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Kings, Queens and Lovers

Um abordagem pós-moderna dos modos de representação.

Em itinerância até meados de Fevereiro próximo, a instalação de vídeo “Kings, Queens and Lovers”, de Noëlle Georg e Joana Dilão, com a participação de André E. Teodósio, Letícia Liesenfeld, Miguel Loureiro e Paula Sá Nogueira, “resulta de um processo de pesquisa e experimentação que teve como objecto um conjunto de reflexões e inquirições, de diversas fontes, sobre o cinema e as suas grandes rupturas”.

Um homem e uma mulher; ele de rosto grave, ela jovem e bela, vestidos com trajes sumptuosos, que lembram as cortes renascentistas, sobem, solenemente, as escadas da estação de metro da Quinta das Conchas. Contrastam  de imediato com a paisagem suburbana em seu redor, tornando explícita a teatralidade da situação: eles são personagens; eles são actores e estarão, obviamente, a representar.

No entanto, em “Kings, Queens and Lovers”, não existe enredo para representar. O rei e a rainha limitam-se a estar, a caminhar pelas ruas do Lumiar. Falam um com o outro, mas o diálogo é apenas retórico. Discursam sobre si próprios, sobre a sua condição enquanto actores, sobre a sua condição enquanto personagens, sobre o espaço que os rodeia enquanto cenário, sobre o movimento enquanto acção…

Um homem e uma mulher; ambos aparentemente contemporâneos, conversam num café. Parecem íntimos – talvez sejam os amantes- , porém o seu confronto não se prende num discurso amoroso. Inesperadamente, também estes decorrem em torno das condições da representação.

De uma forma simples e clara, “Kings, Queens and Lovers” apresenta ao espectador uma reflexão sobre o dispositivo cinematográfico. No vídeo surgem elementos constitutivos do universo da representação (a personagem e o cenário) desprovidos de uma narrativa que os justifique, desmascarando, assim, a personagem enquanto actor e o cenário enquanto local e  jogando com a dialéctica ficção/realidade.

Noëlle Georg e Joana Dilão construíram o texto de “Kings, Queens and Lovers” a partir das perspectivas de vários pensadores e cineastas de uma forma inteligente e sem correrem o risco de cair em pretensões conclusivas.

O título, retirado de uma cena de “Le Mépris”, de Godard, denuncia, talvez, uma influência mais pertinente do realizador francês, que se manifesta também nas escolhas formais de captação da imagem. No início de “Le Mépris”, Godard cita Bazin, afirmando que “o cinema apresenta ao nosso olhar um mundo em harmonia com os nossos desejos” . “Kings, Queens and Lovers”, empreende a desconstrução dessa mesma auto-ocultação do real a que nos permitimos na experiência do cinema. Trata-se de uma abordagem pós-moderna dos modos de representação, reflectindo sobre as suas virtudes e fragilidades.

A projecção do vídeo prolonga-se numa instalação que mimetiza uma sala de cinema real e convive com instalações dos artistas plásticos Vasco Araújo (montra do Cão Solteiro), Tanja Martinho Alves e Sylvain Mérot (montra da Galeria Pequena) e ilustrações de Ramiro Guerreiro e Rita GT.

Kings, Queens and Lovers pode ser visto até 13 de Dezembro no Cão Solteiro, sendo ainda exibido no início de 2010 em Frankfurt (Galeria Pequena) e Cagliari (Crobu.inc), de 23 a 30 de Janeiro, na Embaixada Lomográfica do Porto e de 6 a 14 de Fevereiro, no Camone, na Quarteira.



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