João Carilho

NOVÍSSIMOS #2: JOÃO CARRILHO

“Contém um ambiente meio obscuro, acompanhado de um pouco de humor-negro”

No âmbito da 10º Edição do IndieLisboa, a RDB homenageia o Festival de Cinema Independente nos próximos meses. Serão 10 artigos em discurso directo, cada um deles dedicado a um realizador da secção Novíssimos do IndieLisboa e ao seu filme integrante na mesma secção.

A primeira Novíssima foi a Joana de Verona, agora é a vez de prestar homenagem ao segundo Novíssimo, João Carrilho, que nesta edição apresentou o seu filme “Adolfo, O Rapaz Galinha”.

“Adolfo, o Rapaz Galinha” é uma animação, que conta a história de um rapaz que rouba galinhas para fazer experiências sinistras na sua cave. O plano consiste em transformar todas as pessoas em galinhas para dominar o mundo, mas algo não estava nos planos e o feitiço vira-se contra o feiticeiro.

João Carilho

 

João explica-nos qual é para ti o significado e a importância do Festival de Cinema Independente – IndieLisboa

O IndieLisboa é sem dúvida um dos festivais a visitar no panorama cinéfilo nacional. A importância que este festival ganhou ao longo dos anos é reflectida pela sua forte estrutura organizativa e pela sua selecção de filmes diversificada, e a prova da sua qualidade está na aderência do público.

Sabendo das dificuldades que alguns novos realizadores têm em exibir os seus trabalhos, o IndieLisboa acaba por ser uma montra para aqueles que acreditam no seu valor e o querem exibir em público.

Para mim foi um orgulho poder participar e partilhar algo a que dediquei muitas horas e que me criou alguns cabelos brancos, já para não falar dos que me retirou.

Poderias mencionar ou destacar algum filme do IndieLisboa que ao longo destes dez anos te tenha marcado especialmente?

Infelizmente para mim, por diversos motivos, esta foi a minha primeira vez no IndieLisboa, como realizador e como público. Não querendo estar a repetir-me em elogios, dou os parabéns pela excelente organização.

Após ter presenciado o valor dos filmes exibidos, resta-me dizer que as expectativas criadas foram atingidas e a promessa é voltar.

Descreve-nos um pouco o teu filme “Adolfo, O Rapaz Galinha” que se incluiu, este ano, na secção Novíssimos do IndieLisboa

O “Adolfo, O Rapaz Galinha” nasceu de uma proposta de trabalho de grupo numa disciplina do curso de Artes Visuais – Multimédia, que eu concluí na Universidade de Évora.

Essa disciplina foi leccionada por José Miguel Ribeiro, considerado uma grande referência no cinema de animação português. O que me deu uma extra-motivação para desenvolver o projeto.

“Adolfo, O Rapaz Galinha” conta a história de Adolfo, um rapaz que rouba as galinhas dos vizinhos para fazer experiências na sua cave. Para isso conta com a ajuda da sua namorada e cobaia predileta, Maria Cabrita, que se submete à sua vontade para concretizar o seu objetivo maquiavélico de transformar toda a raça humana em galinhas e dominar o mundo. Infelizmente para Adolfo algo corre mal e acaba por ser vítima da sua própria perversidade.

Esta animação contém um ambiente meio obscuro, acompanhado de um pouco de humor-negro. As influências vêm do expressionismo alemão dos anos 20 e de realizadores como Tim Burton e Henry Selick.

Sem diálogos, a história é acompanhada pela voz de um narrador que utiliza um texto em verso. A diversidade nas técnicas de animação utilizadas é também uma das características desta curta. A técnica principal é o stop-motion, que ao longo da história é alternado com 2D e pixilação.

A história do Adolfo não fica por aqui, pois está para sair em breve um episódio de mais um plano maquiavélico do rapaz monocelha. Desenvolvido na Academia da RTP, os personagens da curta-metragem “ Adolfo, O Rapaz Galinha” voltam a ganhar vida num novo episódio, no qual se junta “Piloto”, o seu fiel animal de estimação com comportamento canino, e não, ele não é um cão. “Adolfo” o nome da série que inclui este episódio, conta agora com adição da técnica 3D e da voz de Carlos Nobre como narrador, ou para quem não o reconhecer por este nome, Pacman, ex-vocalista dos Da Weasel.

Não percam a estreia de “Adolfo”, brevemente numa estação pública perto de si.



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