Kanye West

Uma estrela caída do céu.

Não interpretem mal o título. Não vai no vulgar sentido da desgraça, mas no de sucesso. Passo a explicar. Na passada noite de 17 de Julho, segunda-feira, “uma das cem pessoas mais influentes do mundo” (in Times Magazine) veio até Portugal, mais propriamente ao Jardim do Marquês de Pombal, em Oeiras. Se dúvidas houvesse de que Kanye West era melhor produtor do que artista (minhas incluídas), estas desvaneceram-se em fumo.

Com apenas dois discos a solo editados, Kanye West é o que se pode chamar de rei entre o hip-hop. As produções que realizou antes da edição do seu próprio trabalho já o haviam tornado uma referência no meio musical, trabalhando com nomes como Jay-Z ou Talib Kweli, entre muitos outros. Mas a sua ambição exigia-lhe mais de si próprio e, para benefício de melómanos um pouco por todo o mundo, ainda bem que assim foi.

O concerto a que os portugueses tiveram o prazer de assistir começou com a presença de quatro violonistas, duas violoncelistas, uma harpista, dois backup singers e a grande revelação que é A-Trak (em Agosto temos oportunidade de o ver no Clube Mercado). Os primeiros acordes fizeram-se sentir e Kanye surgiu em palco disparando com «Diamonds from Sierra Leone», faixa incluída no seu último trabalho, “Late Registration”.

Perante um público desde logo rendido, que erguia as mãos em reprodução do símbolo que caracteriza a faixa, o ritmo do concerto ficou imediatamente ditado e «Heard’em Say» foi apenas uma pausa para se retomar o fôlego antes da bomba que é «The New Workout Plan», de “The College Dropout”. No final, o primeiro momento (de muitos) hilariante, com «Sweet Dreams» dos Eurythmics a fazer-se ouvir em Oeiras. Nova nota positiva para A-Trak, que parece ter nascido para a arte de turntabelism.

Comunicativo e com a “pose MTV elevada ao quadrado” deixada nos E.U.A., Kanye é um verdadeiro entertainer e está tão seguro da sua música que não receia interpretar temas de outros em palco, seja por gozo ou não. Com o final de «Drive Slow» surgiu a base musical de «Eleanor Rigby», dos Beatles, e a reinterpretação daquela que é uma das faixas mais ouvidas actualmente, «Crazy» dos Gnarls Barkley, em versão suportada pelos violinos e restante conjunto de cordas.

Kanye West pode parecer um arrogante na sua extrema confiança. Mas a verdade é que tem razões de sobra para o ser e fez questão de as dar a conhecer. Durante cerca de quinze minutos, apresentou-nos vários temas por si produzidos, alguns dos quais não são tão fáceis de associar ao seu trabalho como outros. Ouviu-se então Jay-Z, a solo e em versão mash-up com Linkin Park, ou Alicia Keys, entre outros temas de sua autoria.

O concerto seguiu novamente de uma forma tão coerente como arrebatadora, com «Gold Digger» a ter início com um sample da versão original (de Ray Charles) e a arrancar uma das maiores participações do público. Era novamente altura para se fazer ouvir temas de artistas tão improváveis como Michael Jackson ou A-Ha, com este último a arrancar risadas de toda a audiência (alguém consegue esquecer a imagem de Kanye a dançar desalmadamente?).

Pausa obrigatória para o encore e o concerto recomeça com «Jesus Walks», uma das mais potentes faixas do seu primeiro registo. Em jeito de conclusão, uma tentativa de mostrar que é humano e, naturalmente, erra. Não que tenha convencido muita gente, Kanye saltou do primeiro refrão de «Touch The Sky» para os acordes finais e parou o espectáculo para dizer que se tinha enganado (major fuck up foi mesmo a frase) e que queria recomeçar do início… de todo o concerto. Depois de se voltar a ouvir parte de « Diamonds from Sierra Leone», o final impôs-se com «Touch The Sky» a colocar todas as mãos no ar já em jeito de despedida.

Esperemos que não por muito tempo.



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