Joaquim Albergaria | Entrevista

Joaquim Albergaria | Entrevista

Cinco minutos de conversa

Foram cinco minutos. Cinco minutos de conversa com Joaquim Albergaria, enquanto fazia uma tatuagem no área da EDP no NOS Alive! e já após a reunião dos Vicious Five. E é impressionante o quanto pode ser dito em cinco minutos de conversa.

Por esta altura não dava para perceber que palavras estavam a ser tatuadas na parte lateral e exterior das mãos do Albergaria. Para isso seria necessário esperar um pouco mais. A curta conversa abordou o ontem, o hoje e o amanhã, porque no fundo estão todos intimamente ligados e é dificil falar sobre o que se passou hoje, sem referir o que passou ontem e falar sobre o amanhã sem referir o que se passou hoje. Não há volta a dar. Aqui vai então, palavra por palavra.

Foi um momento histórico, no palco NOS. Como é que te sentiste, com o pessoal com que tocaste há anos atrás, que marcou um momento da tua vida, a cantar canções que já não cantavas há algum tempo?

Foi bastante emocional, não… dizer-te que foi na boa era estar-te a mentir. É esquisito… é um bocado esquisito porque as coisas sobre as quais nós cantávamos faziam sentido há 10 anos atrás, e algumas delas ainda fazem mas de uma perspectiva um bocadinho mais informada ou pelo menos mais… sei lá… já temos mais algumas experiências em cima daquelas que tínhamos e que nos mudaram. Então, elas faziam sentido para um puto de 20 anos, 22 , 23, na altura em que tínhamos todos a vida à nossa frente e era muito sobre isso, sobre essas possibilidades e tantas certezas que tínhamos e que nos davam aquela energia toda. Cantar isso outra vez, foi confrontar-nos com isso e confrontarmo-nos com quem eramos na altura juntos e com quem somos agora, separados. Isso cria emoções mas independentemente disso são músicas bué divertidas de tocar e somos amigos como sempre fomos dantes e acho que foi das melhores coisas que fizemos. Por causa disso, dessa amizade, acabámos, parámos de tocar. Costumamos dizer que a razão pela qual parámos de ser uma banda foi exactamente a mesma pela qual comecámos; porque gostávamos de fazer coisas juntos e não queríamos que isso deixasse de ser. Hoje obviamente que foi bué emocional e um choque geracional muito grande. Eu reconhecia os velhotes lá no meio, num mar de miúdos que não se lembra da internet connosco lá dentro, quer dizer…

E vai ser para repetir ou querem fechar o ciclo aqui?

Nós vamos fazer agora o Milhões outra vez e a ideia é acabar num clube, como começámos, ou seja, fechar o ciclo mesmo a sério. Ainda estamos a tentar perceber qual será o melhor clube para o fazer e sobretudo qual será a melhor altura, porque agora no fim do ano tanto o Sega, como o Bruno ou o Xinobi com a banda do Moullinex e eu com os Paus começámos as tours e os calendários começam a apertar… Mas vamos arranjar um bocadinho para fazer um concerto finalíssimo, de clube. Vamos comunicar mal saibamos quando e onde.

Num registo mais pessoal, fala-nos da tua colaboração com a Heineken durante o festival

Bem, com isto… Eu não sou festivaleiro. Quando vimos tocar, normalmente vimos cedo, tocamos e depois vamos embora porque ou temos concertos a seguir ou não é uma coisa em que haja muita energia para gastar e estar aqui a rodar. Esta é uma das primeiras vezes na vida em que eu realmente passo um festival inteiro num palco e isso é fixe, vi coisas fixes que não ia ver de outra forma. Depois…

[Por esta altura acabou de fazer a tatuagem e gosta do resultado. Depois de ver ao espelho e trocar algumas impressões com o tatuador, o Hugo Makarov, prossegue a conversa connosco]

Dizia-te… o que é fixe é isso… é estar a ver o concerto do princípio ao fim que é uma coisa que eu já não vejo. É uma coisa em que o pessoal que está de fora não pensa. Quem está numa banda não consegue ver o resto. É uma coisa de que a maior parte das pessoas não tem consciência. A vida de músico é esperar. Estás à espera… De fazer soundcheck, do avião, da carrinha, de ser a nossa vez de tocar, de ser a nossa vez de poder arrumar, de ser a nossa vez de sair e buscar a carrinha, esperamos mais do que qualquer outra coisa. Então, poder estar só a conversar e a ver um concerto é uma coisa bastante fixe e depois é bué fixe ver uma marca como a Heineken ter a confiança e dizer “não, deixa lá o barbudo ocupar-se do nosso instagram e meter aquilo que lhe apetecer”. É fixe, estou a portar-me bem. Deixa ver, também só começou agora…

Ah e no final podia-se ler numa mão “Livreza” e na outra “Bacanidão”.



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