“La tour est folle”

“La tour est folle”

"Entre a pornografia e a sexualidade reprimida, há um espaço magnifico, feliz, lúdico, democrático, que humaniza as pessoas, que eu espero difundir através desse símbolo vertical"

Este ano em Paris o verão foi curto mas escaldante!! Pelo que dizia-se que a meteorologia teria enlouquecido. Afinal viemos a descobrir que, não foi só o tempo que se fez sentir que extrapolou os termómetros mas também a já tão conhecida e famosa, Torre Eiffel. Isto é, “La tour est folle”, não seria apenas uma alusão aos valores elevados que se fizeram sentir esta época estiva, na cidade das luzes mas sim um novo sextoy, criado por Sebastien Lecca, onde poderemos ver toda a informação no site www.latourestfolle.com, onde existe uma versão em português, uma vez que os nossos irmãos brasileiros, gostaram tanto da ideia que não pararam de falar sobre a mesma assim, que saiu. Nós, que também temos este bichinho da curiosidade não perdemos tempo e fomos ao encontro de Sebastien para investigar como é que a Torre Eiffel enlouqueceu e como poderíamos nós enlouquecer com ela.

RDB – Bom dia Sebastien!

SEBASTIEN – Bom dia! Sou um artista autodidacta e agora fabricante de um sextoy. Este sextoy vai buscar a forma do monumento nacional francês e para resumir eu sou um empreendedor, artista autodidata. Nasci no Perú, mas cresci em França e eu gosto de tocar a tudo, na escultura, na pintura, a bijuteria, a street art, pelo que depois de um momento eu pus em acção um processo para fabricar, um objecto decorativo e que por vezes pode também ele ser útil, como objecto de prazer, 100% made in France, que célebre em qualquer parte uma visão positiva da sexualidade. Entre a pornografia e a sexualidade reprimida, há um espaço magnifico, feliz, lúdico, democrático, que humaniza as pessoas, que eu espero difundir através desse símbolo vertical.

RDB – Fala um pouco mais sobre ti, o teu percurso, como é que aqui chegaste, para quem te vai ler e que não te conhece.

SEBASTIEN – Bem o meu percurso, eu era assistente social, porque é essa a minha formação de base.  Senão eu sou eu pintor desde sempre, em 1991 eu decidi expôr o meu trabalho e aí entrei num mundo mais profissional, podemos assim dizer. Depois, rapidamente eu saí dos quadros, por assim dizer, afim de criar algo maior, um pouco mais complexo, com outros materiais, como uma instalação plástica urbana em que embalei as árvores em vários locais de Paris, no parque de La Villette, no jardim do Luxemburgo, o Centro Pompidou e para cúmulo da sorte, eu cheguei mesmo a escrever ao presidente da república na altura, Nicolas Sarkosy, para que ele acolhesse esta instalação nos jardins do Palácio do Eliseu para a grande festa do 14 de Julho de 2007, e ele aceitou. Et voilá!! Esta foi a minha primeira grande experiência, fora do quadro e no espaço urbano. Depois desenvolvi um projecto baseado no símbolo do feto, que eu desenho como uma Tag, em Londres, em Paris, que se torna em escultura, bijuteria, T-shirt’s, isso permite-me trabalhar em vários suportes porque eu gosto de tocar em tudo. Não somente a pintura, mas trabalhar com tudo! Portanto através deste símbolo, do feto, eu espero convidar todas as pessoas a reflectirem sobre a questão de “Quem somos nós?”, nós os humanos,  animais dotados de uma consciência, será que a utilizamos de uma forma criativa, criando  um mundo melhor ou será que nos remete a crenças que nos levam a uma destruição da natureza, dos tubarões, das abelhas e por fim de nós mesmos.

RDB – E no meio de todas estas ideias como surge este novo projecto?

SEBASTIEN – As minhas questões principais são questões universais como a vida, a morte, o amor, o sexo, a relação com os animais. Assim a sexualidade é uma das grandes questões universais a par da vida, do amor, da vida, da morte, do sexo, de todas estas grandes questões.  Eu como artista, gosto bastante de tratar das questões universais é então uma forma alegre, bem disposta, lúdica e mais ou menos forte que eu encontrei para falar da sexualidade.  É uma ideia poderosa porque é uma ideia que tem um impacto no cérebro, nos espíritos, porque é uma ideia evidente com um processo de concretização complicado. Foi preciso encontrar uma fábrica, criar uma empresa.

RDB – Tu disseste á pouco, seres metade peruano e metade francês. Achas que isso te dá vontade de explorar mais tipos de expressão artistica, em vez de seguir o lado conservador que existe aqui em França, em ser apenas pintor, escultor no sentido estrito das belas artes, ou segues um caminho já no sentido do artista pluridisciplinar?

SEBASTIEN – É verdade que para mim a questão da mestissagem é para mim, uma questão central do método, na qual o universo avança. Então não vejo por que razão nós escaparíamos a essa metodologia de criação inevitavelmente por mestissagem, nós somos inevitavelmente múltiplos, constituídos por milhares de células, nós somos pais de familia, marido, amante, presidente de um clube desportivo, trabalhador, nós somos múltiplos e assim não existe nehuma razão para ter um só papel social, uma só função social. Nós somos extremamente complexos, feitos de milhares de fachadas, de milhares de memórias, emoções, sentimentos, nós somos mestiços, pois a mestiçagem é a mistura e é a maneira pela qual nós criamos e isso é uma verdade. Depois nós temos ou não consciência disso. Ou alimentamos essa multiplicidade ou ela faz-nos medo e nós rejeitamo-la, mas é verdade que como eu nasci no Perú, quando cheguei a França pequeno ainda , mas já em criança tinha consciência de que possuía um tesouro, de ter qualquer coisa, não a mais mas qualquer coisa que em todo o caso, para mim era uma mais valia, porque eu era feliz de não ser somente francês, de ter um outro horizonte, de ter uma outra cultura, e depois pelo resto eu sou auto-didacta. Eu não sou formatado e por isso mesmo eu autorizo-me a fazer o que quero.

RDB – Sim, porque a “La tour est folle”, é uma mistura.

SEBASTIEN – É uma mistura de várias coisas, efectivamente. É uma mistura sem dúvida de uma ideia evidente, talvez mesmo na sua origem quando foi criada, as pessoas tenham dito “mas isso é um orgão sexual, é orgão sexual de Paris”, Será então uma mistura de sonho, de um inconsciente colectivo, e de alguém que realizou, que o materializou. é sem dúvida uma mistura da visão de um peruano sobre a Torre Eiffel, talvez. É também uma mistura do meu segundo nome, que é Gustavo, pois o meu nome é Sebastien Gustavo Lecca. Então o nome do meu bisavô francês, a minha mãe deu o seu nome, felizmente, mas sem qualquer dúvida ele serviu-me de inspiração. (Risos)

RDB – Neste momento como se processa a difusão do teu projecto? Tens sido bem aceite?

SEBASTIEN – Nós fomos imediatamente bem recebeidos quando o projecto sai de fábrica, por volta de fevereiro, recebeu felicitações e elogios da parte de todas as pessoas. A imprensa diz “Que é magnifico“, “é o novo sextoy made in France” “Mas que bonito!”,Que bela ideia, que boa ideia!”, “ E bravo!!”. Foi isto que diziam, não houve ninguém que tenha dito ou diga que fosse mau ou que não tinha valor. Todos estão contentes.  No Brasil, há mais de cinquenta artigos de jornais que saíram nos primeiros quinze dias, foi um verdadeiro “buzz” no Brasil, nos principais jornais.  Há artigos em Taiwan, até em Marrocos.

“La tour est folle"

RDB – Uau!!

SEBASTIEN – Sim em Marrocos, é sem dúvida a primeira vez que existe um artigo sobre um sextoy, há artigos na Rússia, na Alemanha, nos Estados Unidos, no Japão. E isso foi tudo nos primeiros cinco meses, que globalmente com o meu sócio, nós somos verdadeiramente encorajados a continuar e claro quando há cinquenta artigos no Brasil, dizemos que é absolutamente indispensável de vender a “La tour est folle” ao Brasil.  Assim, nós somos já em contacto com os fabricantes e com as empresas do mercado erótico, no Brasil. Que estão organizadas já desde há algum tempo a esta parte e nós criámos agora a associação “Plaisir de France”(Prazer de França), que é a associação de fabricantes  de objectos de prazer made in France. Já estamos em contacto com as associações do Brasil e de qualquer forma nós vamos exportar a nossa torre, mesmo com 70% de imposto, venderemos ao Brasil.

RDB – Mas é dificil neste momento em que apenas se fala da crise e mais crise. É muito audaz preparar um produto made in France, quando temos a China, por exemplo, que é um forte concorrente com os seus produtos em que as encomendas são no minímo de dez mil e em que não se paga quase nada.

SEBASTIEN – A crise no nosso sistema económico é normal, pois o nosso sistema é fundado em questões que não servem em crenças que não funcionam. A verdadeira crise é aquela que nós estamos a criar, que é a crise ambiental, quando não existirem mais tubarões, quando não existirem mais abelhas, aí estaremos perante uma verdadeira crise e  os nossos  problemas económicos vão-nos parecer verdadeiramente ridículos. Como tal, há uma parte de ilusão, o universo cria-se de qualquer forma não existe qualquer razão para que nós paremos de nos criarmos, mesmo quando a televisão fala de crise e mais crise, que é que nós fazemos, deixamos  de viver???   (Risos)  Não, não, é preciso continuar. Nós não ligamos à crise, é preciso continuar, avançar, como se diz no Brasil, “on y va” (nós vamos em frente). E depois de qualquer forma, a sexualidade é algo sagrado, magnifico, maravilhoso. É a obra permanente do universo, o prazer, a alegria, a espiritualidade que é encarnada pela verticalidade deste monumento, tudo isso é anti-crise. (Risos)

RDB – E para quando a “La Tour est folle” em Portugal?

SEBASTIEN – Eu estou já em contacto com uma empresa protuguesa, cujo nome não me recordo neste momento, eles foram contactados e estam a reflectir.

RDB – Tu pensas que de todos os mercados com quem já falaste quem pensas ter o espirito mais aberto?

SEBASTIEN – Aí manifestamente, vista a recepção que nós tivemos é o Brasil, tivemos uma super recepção ali, mas eu penso que os japoneses que estão menos ao corrente  do que os brasileiros porque a imprensa japonesa falou menos sobre este projecto, vão também eles de qualquer forma ficar maravilhados, surpreendidos e acolhedores. Na Alemanha, na Rússia, nos Estados Unidos, vai também agradar bastante, sem dúvida, bem como na América latina. É graças á Torre Eiffeil, é graças ao monumento histórico que nos faz uma publicidade magnífica. E nós, eu e o meu sócio, esperamos vender bastante para podermos reverter ao monumento histórico em França, 1% das nossas vendas, afim de ajudá-los.  Nós estamos já em contacto com uma associação no Brasil, que faz a prevenção dos comportamentos de risco, sobre a sexualidade, porque temos esperança de dar a torre para que os jovens possam aprender a pôr preservativos e apoiá-los. Nós esperamos ser úteis, e propôr uma outra forma de ver a economia, nós não somos obrigados a expremer, pressionar o comercial, nós podemos pagar-lhe correctamente, dividir e criar um sistema económico que caminhe a longo prazo. Porque senão vamos todos morrer com os tubarões e as abelhas.

RDB – Nós falámos osbre o lado erótico, do sextoy, mas e o lado artistico? Como se processa o contacto com as galerias, os museus. O que é que pretendem fazer?

SEBASTIEN – É verdade que se eu fora um industrial, tê-la-ia feito na china e teria pensado em margens e que entrariamos por toda a parte.

RDB – Mas isso é o velho modelo da economia que está neste momento em crise. Que está esgotado.

SEBASTIEN – Este sistema é caduco. Eu sou um artista. Antes de mais eu sou movido pela ética, pelo espirito da poesia, por uma visão! Portanto, é através dessa visão da sexualidade que não é absolutamente aquela dos artistas, mas é a dos seres humanos, Voilà uma bela visão. Os poetas ou eu como artista é verdade que tenho vontade de partilhar essa visão. E depois como artista eu não digo não a nada, quero dizer com isto, que se eu quiser fazer uma escultura eu pego no sizel e no martelo, no caso de ir fazer uma instalação crio um dossier, um site na net, uma câmara, faço um video, e se eu quiser fazer um sextoy em forma de torre Eiffel, made in France, agarro no meu telefone ligo a um industrial, crio uma empresa, gasto todo o meu dinheiro e meto mãos à obra, crio-o.  Portanto, isso faz parte do mesmo processo criativo. Se for verdade que à priori há uma imagem poética, que é uma ideia absurda irracional…

Sim é sempre irracional. Eu desejo ser cantor, Voilà! (risos) Eu sou, eu sou… Voilà! (risos) Isto é a base de toda a subversão, de toda a liberdade de toda a criação e que nós sejamos consciêntes ou não é a mesma coisa. De forma rigorosa, eu como artista, tento ir até ao fim das minhas ideias e o meu “eu sou“, eu desejo ser isto ou aquilo, eu di-lo-ei até ao fim.

RDB – Mas as galerias e os museus, eles contactam-te, tu contacta-los? Qual é o feedback que te dão?

SEBASTIEN – Há os que me contactaram, há também os que eu contactei. No caso do Japão, por exemplo, fomos nós que os contactámos e eles acharam a ideia magnifica. Vamos contactar o museu do erotismo no Brasil, o museu do sexo em Nova York. No caso do museu do erotismo, em Pigalle, naturalmente a “La tour est folle” já lá está em exposição. Esperamos também muito em breve fazer torres Eiffel em tamanho gigante, de acrílico brilhante, com uma garantia de trinta anos para o exterior, que será o modelo de exposição, para as galerias e para as fundações.

RDB – Preferes mais as galerias privadas/comerciais ou as galerias que explicam a obra e o artista?

SEBASTIEN – É verdade que as galerias que têm um galerista que está por detrás de uma secretária e que te cumprimenta de uma forma taciturna. Um galerista deverá poder falar da poesia e das obras da sua dimensão abstracta das obras que ele recebe não se trata apenas de um quadro sobre um fundo branco.  É uma visão do mundo, o galerista que não é capaz de falar dessa dimensão abstracta, poética, sensível, do trabalho do artista e nos recebe de forma taciturna… É claro que eu prefiro contactar com pessoas vivas, que vibram que são alegres positivas. Eu não peço ás pessoas de serem cultas, mas de terem uma inteligência natural e espontânea, de coração. E por isso, há efectivamente galerias, mas de resto como em todos os meios há pessoas que se levam demasiado a sério e depois há pessoas que se levam a sério, mas que sabem continuar a serem humanos.

RDB – Exactamente! Quais são os projectos para o futuro? Com tod este trabalho que tens em mãos…

SEBASTIEN – Bem tudo esta á apenas a começar, há que desenvolver a “La tour est folle“, durante três, quatro, cinco anos. O objectivo é de fazer um objecto emblemático, como o patinho, por exemplo. Verdadeiramente, torná-la um objecto emblemático. Este é um dos objectivos, mas também que seja vendido no Brasil, no Japão, nos Estados Unidos, na Rússia, por todo o lado. De fazer um modelo pequeno, um modelo grande, um modelo luminoso, um modelo que vibre, mas não com um modelo chinês. Neste momento estamos em negociações com um industrial para fabricarmos um novo motor com uma nova tecnologia, que permitir-nos-á de ultrapassar os modelos chineses e que será 100% made in france.

RDB – Achas que será possivel…?

SEBASTIEN – Iremos saber dentro dos próximos 10 a 15 dias. Findo este prazo se o industrial nos diz ser possível, nesse momento nós criamos o protótipo. Com tudo isto nós temos três anos de trabalho ainda pela frente, mas depois com certeza terei outros projectos. Desde já o projecto com o Fetus é um projecto que é para propagandear por todo o lado, no planeta. Sobre todas as formas e suportes.  Fazer Fetus, monumentais nas rotundas chinesas, de fazer os Fetus nos desertos. Fazer Street Art e fazer os Fetus por todo o lado em todas as capitais do mundo, para fazer passar a minha mensagem, através da minha utopia eu espero participar no despertar das consciências. Bem essa é a minha utopia e é por isso que quero propagar o símbolo do Fetus até á lua. E porque não? (risos)

RDB – Nós esperamos encontrar-te em breve em Portugal, seja pelo salão erótico seja por outro qualquer evento que se realize e que conte c a tua presença.

SEBASTIEN – Eu irei fazer os meus Fetus a Portugal, isso será inevitável,

RDB – Benvindo!!

SEBASTIEN – Também irei comercializar a minha “La Tour est folle” em Portugal certamente. E depois irei disfrutar desse belo país e isso sim de uma forma ainda mais inevitável.

RDB – Fica então aqui o convite e despedimo-nos com um até já.



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