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LAYTON’S MYSTERY JOURNEY: Katrielle and the Millionaires’ Conspiracy | Análise

Filha de detetive sabe investigar

A primeira vez que entrámos em contacto com o mundo do professor Hershel Layton, docente de arqueologia da universidade londrina de Gressenheller, idealizado pela nipónica Level-5, corria o ano de 2007. Na altura, os amantes de jogos de aventura, e puzzles, ficaram maravilhados com a diversidade de entretenimento que tinham, literalmente, nas mãos. Os anos foram passando, as aventuras de Layton sucedendo-se. E eis que chegados a 2017, a Level-5 decide dar o papel principal a outro membro da família do afamado professor. E assim nasceu Layton’s Mystery Journey: Katrielle and the Millionaires’ Conspiracy, tendo a “pequena” Katrielle, filha de Layton, a árdua tarefa de ascender ao palco principal. E Katrielle tem muito a provar naquele que é o maior volte de face da série e que marca um reboot de todo o universo da Layton. E se, em jeito de apreciação global, Katrielle consegue continuar o legado familiar com distinção, existem ainda algumas arestas por limar.

Ao ligar a Nintendo somos, quase imediatamente, contagiados com a graciosidade e brilhantismo de Katrielle, um personagem muito bem delineado e que consegue ser tão ao mais empático que o seu pai, e bem mais divertido graças à sua abordagem descontraída que imprime ao jogador quando este tenta resolver os muitos quebra-cabeças. Katrielle tem por companheiro Ernest Greeves, seu fiel assistente, e que a ama de forma secretamente apaixonada.

Composto por uma dúzia de casos autónomos, Layton’s Mystery Journey: Katrielle and the Millionaires’ Conspiracy começa a despertar a atenção do jogador com dois mistérios que se destacam dos demais mas, aos poucos, começam a perder o interesse inicial muito por culpa das muitíssimas tarefas laterais que se assumem como trabalhos menores mas muito divertidos. Ora digam lá se conseguiriam recusar pedidos de ajuda para levar a cabo tarefas como encontrar um presente de aniversário para um marido esquecido ou seguir o rasto de um animal de estimação de uma mulher afortunada.

Enquanto completamos estes casos autónomos, e conhecemos mais personagens deliciosos, é difícil manter a envolvência dos mistérios maiores. Neste campo, a Level-5 deveria ter trabalhado no sentido de manter a motivação do jogador. E ainda que o derradeiro ato tenha sido bem pensado, principalmente pela participação dos já referidos personagens, peca por uma menor elaboração narrativa e torna a sua conclusão não tão interessante quanto esperaríamos.

Com mais de uma centena de puzzles e quebra-cabeças por encontrar e resolver (e ganhar picarats), o jogador, o nosso “eu” mais querido, vai ficar positivamente surpreendido. Divertidos, didáticos, e por vezes desesperantes, a maioria dos desafios são satisfatórios, também por culpa do tipo de enigmas e do salvador sistema de “dicas” que faz com que o jogador consiga ultrapassar a frustração de não saber qual o caminho a seguir. Um pequeno senão é a natureza de algumas soluções dos quebra-cabeças que podem parecer descabidas de tão óbvias…ou talvez não. Por isso não se espantem ou se sintam “enganados” se ainda não conseguiram avançar nalgum ponto do jogo. Acreditem que não é por não serem inteligentes, é mesmo porque nem sempre o que luz é ouro.

E, caso nos portemos bem na pele de Katrielle, os bónus são muitos e as tarefas divertidas, podendo o jogador, por exemplo, decorar o escritório da nossa heroína, ajudar num restaurante, gerir o perfil de algumas lojas ou deambular pelas atarefadas ruas de Londres com Sherl, o cão falante refém de uma amnésia. Podem parecer pormenores, mas são deveras mais-valias. Portanto, se quiserem fazer uma pausa na complicada tarefa de decifrar puzzles, têm muito que fazer.

Mas, obviamente, a estrela de todo o jogo é Katrielle, ainda que uma detetive a dar os primeiros passos, sendo mesmo a razão para que o jogo não caia na mediania, algo que a própria série, e Layton, não mereciam. E no ar fica a ideia de que o maior desafio da Level-5 na próxima aventura será tornar toda a narrativa igualmente apelativa e mais coesa.

O jogo está disponível para as versões 3DS e 2DSxl.



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