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“Laurence para sempre”

C'est une Révolution

“Laurence Anyways”, título original da terceira longa-metragem do realizador canadiano, Xavier Dolan (“Eu matei a minha mãe”, “Amores Imaginários”), conta-nos a história de um jovem casal boémio e apaixonado cuja relação será posta em causa quando o homem, Laurence (Melvil Poupaud) revela à sua mulher, Fred (Suzanne Clément) que quer mudar de sexo.

Dolan apresenta-nos uma narrativa audaciosa sobre o amor e a sexualidade que questiona até onde pode ir um sentimento considerado inabalável, até onde nos subjugamos à ditadura social entranhada desde a nossa existência e a qual pode levar-nos a perder aquilo que sempre procuramos.

Neste filme é abordada a discriminação contra a transsexualidade, mas centra-se sobretudo num casal que terá as suas vidas abaladas quando um deles decide transformar-se em mulher, o que levará a uma série de acontecimentos que mudarão as suas vidas para sempre.

Este épico recria os anos 80 e 90 através de uma estética de videoclip, com cores fortes, visuais excessivos, com a presença assídua do estilo kitsch e algum surrealismo que leva de certa forma o espectador a descontextualizar a realidade dramática e a absorver apenas as imagens. Há uma sequência fantástica quando Laurence vestido de mulher enfrenta pela primeira vez a sala de aula; instala-se um silêncio durante alguns segundos, filmado em plano fixo, que termina quando uma aluna faz uma pergunta comum e ignora o seu novo visual, é como se fosse aceite a sua nova condição, premiada ao som de Headman – Moisture (Club Mix).

Para Laurence, tornar-se mulher é uma questão de sobrevivência. Ele compara a sua vida como se nos últimos 30 anos estivesse a conter a respiração debaixo de água e esta decisão permita finalmente emergir à superfície e ser a pessoa que sempre quis ser. A composição de Melvil Poupaud para esta personagem é espantosa. Fred é uma mulher forte, selvagem, representada brilhantemente pela actriz Suzanne Clément. Destaca-se em vários momentos do filme como na cena da sua ofuscante entrada numa sofisticada festa.

Este filme, que abrange uma década, é narrado em flashback e tem a duração de quase três horas. O drama passa-se em torno da transsexualidade, mas é o olhar inteligente e observador do realizador de como uma relação entre duas pessoas pode evoluir, deteriorar-se e reconstruir-se ao longo do tempo que o torna universal.

“Laurence Anyways” foi premiado no Festival de Cannes 2012 na secção Un Certain Regard na categoria de Interpretação Feminina para Suzanne Clément e no Festival Internacional de Cinema de Toronto na categoria de Melhor Filme Canadiano. A distribuição nacional é feita pela Alambique Filmes e tem estreia prevista para o dia 28 de Fevereiro.



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