Journey PS3

“Journey” | Análise

Anteriormente disponível apenas na PSN a thatgamecompany (TGC)  trouxe no dia 28 de Agosto do ano passado a versão de coleccionador de Journey às lojas.

Vencedor de vários prémios de Jogo do ano e de cinco prémios Bafta (que incluem os de melhor design e música original), se não conhecem “Journey”, permitam-me que diga que este  é um must have para quem tem uma Playstation 3. Mas como transmitir-vos o porquê, como falar e analisar  um jogo que quebra, e tão bem, a receita dos jogos de hoje. Como analisar uma obra de arte em que os cenários (visualmente magníficos) são a tela e a música (igualmente sublime)  a alma que lhes dá vida. Esta análise foi para mim um desafio. E que agradável desafio.

“Journey” retrata, como o nome indica, a viagem do nosso misterioso personagem encapuçado, envolvido por um manto. Misterioso porque nada sabemos sobre ele, sabemos apenas para onde vai, ou melhor para onde tem de ir. Logo nos primeiros minutos em que começamos a controlar o nosso personagem, ao subirmos uma duna podemos observar ao longe uma enorme montanha de onde sai um feixe de luz brilhante. Mais do que o sentimento de “quero lá ir”, a forma como o nosso personagem parece reflectir enquanto observa a enorme montanha e o vasto mundo que tem de atravessar para lá chegar quase que nos transmite “é o meu destino ir para ali”. E é essa a história do jogo. Tão simples e brilhante como isso.

Os cenários que acompanham a nossa viagem (além de deslumbrantes) são vastos e variados e pedem que os exploremos, pois neles podemos encontrar vários segredos. Neles vamos encontrar puzzles para resolver, que nos vão permitir seguir viagem, símbolos brancos que aumentam o tamanho do cachecol do nosso personagem à medida que os vamos apanhando e ruínas antigas que relatam a história de uma civilização antiga, todas elas ilustradas de forma a que hajam inúmeras interpretações sobre o que terá levado ao seu desaparecimento.

Journey PS3

A jogabilidade é muito simples. Grande parte da nossa viagem vai ser feita a andar, no entanto se pressionarmos o botão X podemos voar por breves instantes e até chegar a pontos no cenários que à primeira vista pareciam impossíveis de alcançar. Sempre que damos um salto gastamos um pouco da luz do cachecol do nosso personagem, por isso é conveniente encontrar todos os símbolos brancos em todos os cenários, uma vez que fazem crescer o cachecol à medida que os formos encontrando.

Journey PS3

Se tivermos iniciada a sessão na Playstation Network podemos dar de caras com outros viajantes. Aí surgem as opções, Sigo viagem com este jogador? Será que lhe mostro os vários segredos que há para encontrar? (Aconteceu-me, e de facto mostrou-me quase, se não, todos os segredos. Thank you random person!!!) ou simplesmente seguimos viagem em separado, cada um a seu passo. Com outro jogador a nossa viagem fica mais fácil (se pensarmos bem podemos encontrar aqui uma metáfora), os puzzles resolvem-se mais depressa, os perigos não são tão ameaçadores, o nosso cachecol recarrega se estivermos juntos (parece que a união faz a força). É também com outros jogadores que o botão O realmente ganha sentido. Com o pressionar deste botão o nosso personagem emite vários sons, e esta é a única forma que temos de comunicar uns com os outros. Agradecer quando um jogador nos mostra um segredo, dizer para esperar devido a um perigo iminente, ou simplesmente simular uma espécie de cantarolar para animar a nossa viagem. Sempre os mesmos sons mas sempre diferentes significados e é fantástico como nos entendemos. Já agora uma curiosidade, sabiam que os sons do nosso personagem nunca desafinam com a música que está a passar?

A viagem de “Journey” é curtinha, quase duas horas se nos esforçarmos para encontrar tudo mas vale muito, muito a pena. Há também vantagens em repetir a viagem incluindo um novo fato para o nosso personagem que permite que o cachecol se recarregue sozinho, isto sem contar com os vários segredos que temos de descobir. “Journey” é um título tão simples como fantástico e é dos poucos jogos que é capaz de nos oferecer horas tanto de entretenimento como de reflexão.

Nesta edição de coleccionador estão também presentes os dois títulos anteriores da thatgamingcompany (TGC), “flOw” e “Flower”. Mesmo que sejam anteriores a “Journey”, não se iludam, têm aqui mais umas fantásticas horas de jogo. Em “flOw” somos um organismo numa biosfera aquática. Consumir outros organismos, mergulhar nas profundezas, evoluir é o que temos de fazer. “flOw” traz um sistema de ajuste de dificuldade dinâmico e faz com que o jogo se ajuste ao estilo e passo de cada jogador, o que nos permite acabar este título de várias formas diferentes. Em “Flower” assumimos o controlo do vento e ao interagir com toda a vida presente nos vários e vastos cenários que encontramos vamos dar vida e cor ao ambiente que nos rodeia.

flOw

Flower

Saibam que podem também encontrar nesta colecção a banda sonora destes 3 títulos (incluíndo a premiada banda sonora de Journey), mais 3 mini-jogos, um vídeo com o “making of” de Journeye e um vasto pack de conteúdo digital (com por exemplo temas, wallpapers, trailers e arte conceptual dos 3 principais títulos).

 



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