Lambchop @ Teatro Maria Matos (17.01.2017)

Lambchop @ Teatro Maria Matos (17.01.2017)

Lisboa foi a cidade onde a banda capitaneada por Kurt Wagner decidiu atracar para dar início à tournée de “FLOTUS – For Love Often Turns Us Still”, o disco editado pelos Lambchop em Novembro do ano transacto. A bordo acarretaram a nova maquinaria que injectaram no seu reconhecidíssimo som tradicional, operação feita após a aventura que protagonizaram previamente a “FLOTUS” assinada como HeCTA, em 2015.

Depois da experiência electrónica adquirida através dos HeCTA, Kurt Wagner decidiu fundir o que tinha aprendido nesse projecto com o som dos seus Lambchop. À maquinaria em questão foi adicionado o vocoder que contamina praticamente todas as deambulações da voz em «FLOTUS».

Na realidade, os trejeitos electrónicos insertados na habitual fórmula de Lambchop são quase sempre bastante discretos, ainda que muitas vezes componham quase integralmente o esqueleto das canções. A máquina de ritmos é delicadamente controlada pelo baterista Andy Stack, membro dos Wye Oak, convidado para a digressão em curso. Nalgumas ocasiões atribui uma interessante atmosfera jazzy aos temas, como por exemplo em «Directions To The Can», uma composição bastante antiga, ainda dos tempos em que a banda se apelidava Posterchild, e que foi agora recriada pelo novo método de compor de Wagner. Atmosfera essa que é ainda sublinhada pelo piano solto de Tony Crow. Noutras vezes as electrónicas trazem-nos elementos viciantes, como o sintetizador orelhudo em «NIV».

O referido pianista foi o verdadeiro cicerone da banda, promovendo de forma praticamente exclusiva todas as interacções com a respeitosa plateia, sendo que Kurt Wagner limitou-se quase a reagir a estímulos do bem-humorado Tony. A completar o quarteto em palco esteve o sóbrio, mas sempre correcto, baixo de Matt Swanson.

O grande senão do serão foi mesmo o vocoder pelo qual Kurt Wagner parece ter-se apaixonado assolapadamente, dado que marca presença em todos os novos temas, e que além de tornar imperceptível praticamente toda a parte lírica de «FLOTUS», desarma a familiar, recomfortante e quente voz a que nos habituámos a escutar nas canções de Lambchop. O referido aparelho, ideia decalcada duma actuação ao vivo de Shabazz Palaces, contribui igualmente para o facto das novas composições soarem demasiado semelhantes, principalmente em concerto. «FLOTUS» funciona bastante melhor na versão estúdio. Além de que ao escutarmos a voz encripitada pelo vocoder somos automaticamente remetidas para outras latitudes musicais, como o trabalho mais recente de Bon Iver ou até James Blake.

É ao oitavo tema do alinhamento, pela pauta de «The New Cobweb Summer», que tragamos um bom gole de Lambchop clássico, com tudo aquilo a que temos direito.

No lotado auditório do Teatro Maria Matos a banda oriunda de Nashville apresentou o referido novo álbum na totalidade, deixado portanto pouco espaço para recordações. Ainda assim escutámos um tema do disco “Hank” («Poor Bastard»), outro de  “Is A Woman” («The New Cobweb Summer») e um de “Mr. M” («Gone Tomorrow»). Para o refrão trouxeram um tema original de Prince, o qual a banda tem apresentado ao vivo nos tempos mais recentes.

Os Lambchop estão diferentes e é sempre com a merecida curiosidade que os receberemos as novas propostas.

Alinhamento

– NIV
– The Hustle
– Directions To The Can
– Poor Bastard
– Old Masters
– Writer
– In Care Of 8675309
– The New Cobweb Summer
– JFK
– Relatives #2
– FLOTUS
– Gone Tomorrow
– Howe
– Harbor Country

(encore)

– When You Were Mine (Prince cover)

Fotografia por José Frade (Teatro Maria Matos)



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