Laibach

Após 25 anos do seu início de carreira, os eslovenos brindam Portugal com uma actuação no Hard Club a 22 de Maio.

Pela primeira vez em Portugal nos seus 25 anos de carreira, os eslovenos Laibach actuam no Hard Club, no Porto a 22 de Maio. O colectivo, que foi classificado como fábrica e não uma banda pelo já desaparecido John Peel, vem assim demonstrar porque é um dos grupos cujo trabalho tem influenciado centenas de outras bandas. Na bagagem trazem um espectáculo multimédia grandioso e arrojado, numa revisita pelos inúmeros clássicos da banda, interpretação acompanhada pelos filmes projectados na tela que acompanhará toda a performance.

Os Laibach nasceram em 1980 na pequena cidade mineira de Trbovlje da Eslovénia, então uma república da Jugoslávia, algo que desde logo não agradava ao colectivo. Desde cedo provocaram o Estado com as suas aspirações de independência, o que originou a proibição do uso do seu nome e a expulsão do país. Esta interdição do uso do nome Laibach obrigou a que a capa do primeiro álbum do grupo não ostentasse nenhuma inscrição mas apenas uma cruz negra, símbolo que se tornou na imagem de marca da banda.

A sua primeira digressão europeia, “Occupied Europe Tour”, surgiu em 1983 acompanhada pela banda britânica Last Few Days e foi um autêntico sucesso, abrangendo 16 cidades em 8 países. Em 1984, os Laibach fundaram a Neue Slowenische Kunst (Nova Arte Eslovena), um colectivo de guerrilha artística que mais tarde (1994) se viria a transformar num novo Estado mundial, reconhecido e anunciado, através de celebrações oficiais em Moscovo e Berlim. O Estado NSK emite passaportes, selos, e tem moeda e bandeira próprias, apesar de não ser um Estado físico com as tradicionais fronteiras em termos geográficos, mas sim um Estado extraterritorial que coexiste pacificamente dentro e fora de qualquer outro país.

Esta vontade de agitar as águas e de contestação não tem tornado a vida mais fácil à banda. Na Polónia eram apelidados de comunistas, nos Estados Unidos da América (onde também estavam proibidos de entrar) de comunistas radicais, e noutras partes da Europa, de fascistas. Parecia não haver consenso na catalogação da banda. Em 1987, a reprodução de uma suástica feita com machados no álbum “Opus Dei”, causou escândalo nos círculos politicamente correctos, até que, os mais atentos, divulgaram a informação de que este símbolo impresso no disco foi retirado do trabalho de um artista dadaísta, activista anti-nazi, chamado John Heartfield. Foram estas e outras polémicas que levaram a banda regressar apenas à sua terra natal a 26 de Dezembro de 1990, data em que actuaram numa estação de energia termoeléctrica.

Há quase 20 anos que os LAIBACH editam pela britânica Mute Records, editora de artistas como Depeche Mode, Nick Cave And The Bad Seeds, Einstürzende Neubauten, Moby ou Diamanda Galás. O espólio musical dos LAIBACH é muito extenso, contando-se mais de três dezenas de álbuns e EP’s, já para não falar das inúmeras edições não oficiais que circulam por esse mundo fora.

Os Laibach são também conhecidos por se apropriarem e de subverterem alguma da música pop-rock contemporânea. Um dos seus álbuns mais famosos é precisamente “Let It Be”, inteiramente composto por versões de Beatles, ou as versões industriais, ou épicas, ou electrónicas, ou heavy, ou militaristas, de “Life Is Life (Opus), “In The Army Now” (Status Quo), “The Final Countdown” (Europe), “Jesus Christ Superstar” (Adrew Lloyd Weber), “Alle Gegen Alle” (DAF), “Under One Nation” (Queen), ou “Sympathy For The Devil” (Rolling Stones).

“A música pop é para cordeiros, e nós somos os pastores disfarçados de lobos…” Laibach.

São afirmações destas, aliadas a todo um trabalho que a banda tem vindo a realizar, que antecipa um excelente concerto dia 22 de Maio, no Hard Club do Porto. Os bilhetes custam 20 € se comprados antes do concerto e 22,50 € sem reserva.



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