Jobs

“Jobs”

Versão de Domingo à tarde

Here we go… A primeira película inteiramente dedicada ao principal responsável pelo enorme sucesso da Apple, Steve Jobs, chega agora aos cinemas. Não será, certamente, a única visão cinematográfica da vida de uma das pessoas que mais influenciou a época em que vivemos, mas tem a vantagem de ser a primeira a chegar às nossas salas. Serve, por isso, como primeira introdução à Apple e a Steve Jobs, tendo de ser encarada mesmo assim: como uma introdução.

Mas sejamos ainda mais directos: quem for com grandes expectativas para a sala de cinema, vai, com toda a certeza, sair desiludido. Este não é um filme de personalidade (apesar de ter, à partida, tudo para o ser)… é mais uma espécie de documentário de domingo à tarde, com alguns actores conhecidos, que pouco mostra do controverso Jobs que dá nome ao filme. O enfoque está nos factos: começamos com a apresentação oficial do iPod, o derradeiro ponto de viragem na história da empresa que nos deu produtos como o iPhone ou o Macintosh, e viramo-nos para o passado. Com a ajuda de alguns actores relativamente conhecidos em Hollywood, como Dermot Mulroney, James Woods ou Lukas Haas, passamos em revista a juventude de Steve Jobs, as suas filosofias de vida, a génese da Apple e os seus períodos mais negros. Sempre pela “rama” e sem grande atenção ao detalhe, ao contrário do que o próprio Jobs preconizava.

Ashton Kutcher foi escolhido para representar Steve Jobs e as semelhanças físicas são mais do que muitas. Nesse aspecto, diga-se, o filme não podia ser mais correcto: praticamente todos os actores escolhidos têm semelhanças palpáveis com a pessoa que encarnam e o trabalho de caracterização leva nota máxima. No entanto, basta Ashton Kutcher abrir a boca e lá se vai toda a magia… Ashton pode até parecer-se com Jobs, pode copiar os maneirismos, o sorriso, até a maneira de andar, mas perde-se na voz… e na falta de personalidade e emoção que, quando transpareciam, pareciam forçosamente ocas.

“Jobs” é uma boa descrição histórica de factos, uma espécie de guia prático do mundo complexo de Steve Jobs e da Apple para quem ainda não conhecia a sua história… Para quem já conhecia, serve um pouco como aquelas reconstituições de factos verídicos usadas nas séries de TV sobre crimes: a preocupação centra-se nas semelhanças estéticas e cronológicas e a representação fica-se por aí… Mesmo assim, há que dar a mão à palmatória e agradecer a Ashton Kutcher o facto de, pelo menos, ter tentado dar vida a Jobs, à luz de um argumento tão pouco brilhante. Poderíamos ter esperado bem menos de um actor pouco versátil como é Ashton, mas o jovem norte-americano conseguiu ser o mais razoável de um filme… razoável.

No final, ficamos a achar que Steve Jobs, se estivesse sentado na sala de cinema a assistir, não iria gostar do filme… Falta-lhe coragem, muita coragem, para arriscar e mostrar sem pudores os podres e os rasgos de génio desta personalidade controversa e dicotómica. Um filme demasiado politicamente correcto como este não consegue retratar nem de perto uma personagem que nada tinha de consensual.

Apesar de tudo, este é um bom repositório histórico para quem quer perceber a Apple e conhecer os factos históricos que levaram ao surgimento, apoteose, crise e renascimento de uma das maiores empresas do mundo. Quem quiser realmente conhecer o complexo mundo de Steve Jobs vai ter de esperar por uma próxima oportunidade (ou ler o livro).



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