João Vieira

Novo ano, dois projectos: Cherry Bomb e o regresso dos X-Wife. Entrevista com DJ Kitten.

Parece que 2006 promete ser um bom ano para João Vieira. Para além do seu novo projecto, “Cherry Bomb”, invadir as pistas de dança de Lisboa e Porto, os X-Wife preparam-se para regressar às edições com o aguardado segundo disco de originais.

Aproveitámos a ocasião para fazer uma pequena viagem no tempo e regressar ao Club Kitten para ficarmos a conhecer as razões do hype. Fiquem com a entrevista sobre o passado, presente e futuro de um dos mais activos dinamizadores da música em Portugal.

RDB: Como e quando é que começou o Club Kitten?

João Vieira: O Club Kitten começou em Abril de 1997 em Londres. Eu trabalhava como DJ no clube da associação de estudantes da minha universidade e resolvi fazer um club nesse espaço. Juntei-me a 3 amigos que frequentavam o mesmo club que eu (Smashing) e meses depois nascia o Club kitten em East London que, 3 anos mais tarde, acabaria em Camden. Regressei a Portugal em Janeiro de 2001 e, em Julho desse ano, recomecei-o com a minha amiga Fátima Magalhães no Triplex. Depois de algumas festas no Teatro Sá da Bandeira, Lux e Swing o Club Kitten iria terminar em meados de 2004.

Ficaste admirado com o sucesso das festas?

Sim. Muito admirado… a ideia era só juntar num club algumas pessoas
com as quais te identificasses. Passar musica que gostas e divertires-te.

Qual foi a chave para o sucesso?

Não houve chave, nem sequer foi planeado nada. Penso que a altura foi certa. O club oferecia algo que a maior parte dos clubs aqui no Porto não fazia. Um ambiente pouco elitista com todo o género de pessoas, um espaço de mente aberta com música nova e alguma mais antiga. A ideia era misturar Rock com punk e com algum electro, não ter uma music policy, passar tudo o que me apetecesse, que fosse fresco e que fizesse as pessoas dançar… Basicamente eu queria um club onde se ouvisse musica que não encontrava noutros.

Porque é que tiveste necessidade de alterar a “fórmula”?

Não tive necessidade. As coisas mudam. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. O “Cherry Bomb” é um projecto diferente do Club kitten. Aqui há uma music policy diferente: Disco punk e rock ‘n’ roll. Há convidados em todas as festas e é um projecto no qual trabalho sozinho. O Club kitten era um projecto de duas pessoas que decidiu terminar. Eu gosto das coisas assim “die young, stay pretty”. Prefiro que as pessoas pensem no Club kitten como algo de especial que aconteceu, em vez de começar a cair em decadência ou as pessoas estarem à espera de velhos hits de electroclash. Além disso, um novo projecto dá outro entusiasmo…

Vão haver locais fixos?

Lux em Lisboa e Maus Hábitos no Porto.

Quais vão ser os critérios de escolha dos convidados?

Bandas novas que se enquadrem no estilo musical do club, bandas que ainda não cresceram o suficiente mas que vão dar que falar no futuro.
DJ’s convidados com colecções de discos interessantes, que escrevam em blogs sobre música com os quais o club se identifica ou que promovam os seus próprios clubs lá fora. A ideia é passar velhas relíquias e coisas novas antes de se tornarem mainstream.

Podes dizer-nos o que tens planeado para as próximas edições?

A próxima festa vai ser no dia 13 de Janeiro (sexta-feira) nos Maus Hábitos. O convidado desta vez é o DJ Rory Phillips do club “Trash” em Londres. Um local que já existe desde os tempos em
que o Club kitten era em Londres…

Para quando material novo dos X-Wife?

Fevereiro de 2006.

Qual o título do novo disco? Vai seguir a linha do anterior ou vão haver novidades?

O título do álbum é “Side Effects”. A grande novidade é a entrada da bateria em quase todos os temas, deixando poucas músicas com a caixa de ritmos, tem menos electrónica que o anterior e a produção é muito mais cuidada. A voz também mudou um bocado…

Será que 2006 é o ano da confirmação nacional e internacional dos X-Wife?

Espero que sim. Nós vamos fazer por isso. Estamos muito satisfeitos com o novo álbum, achamos que fizemos um óptimo trabalho.

Como vês o estado da música nacional, particularmente a electrónica?

Razoável. Acho que hoje em dia, através da Internet, a música está ao acesso de toda a gente, há demasiadas coisas, as pessoas têm menos tempo para “ouvir” um álbum. Tem que se fazer algo de realmente interessante para competir com o que se faz lá fora.



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