Lcd Soundsystem

James Murphy de regresso ao nosso país.

Um dos projectos mais excitantes e consensuais da nova música mundial, está de regresso a Portugal. James Murphy (e companhia) marcam presença na Casa da Música, no Porto, dia 20 de Junho para depois descer à capital e actuar duas vezes no Lux, nos dias 21 e 22. Estes são, obviamente, concertos a não perder.

Falar sobre os LCD Soundsystem é o mesmo que falar sobre James Murphy. Se, em palco, o produtor norte-americano surge acompanhado por mais 4 músicos: Pat Mahoney (bateria); Nancy Whang (voz e teclados); Tyler Pope (baixista dos !!! e dos Outhud) e Phil Mossman (guitarra, percussão), em estúdio, Murphy faz-se acompanhar apenas pela sua genialidade e multifacetada capacidade de tocar instrumentos e compor temas.

Natural de Princeton Junction (New Jersey), James Murphy esteve sempre em contacto com a música, com discos e principalmente com o punk rock. Embora a sua terra natal fosse um “deserto” de ideias, pessoas e ambições, a pequena loja de discos da cidade servia de refúgio e de centro de aprendizagem musical para Murphy. Foi aí que começou a cimentar o seu interesse pela música e onde conheceu bandas como os Suicide, que o influenciaram para o resto da sua vida.

Durante grande parte dos anos 90, Murphy dedicou a maioria do seu tempo a dois projectos que estavam destinados ao fracasso. Primeiro com os Pony (92-94), um projecto nova-iorquino que chegou a ser considerado pela imprensa como “the next big thing” e que acabou por se desmembrar devido a diversos problemas pessoais entre os elementos da banda. Depois com os Speedking (95-97), compostos por alguns elementos dos Pony, que nunca conseguiram encontrar o seu “espaço” na cena musical da altura. Curiosamente, durante os dois anos de existência dos Speedking, não foi editado nenhum disco da banda, porque seria contra os “princípios” dos seus elementos. Em 2002, depois de Murphy ter fundado os DFA, é editado “The Fist and the Laurels”, o disco que a banda gravou mas não chegou a editar. Os mais curiosos podem descobrir aqui algumas raridades da época pré-DFA de James Murphy.

Death From Above

Depois de duas décadas de experiências “frustradas”, James Murphy conseguiu encontrar o seu merecido lugar na cena mundial. A cidade de Nova Iorque serviu como pano de fundo para Murphy conhecer o seu companheiro de “guerra”, o inglês Tim Goldsworthy e construir um pequeno “império” e as bases para uma revolução musical que deu a conhecer um novo tipo de sonoridade e forma de estar na música.

Death From Above aka DFA é o nome da editora/produtora que espelha a atitude inovadora de Murphy e Goldsworthy e que durante os poucos anos de existência já conseguiu abanar o meio discográfico mundial, tornando-se numa referência obrigatória.

Foi o próprio Murphy que conheceu o trabalho dos The Rapture num concerto em Nova Iorque e que os levou para estúdio, colocando o selo DFA de qualidade e de produção, num dos mais interessantes projectos deste novo milénio. “House of Jealous Lovers” marcava o início de uma era e de um estilo muito próprio onde a irreverência do punk rock do final dos anos 70 encontrava-se com a electrónica, criando uma nova sonoridade característica da cidade e que rapidamente se alastrou por todo o mundo.

Um dos nomes mais fortes do cardápio da DFA é da “exclusiva” responsabilidade de James Murphy e mote para este texto.

LCD Soundsystem is playing in my house

Estávamos em 2002, ano do lançamento de “Losing My Edge”, o single que apresentou o projecto ao grande público e que misturava de uma forma única um enorme conjunto de instrumentos com uma batida electro contagiante e onde a voz de Murphy nos transportava pelas suas referências e influências. Esse foi o momento em que nasceu um dos mais interessantes projectos da música do princípio do século XXI.

Embora se pudesse pensar que estaria a ser elaborado um álbum, Murphy decidiu editar mais alguns singles que só vieram aumentar ainda mais o hype e inundar as pistas de dança. “Beat Connection”, “Give it up” e “Yeah” serviram de base a muitas remisturas bem como estiveram presentes na grande maioria dos sets nas discotecas menos comerciais um pouco por todo o mundo.

Foi preciso esperar até 2005 para que todos estes singles surgissem finalmente editados e disponíveis ao grande público. Felizmente que não vieram sós. Todos estes hinos que marcaram o início de carreira dos LCD Soundsystem surgiram condensados num disco extra que acompanha a edição do primeiro e homónimo longa duração do projecto.

Recebido com um consenso bastante alargado da crítica mundial, o disco é muito mais que uma repetição da fórmula das faixas anteriores. Para além do natural electro rock misturado com muito funk/house e hip-hop, somos surpreendidos com passagens bem mais calmas onde o piano se transforma no principal instrumento, fazendo-nos lembrar algumas composições de John Lennon. Estranho? Nem por isso.

O álbum começa com a história de um miúdo que gostava de ter os Daft Punk a tocar na sua casa. Depois de saber que uma actuação custa 40000 dólares, passa sete anos da sua vida a poupar até que consegue ter a banda francesa a tocar na cave ao lado da máquina de lavar com todos os seus amigos na audiência e uma banda local de hardcore a servir de suporte para o concerto.

”Daft Punk is playing in my house” serve de mote para um disco cheio de contrastes. O punk-electro-rock está muito bem representado em temas como “Movement”, onde nos é apresentado um “tributo” ao novo movimento do rock, “Tribulations”, uma faixa surpreendentemente radiofriendly, e “Disco Infiltrator”, um dos temas que podia muito bem ter sido o single de apresentação do disco.

Nas nove faixas que compõem este magnífico registo de estreia dos LCD Soundsystem, ainda existe espaço para o experimentalismo de “Thrills”, para a melodia de “Too much love” e para o romantismo beatle de “Never As Tired As When I’m Waking Up” e de “Great release”.

Depois da passagem no Festival de Paredes de Coura do ano passado, James Murphy regressa a Portugal com muito mais do que uma mão cheia de singles e promete três grandes concertos. Especial atenção para as datas do Lux, um local onde já se houve LCD Soundsystem há muito tempo e que é o local ideal para a passagem da banda em Lisboa.



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