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Junip

González e o seu trio.

Já todos conhecem José González. Todos conhecem aquela voz característica, aquele dedilhar de guitarra, aquelas letras. O cantor é, afinal de contas, já de renome internacional; algo perfeitamente compreensível, dada a qualidade da música que faz. Todos conhecem, portanto, José González… a solo. Não são tantos os que conhecem a sua banda, Junip, projecto do músico do qual também fazem parte Elias Araya (amigo de infância de González) e Tobias Winterkorn. A banda tem mais de dez anos (foi formada em 1999), e só agora lançou “Fields”, o seu primeiro álbum, que chega cinco anos após um curto EP de cinco músicas. O regresso demorou, mas aconteceu.

Foi um longo intervalo entre o EP e este álbum, e um total de dez anos sem que a banda alguma vez tenha lançado um LP. Um enorme período de tempo durante o qual, segundo o próprio González, a banda pouco ou nada fez: “Temos estado muito inactivos ao longo deste anos. Demos cerca de trinta concertos numa década, e lançámos um 7” em 2000 e o EP “Black Refuge” em 2005. Isto deve-se maioritariamente ao facto de termos estado a fazer coisas diferentes e de por vezes termos morado em cidades diferentes. Tenho estado muito em tour desde 2003 e por isso das poucas vezes em que tentámos gravar fomos um pouco lentos demais. Quando começámos a escrever este novo álbum decidimos manter o nome da banda, mesmo sendo toda a música nova e sendo grande parte das influências muito diferentes das de antes”.

A diferença é notória mal se começa a ouvir “Fields”. Foram cinco anos ao longo dos quais a banda cresceu, e o som está agora todo ele mais complexo, coeso e único. Se “Black Refugee” era uma promessa, “Fields” é essa promessa cumprida. E agora, vão finalmente começar a tocar ao vivo; e em Dezembro, chegam cá, graças ao Super Bock em Stock. “Agora que já andamos por aí a tocar, sabe mesmo muito bem”, diz González. “Algumas canções evoluíram imenso, e parece tudo mais dinâmico, agora que somos cinco em palco. Decidimos adicionar um percussionista e um baixista para podermos tocar as músicas ao vivo”.

“Fields” foi bastante bem-recebido de forma internacional, e a banda anda agora a tocar em diversos locais. Uma experiência que deve ser fascinante para um grupo que esteve parado durante cinco anos, principalmente quando dentro desse grupo (que é apenas um trio) temos dois membros com uma relação tão próxima quanto a de González e Araya. “Conhecemo-nos desde os sete anos, mas nem sequer penso nisso quando estamos a gravar ou em digressão. Só quando falamos do passado é que nos apercebemos de todo o tempo que já passou”.

A experiência entre gravar a solo e gravar com banda é, claro, diferente. Aliás, Junip não são apenas “González e Companhia”. São uma banda que faz música a três, cada um dando o seu contributo ao que se ouve no projecto final. Aliás, basta ouvir este álbum e qualquer um dos trabalhos de González para o ouvinte se aperceber facilmente disso. “Com a banda, escrevemos tudo juntos por isso as harmonias e os ritmos saem de forma diferente daquilo que sai quando estou a solo. No geral, é uma coisa mais libertadora, apesar de ter de fazer alguns compromissos na fase de produção”.

Os Junip regressaram e esperemos que, desta vez, com um ritmo de trabalho mais activo. Desejo esse que não é apenas nosso: “Sim! Espero bem que sim, e já conseguimos escrever algumas novas canções para uma futura edição, por isso não deve demorar mais que um ano ou dois”. Esperemos que seja mesmo assim. Demoraram a regressar, mas quando o fizeram, fizeram-no na perfeição. Agora, que não nos voltem a abandonar; um terço deles andará sempre por perto, mas um terço não é o mesmo que o todo. Por cá, o reencontro obrigatório está marcado para Dezembro. Que seja, esperamos nós, o primeiro de muitos.



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