julia_jacklin_lav

Julia Jacklin @ LAV (01.12.2022)

Primeiro dia de dezembro, frio, húmido, tal como a estação do ano promete. Nada disto demove quem se predispôs a ir até ao LAV, para ver e ouvir Julia Jacklin. A fila formou-se cedo, era fácil perceber logo que quem vinha, sabia bem ao que vinha e queria estar o mais perto possível.

Paulatinamente o agradável espaço do LAV foi-se enchendo, para um espetáculo que a própria Julia Jacklin anunciara pouco tempo antes no seu instagram, estar esgotado.  Sentia-se uma espécie de burburinho no ar, como se este momento já estivesse em antecipação há muito tempo.

Entrou de mansinho, apesar da retumbante ovação do público que, por esta altura, já enchia a sala, assim que os aplausos foram desvanecendo, imediatamente um jovem da primeira fila dispara “baby jesus”, quase sem deixar tempo para Julia Jacklin dizer que ía abrir com uma canção que tinha sido um dos muitos pedidos que recebeu por mensagens e que achou que era adequada à quadra. Lança-se a «Baby jesus is nobody´s baby now» sozinha, com a sua guitarra, e a promessa de um excelente concerto começa a ganhar corpo, logo ali.

Traz na bagagem três discos que documentam o seu crescimento, não só artístico como pessoal, processos que, ouvindo as suas canções com atenção ao que está a contar, compreendemos que se tornam indissociáveis. Reparte o set, acima de tudo em torno do mais recente “PRE PLEASURE” (2022) e “Crushing” (2019), ouvimos «Be Careful With Yourself», «To Perth, before the border closes» e «Love, try not to let go», que o público não falha em acompanhar.  Estão cansados, admite, é o último concerto de uma longa tour, mas ao mesmo tempo confessa-se feliz, a passar por um turbilhão de emoções, “feeling many feelings”, um suspiro profundo, um sorriso ténue e partimos para mais uma paragem. Se até aqui, entre canções havia espaço para troca de mimos com o público, daqui para a frente deixamos de parar em todos os apeadeiros e vamos vendo a paisagem mudar à medida que as canções se vão sucedendo, «Pool Party» e a soberba «Good Guy», a lucidez da solidão quase palpável, é-nos entregue com tudo a que temos direito.

Voltamos a “PRE PLEASURE” para ouvir «Moviegoer». «Body», deslizou pelo palco fora, de encontro ao coro de vozes que a acompanhava.  “This is a pop song”, anuncia Julia, antes dos primeiros acordes de «Lydia Wears a Cross».

Voltamos a “Don´t let the kid´s win” (2016), para satisfazer mais um pedido que lhe foi dirigido por mensagem. Refere que foram muitos os pedidos, e que seria um concerto demasiado longo para tocar todas as canções que lhe pediram, ao que, prontamente alguém responde do público “we have time!” e era essa a disposição geral.

Seguem-se «Don´t know how to keep loving you» e «I Was Neon», que abrem caminho a «Head Alone», acompanhada em uníssono por um coro convicto, “I don´t wanna be touched all the time / I raised my body up to be mine” atirado ao ar, alto e bom som. «Pressure to Party» surge, num encore fingido. Estamos a chegar ao fim da viagem, mas antes do desembarque, temos uma surpresa, Julia chama ao palco Erin Rae, que assegurou a primeira parte do concerto, para cantarem, em conjunto, «My Heart will go on», sim, isso mesmo, numa versão quase karaoke, completamente despretensiosa e descontraída.

Depois da estreia em Portugal, em 2019, no Vodafone Paredes de Coura, tínhamos expectativas bastante altas para o regresso da australiana ao nosso país, em nome próprio, numa sala mais acolhedora, e  Julia cumpriu, entregou um excelente concerto, a provar que podemos aumentar a fasquia ainda mais, porque ela promete muito.



There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This