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Lana Del Rey – “Born To Die”

Letras fáceis de decorar e em repeat.

Todos sabemos que nascemos para morrer. Essa é a pura essência da vida apreendida a priori. Lana Del Rey (ou Elizabeth Grant para a família) faz questão de nos reavivar essa mensagem num álbum puramente doce, melodramático q.b. e onde se respiram palavras de ordem e de amor eterno. A nova musa da pop é fogo que arde sem se ver.

Quando pesquisamos por Lana Del Rey acabamos por nos perder devido à imensidade de informação que já existe, desde pequenas biografias a teorias da conspiração como se se tratasse de um ser extraterrestre com atributos de divindade, o que faz com que nem tudo o que se tenha escrito seja verdade ou esteja a favor da própria artista. Se alguns sugerem que a cantora é um embuste e um produto de marketing por parte da editora, outros acreditam que se trata da nova estrela cadente da música mundial. Opiniões à parte, a verdade é que o forte mediatismo em torno desta figura faz com que “Born To Die” seja o disco mais aguardado do ano e com fortes perspectivas de se tornar um campeão de vendas.

Do ar angelical à sensualidade milimetricamente pensada

Quando no mês de Agosto de 2011 foi divulgado o home video de «Video Games» e um EP composto por quatro músicas que se encontrava à venda no iTunes, seria inevitável que Lana Del Rey não se tornasse o grande hype do ano.

Elizabeth é simplesmente uma jovem norte-americana que decidiu dedicar-se à música. Em 2008 tentou lançar o seu álbum, com o nome de Lizzy Grant, mas o sucesso não lhe prestou atenção. Agora, ao visualizar os vídeos dessa época, apercebemo-nos de que tudo mudou ao longo de quatro anos! Desde o cabelo à maquilhagem deviamente cuidada, até ao guarda-roupa. Conclusão: foi-lhe dada a oportunidade de efectuar um extreme makeover que lhe transformou a vida. Quanto à mudança de nome para Lana Del Rey, a própria afirma numa entrevista que nada tem a ver com a combinação dos nomes da actriz Lana Turner e com o modelo automóvel Ford Del Rey: “não faço ideia em que filmes entrou a Lana Turner. Escolhi Lana porque é bonito, tal como Del Rey. Apenas arranjei um nome para o mundo musical que estava a construir”. E assim se começa a desconstruir o mito.

Pelas suas referências musicais passam nomes sonantes como o de Elvis Presley, Kurt Cobain ou Eminem. De facto são estilos bastante variados, mas a própria cultura norte-americana faz com que haja essa fusão. Há quem compare a sua sonoridade a nomes como Cat Power, Regina Specktor, ou SIA, mas tem a robustez de Nancy Sinatra.

O universo da Pop está totalmente transformado e rapidamente se faz furor. Lana Del Rey é a prova disso. Depois da aparição pública no programa “Saturday Night Live”, vieram as críticas negativas. Para sua própria defesa, a cantora afirma que tem medo do palco e das aparições públicas e até é visível o rigor e cuidado nas palavras quando dá entrevistas. A sua timidez não é uma defesa, mas sim o toque de requinte que desperta a atenção dos outros. Também os músicos Damon Albran e Jamie Wood já avançaram com remixes a algumas canções da cantora… Há quem prefira as remixes às versões originais e isso é o que torna tudo mais divertido em torno da curta história de Lana Del Rey.

Letras fáceis de decorar e em repeat

Todo o tipo de significado sobre o amor está instalado neste álbum. Não, não pensem que é um álbum romântico ou para ouvir num jantar à luz das velas. Mas que tem directas declarações de amor verdadeiro, nu e cru, a meu ver, tem. A dicotomia de mulher fatal vs. mulher angelical está sempre patente e isso é visível nos vídeos de «Born To Die» – primeiro single oficial a ser extraído do álbum com o mesmo nome – e no actual «Blue Jeans».

Ao percorrer as 15 músicas (versão delux do álbum) apercebemo-nos de que todas as influências de Lana Del Rey estão intrínsecas. «Off To The Races» e «Diet Mountain Dew» com ritmos de hip-hop e a pop vincada em «Radio». Em «Blue Jeans» e «Born To Die» a musicalidade transfigura-se em imagens cinematográficas de amores imperiais e olhares focados para o verdadeiro significado de amor para a eternidade. «National Anthem» não me deixa margem para dúvidas – a canção que mais fica no ouvido e com a propaganda de que “Money is the anthem of success, So before we go out, what’s your address?”. Lana Del Rey é, novamente, a prova desse mesmo hino e tem consciência disso. «Summertime Sadness» e «Without You» são baladas poderosas e arrebatadoras, semelhante ao cânone transposto por «Videogames» e o já referido «Blue Jeans».

No geral, é um álbum bastante trabalhado, com melodias tocantes e onde se escuta a sensualidade feminina pela voz da cantora. São canções de fácil absorção em que, ouvidas meia dúzia de vezes, conseguimos fixar a letra e identificar-nos com aquela personagem. O universo paralelo entre a ficção e a realidade mantém-se. Lana Del Rey não deixa de ser uma bad girl utilizando todos os seus recursos e atributos femininos. Uma espécie de sexo e drogas sem rock and roll, mas que se certifica de o transformar em palavras – escrita de canções simples, mas reflectida, e que se enquadra no mundo actual.



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