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Juan McLean @ Indústria

Merecia mais gente.

A Noite do Porto “está do melhor”. Somos bombardeados com esta mensagem que a Baixa portuense está mais cool que um jovem que não fuma, e muito é o negócio ou iniciativa a  capitalizar na coisa criando a ideia no consumidor que ser visto no coração da cidade depois das 22H  é o equivalente noctívago a usar uns Wayfarer, ou ver o email a partir de um iPhone. É neste cenário que reabre o Industria, histórico clube estrategicamente colocado na outra ponta da cidade, pelas mãos de Tó “DJ Vibe” Pereira e da sua-mais-que-tudo Merche Romero.

Interior totalmente remodelado, sistema de som de fazer inveja ao Lux e cabine de sonho para qualquer DJ, o Industria procura ainda um caminho claro no labirinto de eventos que constituem a identidade de um club, uma vez que na agenda que apresenta este mês, coexistem actuações tão distintos como a passagem do local-artist-ready-to-take-over-the-world Social Disco Club e “a DJ mais sexy de Portugal” (segundo a “Maxmen” em 2006).

Ainda assim e numa altura em que a noite portuense, contrariamente ao que diz o hype, vive uma fase de estagnação, o Indústria, com os seus parcos três meses de vida, já abriu as portas da cabine a nomes de peso internacionais como DJ Harvey e Danny Tenaglia. Existe ainda um ponto a referir neste Indústria renascido, que decerto estimula o romantismo de quem está nisto pela música. Apesar do elevado valor investido em equipamento e decoração, a publicidade aos eventos é quase nula – algo à primeira vista muito reminiscente dos clubes nova-iorquinos de 70 e 80, assentes sob um passa-a-palavra.  Ouve-se em formato boato, alguém comentar que ouviu falar de um certo DJ set, ou viu um flyer do club num sitio improvável –  E assim se vai sabendo das festas.

E foi o Indústria que serviu de pretexto a Juan MacLean (artista que assina pela Pixar da música de dança, a DFA, e autor da faixa de house mais feliz de sempre) para regressar uma vez mais ao nosso país. A abrir a noite o veterano Miguel Quintão animou o staff dos bares com faixas de Chromeo, Midnight Magic, Holy Ghost e dos compatriotas Mirror People e Social Disco Club, no que poderia ser considerado um best of do Nu-Disco dos últimos seis meses. Três da manhã e é a vez de MacLean subir para o booth, começando a sua actuação para uma pista vazia. Do Deep ao Tech, do French Touch ao Tribal, MacLean aderiu em força ao House, facto que não seria de estranhar considerando a linha de trabalho que tem mostrado.

O que se seguiu ali bem poderia ter sido a banda sonora de uma noite ideal, daquelas que só termina quando o dono do clubee desliga a luz no quadro eléctrico e obriga toda a gente a ir para o after hours mais próximo. No entanto, tal não se concretizou, já que os poucos presentes preferiram descansar as costas no bar, tendo apenas uma meia dúzia arrojada se aventurado na pista vazia.

Culpe-se por esta falta de adesão a Baixa , e os seus copos a preço de festa académica, a pouca divulgação do evento ou simplesmente o facto do twitter ser um veículo de informação pertencente ao passado (no qual MacLean escrevia nesta mesma noite “come by and drink some port”). Tratou-se, sem dúvida, de de uma  festa merecedora de mais público, já que apenas isto faltou para que se tornasse numa daquelas noites que são recordadas anos mais tarde.

Fotografia por Paulo Cunha Martins



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