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José Cid @ Aula Magna (01.05.2017)

A celebração de "10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte"

Sem qualquer abertura, à hora marcada e com temas novos. Foi assim que José Cid recebeu uma plateia em pulgas para ver tocado ao vivo um dos álbuns que mais marcou a música rock feita em Portugal, uns que viveram no tempo em que “10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte” foi lançado e outros que se interessaram por ir descobrir um dos mais afamados discos que já se fizeram por cá e perceber se de facto faz jus a tal falatório. Se estão por ali, é porque gostaram da experiência e assim os levou a curiosidade de como se fazem ao vivo todos aqueles sons.

Não era a primeira vez que Cid interpretava aqueles temas. Após uma enorme insistência de um vasto número de fãs para verem aquela história ao vivo, o seu pedido foi acedido há uns 3 anos, com uma mão cheia de concertos dedicados à narrativa do casal que se aventura num planeta longe da Terra. Mas, tal como o “Tio Zé” já tinha partilhado connosco, haveria uma pequena introdução no concerto antes de passarmos para a viagem ao espaço, numa forma de contextualizar o que foi o seu passado antes da edição do disco, e o que traz o futuro do lado de Rock sinfónico de José Cid.

E assim, após nos mostrar 3 temas do próximo disco “Vozes do Além”, recebemos «Onde Quando Como Porquê – Cantamos Pessoas Vivas», um tema escrito na altura do 25 de Abril. Foi aqui que nos deu a primeira vontade de questionar a escolha de um sítio com cadeiras. Uma música bem esgalhada e que quase nos atira para fora da cadeira. O som poderoso que ecoa daqueles músicos preenche bem toda a Aula Magna, que faz muitos pés baterem com força no chão. De seguida, ouvimos aquele que provavelmente será o seu tema mais longo e que, tal como Cid confessa, o mais interessante. «Falamos de Vida (Sons do Quotidiano)». Não foi tocado exactamente como foi gravado em estúdio, e ainda bem. As diferenças que houve foram para melhor, com teclados mais arrojados, vozes mais poderosas e um solo de guitarra que não fica a dever nada a muitos do David Gilmour. Percebem-se as influências e percebe-se o caminho diferente que se quis seguir ali. Todos os músicos que ali estão são enormes, gigantes. Mas não conseguimos deixar de destacar um (além do autor de toda esta música, claro). Gonçalo Tavares, sobrinho de José Cid traz consigo uma data de teclados um mais analógicos e antigos, com um som mais vintage, outros mais modernos e ir buscar o que a tecnologia nos trouxe hoje em dia (em 1978 com certeza que não haveria Macs ligados a teclados) à volta dos quais se rodeia criando um bunker a partir dos quais dispara as suas notas. Além de todos os teclados, Tavares canta de uma forma irrepreensível. Consegue ir àquelas notas altas, bem altas (que Cid já não consegue) com toda a força e sem falhar uma e sem nunca faltar o ar.

Depois disto, é nos dada uma pequena introdução ao álbum que todos queriam ouvir. Da sua narrativa, do seu contexto, do que é que o autor nos quis dizer aquando da sua gravação. E agora “Apertem os cintos, vamos partir para a viagem”. E ouvimos o acorde cortante d’«O Último Dia Na Terra». Com um som muito idêntico ao presente no disco, fomos ouvindo todas as músicas pela mesma sequência da listagem do álbum. Entre elas, Cid foi parando e contando a parte do enredo que o tema seguinte iria contar, quase como se estivesse a contar uma história aos seus netos. E além disso, foi agradecendo a todas as pessoas que o foram ajudando no seu percurso (muitas estavam mesmo ali presentes), sendo sempre muito detalhado na forma como o ajudaram. Todos os temas tocados sem qualquer falha perceptível (a qual se tivesse existido, não teria retirado qualquer mérito à execução de todos os que ali estavam no palco. Ninguém na plateia estava à procura da perfeição, mas sim das emoções que essas sim, foram bem transmitidas). Músicas que seguiram um registo bem mexido como «O Caos» e «Mellotron, o Planeta Fantástico» ou outras com um ritmo mais lento, e que o público ajudou a entoar, como a faixa-título do disco, com o refrão a ser entoado por toda a gente vezes sem conta. E finalizado o álbum, toda a banda agradeceu o aplauso em pé e recolheu aos bastidores. Mas claro, ainda ninguém ali estava satisfeito e continuaram a bater palmas, a assobiar e a bater o pé até o grupo voltar. E voltou.

Não havendo mais músicas ensaiadas, repetiram dois temas que com certeza ninguém se importou de ouvir pela segunda vez na noite. Primeiro «O Caos» e depois, claro, «10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte». Mais uma vez, o refrão sendo cantado até à exaustão. Toda a gente estava a bordo da nave. Toda a gente viajou com o casal forasteiro. Toda a gente queria continuar ali. O próprio Cid estava rendido a toda aquela entrega mútua. Tanto que, mostrou que a sua veia rock ainda está bem viva, tirando o casaco de ganga e a sua T-Shirt, exibindo-se metade de como o vimos naquela tão famosa foto do seu disco de ouro.



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