela ou desenho é um instante vivido por personagens anónimas, que se encontraram naquele momento e naquele local por acaso. Não se conhecem, nem estão ali para se conhecerem, apenas se encontraram naquela carruagem de metro àquela hora ou naquela passadeira por acaso ou naquela rua algures numa cidade… vivem a sua rotina diária com uns e outros que não conhecem. Estão em grupo… sozinhas… e por breves instantes formam uma “paisagem urbana”, que permanece para sempre em cada tela ou desenho.

Como vês o panorama nacional neste ramo da cultura?

Acho que Portugal é um país bastante cruel para quem acaba uma licenciatura em Artes plásticas. Nem todos os jovens artistas têm a sorte de conseguir mostrar o seu trabalho. As coisas deviam mudar nesse aspecto e este meio deixar de ser um círculo vicioso.

Projectos e expectativas para o futuro?

Para o futuro?… Continuar a pintar é uma prioridade e talvez vá para outro país quando tiver oportunidade. Barcelona talvez seja a cidade eleita para tal! (preciso de me inspirar noutras cidades…de ver novas cores e
sentir novos cheiros!)



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