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Keane @ Coliseu do Porto (25.01.2020)

Em resumo o frio exterior que Tom Chaplin várias vezes referiu contrastou sempre com o ambiente caloroso que se viveu no interior do Coliseu do Porto que foi pequeno demais para tanta emoção coletiva.

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Os Keane percorreram memórias do passado e apresentaram ao vivo os temas do novo álbum “Cause and Effect” e a julgar pela reação calorosa do público presente, é um sinal inequívoco que a banda britânica continua a dar cartas no panorama musical.

A banda de Tom Chaplin, Tim Rice-Oxley, Jesse Quin e Richard Hughes sempre teve uma ligação especial com o público português e imagem disso mesmo são as várias passagens da banda pelo nosso país. Duas horas antes da abertura de portas do Coliseu, na longa fila que já se formava na tentativa de aceder aos melhores lugares, era possível perceber, que além dos que “jogavam” em casa havia uma presença bastante significativa de fãs da banda que vieram do Reino Unido e de Espanha. Como o concerto já se encontrava esgotado há bastante tempo não se tratou de um ato espontâneo de alguém que estava em turismo no Porto mas antes de alguém que fez do evento o motivo principal para se deslocar à cidade invicta.

Abertas as portas às 19h, não demorou mais de 30 minutos a que a azáfama que se vivia no exterior do Coliseu passasse para o seu interior que a determinada altura pareceu demasiado pequeno para tanta gente. Quando todos se acomodaram fosse nos lugares sentados, fosse na plateia em pé onde por norma cabe sempre mais um, foi possível perceber que não havia espaço para mais ninguém.

Às 20h, como previsto, subiu ao palco Eliza Shaddad que não desperdiçou a oportunidade de atuar perante uma casa cheia e fê-lo de uma forma bastante segura e competente em 40 minutos de espetáculo onde apresentou, entre outros, temas como «Waters», «My Body» e «Just Goes to Show». Apesar de desconhecida para a maior parte dos presentes, não desiludiu e foi bastante ovacionada durante a sua atuação deixando “good vibes” no ar para os senhores que se seguiam.

20:40h, era tempo de afinar os últimos pormenores em palco e o público mostrava ao que vinha e ao mínimo sinal de “vida” nesta zona do recinto logo começavam as palmas, assobios e os gritos efusivos pelo nome da banda em jeito de convite para esta entrar em cena. E não tardou mais que 20 minutos para que os Keane se apresentassem e fossem recebidos com uma forte ovação para uma maratona de mais de duas horas quase sem pausas, marcado por muita energia, diversão, emoção e extrema cumplicidade com o público presente.

A abrir o tema do último álbum, «You’re Not Home» num tom mais intimista quase a tocar o género indie, com Tim Rice-Oxley a transportar a banda num ritmo em crescendo que parecia querer embalar o público para o muito que havia para vir. Tom Chaplin a ser de imediato “bombardeado” com ramos de flores e uma bandeira portuguesa que logo foi “hasteada” no suporte do microfone de onde não sairia mais até ao final do espetáculo para gaudio dos portugueses que em maioria preenchiam o recinto. No final do primeiro tema primeiro contacto com o público com algumas palavras de agradecimento em português e para fazer menção, que viria a repetir mais duas vezes, ao frio que se fazia sentir em Portugal “De todas as vezes que estive em Portugal nunca esteve tanto frio”.

Seguiram-se «Day Will Come» e «Silence by The Night» do albúm “Strangeland” de 2012 e o público já se deixa “levar pela mão” por Tom Chaplin para mais à frente, em «Everybody’s Changing» a que seguiu «Is It Any Wonder?», explodir num frenesim de alegria que deixou bem claro que apesar dos novos temas serem bem aceites e conhecidos de muito dos presentes, ainda são os temas mais antigos, por norma entoados em uníssono, que levam o Coliseu à loucura.

Para acalmar um Coliseu em ebulição segue-se a balada «Strange Room» que faz parte do novo trabalho e que levou os presentes a empunhar os telemóveis em substituição dos proíbidos isqueiros produzindo um efeito de luz e de ritmo digno de nota.

Pelo meio, tempo para recordar os tempos em que estando sem dinheiro a banda se “refugiou” em casa dos pais de Tim Rice-Oxley onde ensaiavam compulsivamente e onde os referidos progenitores, que estavam presentes na sala do Porto, serviam de críticos musicais que iam reagindo aos diversos temas criados pela banda com uma crítica acutilante e sincera que foi melhorando dia após dia.

«You Are Young» mereceu um longo ensaio de preparação inicial entre a banda e o público que começou por “acelerar muito” mas que acabou por acertar no ritmo e no final foi a banda a ser surpreendida quando, após o final da música, o público continuou a entoar de forma espontânea o que haviam ensaiado levando um Tom Chaplin visivelmente emocionado e surpreendido pelo momento a sentar-se e a desfrutar do momento. Esta foi, caso fosse necessária, a prova cabal da cumplicidade total entre os Keane e o “seu” público.

«Bedshaped» e «Somewhere Only We Know» tiveram honras de fecho inicial e no segundo tema Tom Chaplin deu o protagonismo ao público virando o microfone e deixando que fossem estes a cantar saindo de seguida do palco debaixo de uma ovação ensurdecedora a que se seguiu o habitual “apelo” ao regresso da banda com o público a trotear em uníssono o refrão de «Seven Nation Army» dos The White Stripes.

Era inegável o público queria mais e os Keane também pelo que o seu regresso foi imediato e em jeito de encore começaram pela «Hamburg Song» com a explicação de Tom que alguém na plateia passou toda a noite a pedir esta música e que apesar de não a tocarem há muito tempo não podiam dizer não a este pedido. Seguiram-se «Chase The Night Away», «Crystal Ball» que iluminou por completo o Coliseu dando um ar mais espacial ao “ovni” que marca o centro da cúpula da sala do Porto e por fim «Sovereign Light Café» que começa com “I’m going back to a time when we owned this town” não deixando duvidas que esse tempo tinha sido nessa mesma noite marcada por 26 capítulos(temas) de uma cumplicidade extrema entre “amigos”.

Em resumo o frio exterior que Tom Chaplin várias vezes referiu contrastou sempre com o ambiente caloroso que se viveu no interior do Coliseu do Porto que foi pequeno demais para tanta emoção coletiva.

Texto por José Graça e fotografia por Maria Inês Graça.



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