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Não há culpa – ou a Santíssima Trindade + 1

João Ascenso, Ricardo Lérias, Anaísa Raquel e um comando de televisão: foi esta a equipa que (re)encontrámos no Teatro Rápido (TR) para falar sobre "Não há culpa", a peça que invadiu a sala 2, durante o mês de Julho

«O Ricardo [convidou-me para escrever uma peça para o TR. E num dia escrevi o texto.», diz-nos João Ascenso, que trazia consigo o primeiro esboço da imagem das personagens, desenhado num caderno. Na altura, nem ele nem Ricardo Lérias pensaram nos temas que o TR propunha. «Entretanto, fomos ver os temas e tivemos sorte.», disse, que já tinha passado pelo TR em Julho de 2012, com o trabalho Seis quase meia, também na companhia da actriz Anaísa Raquel. «Quando fui convidada para participar já conhecia o texto e sentia uma grande inveja!», confessou Anaísa, que ficou radiante com o convite.

Os ensaios começaram com leituras, em que os actores iniciaram um processo de adaptação mútua. «Gosto sempre de deixar uma margem de manobra para que os actores possam dar coisas de si às personagens que estão a construir», disse João. «Não imponho um processo de criação», sublinha o autor, encenador e cenógrafo da peça Não há culpa.

«A forma como o João escreve e nos faz trabalhar durante as leituras ajuda imenso na criação», diz Ricardo Lérias que teve a tarefa de dar voz, corpo e alma (?) a Deus.

«Eu estava cheia de medo, pois não fazia comédia há muito tempo.», disse-nos Anaísa, que assumiu o desafio pela confiança que tinha, à partida, nesta equipa. «O processo acabou por se tornar bastante natural, sem grande técnica em si mesmo. Foi fluindo. A escrita do João é muito fácil, o texto é todo ele muito falado.»

Ricardo admite que quando visitou o TR, em Maio, e se deparou com a peça Gisberta (protagonizada pela Rita Ribeiro, com texto de Eduardo Gaspar) começou a «panicar». «Comecei a ficar com medo e os ensaios serviram muito para desbloquear o nervoso. Agora que olho para trás penso que foi uma experiência que me permitiu ganhar uma estaleca incrível. A nível mental é um grande exercício porque tens que estar sempre lá.», acrescenta Deus, perdão, Ricardo.

«Foi um mês muito feliz. Fomos abençoados», diz Anaísa, que interpretava o papel de Nossa Senhora. «O público saía da sala com um sorriso…».

Para quem visitou o TR no mês de Julho, o mês em que o tema era «de malas aviadas», era comum encontrar os actores, das quatro salas, a partilhar o tempo livre entre as sessões, como se de uma grande equipa se tratasse. «Vivemos aqui um ambiente “do caraças” e foi muito gratificante partilhar o mês com estas pessoas», disse Ricardo. Anaísa admite «Eu não vou para o trabalho para fazer amigos, mas aconteceu-me muitas vezes querer vir para cá mais cedo, para estar com as pessoas. Pela primeira vez, um mês de trabalho pareceu-me uma semana. E o nervoso da estreia esteve presente na última sessão»

A equipa Não há culpa participou na primeira iniciativa TR de realizar sessões nocturnas. Pela primeira vez, o TR abriu as suas portas após as 22h, durante o fim de semana. Julho estava a revelar-se um mês com pouco público e esta foi uma forma de contrariar a tendência. «Mas vivemos sempre um ambiente de salas cheias», sublinham Anaísa e Ricardo, elogiando as energias que se estabeleceram entre os quatro projectos, a equipa de produção do TR, bem como a equipa do TR Bar.

«O teatro de quinze minutos é um espectáculo em si mesmo. Aqui, temos que estar sempre disponíveis para a repetição, estamos sempre em cena, sempre presentes à personagem.», disse Anaísa. João Ascenso compara o microteatro com o cinema «Tu estás sempre a três dimensões, com o público ali bem perto de ti, atento. A verdade tem mesmo que passar para o espectador.» E Ricardo não deixa de assinalar «Tivemos público muito bonito, capaz de transmitir boas energias.»

A equipa Não há culpa – uma espécie de Santíssima Trindade mais um (o comando de televisão capaz de mudar o curso da vida no mundo) – deixa um conselho a quem está a pensar candidatar-se ao TR: «Encarem o vosso projecto como um meio para manifestar a sua visão sobre o mês. A equipa do TR só vos vai facilitar a vida e promover o vosso bem estar, enquanto aqui estiverem. », disse João Ascenso. «Sentimos sempre que o nosso projecto também pertencia ao próprio TR», acrescenta Ricardo Lérias. Tempo ainda para um agradecimento (divino), por parte da “Santíssima Trindade”: «Não podemos deixar de agradecer a todos os amigos que connosco criaram este projecto: o Luís Covas, a Anaísa Guerreiro, a Paula Teixeira, Véritas, o António Cameira, a Raquel Batalha, a Maria João Gil, a Maria Bragança, a Mariana Silva, a Joana Duarte Silva, a Maria Lalande, o Diogo Tomás, o Paulo Ferreira e a Eugénia Abreu.»

E que fiquem todos na paz do Senhor! 

 

Fotografia de Mário Pires



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