[JOANA] MORA NA FILOSOFIA #7

[Joana] mora na Filosofia #7

Eu eureko, tu eurekas, Arquimedes eureka, nós eurekamos!

Conhecido pelos seus «EUREKA» que irrompem o silêncio aqui da aldeia, Arquimedes de Siracusa é uma das pessoas mais admiradas na aldeia. Leonardo Da Vinci e Galileu Galilei costumam vir cá visitá-lo, com frequência e ficam encantados com as suas descobertas.

Até no banho, Arquimedes, até no banho, tu não páras, dizia-lhe eu enquanto ele rabiscava coisas e observava uma experiência que envolvia água e uma coroa de ouro e pedaços de ouro e de prata.

Joana, as respostas surgem quando menos esperamos, tens que estar disponível para que isso aconteça, respondeu Arquimedes.

Há uma oficina grande na sua casa. Nela encontramos desenhos e rabiscos, espalhados pelas paredes. Ao fundo, uma alavanca com uma esfera que representa o planeta terra, de um lado, e do outro lado, escrito a giz, no chão, «Dai-me um ponto de apoio e levantarei o mundo». Caminhei até lá em silêncio. Pressionei a alavanca. O mundo ergueu-se. Era tão bom que fosse assim, Arquimedes, aqui nem é preciso muita força, basta querer, disse-lhe. Ele respondeu com um sorriso e acrescentou, Joana, o mundo move-se com pequenos Eurekas, com pequenas descobertas feitas enquanto se toma banho ou se descasca uma cebola. O teu mundo move-se assim, mesmo que o mundo dos outros pareça profundamente imóvel.

Fiquei em silêncio. Voltei a pressionar a alavanca. A imagem do mundo a erguer-se enchia-me as medidas, enchia-me de esperança. Eu já tinha um ponto de apoio, a vontade e a força q.b..

Ficámos em silêncio. Arquimedes continuou a fazer desenhos e a pensar alto (sim, era comum ouvi-lo a falar consigo mesmo enquanto trabalhava). Fiquei alguns minutos a olhar para o mundo, do outro lado daquela alavanca. Imóvel. À espera de ser positivamente abanado. Sem terramotos, apenas abanões dos bons, que nos fazem pensar e sentir. Sonhos que, como diz o poeta, fazem o mundo pular e avançar.

Arquimedes? Concebes que o ponto de apoio possa ser ele próprio móvel e que se vá adaptando ao mundo e assim provoque a mudança?, perguntei. Arquimedes levantou os olhos do papel e dos rabiscos nos quais estava a trabalhar e sorriu, Joana, a filosofia não é o meu forte, bem sabes; comigo é mais engenharia e engenhocas. E banhos!

Banhos. Este homem não tem a noção de como um banho dele pode revolucionar a física, a engenharia e afins. Os «pequenos» Eurekas dele são, permitam-me a expressão «muito enormes».

Deixei Arquimedes e fui passear pela aldeia; estava um fantástico dia de sol e o mundo parecia diferente desde que eu tinha entrado na sua oficina. Impressionante como o mundo à nossa volta parece outro quando nós próprios mudamos. Eureka!

 

Texto de Joana Rita Sousa

 

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