Lcd Soundsystem @ Lux

I was there!

Desmistifiquemos a coisa. LCD Soundsystem no Lux, no passado dia 21 de Junho, foi um excelente concerto, mas ainda assim longe de ser aquele portento que se anuncia e que alguns já classificam como “um dos melhores do milénio”. Calma. Ainda vamos em 2005.

James Murphy é verdadeiramente um fenómeno da actual cena electro-punk com uma presença em palco que consegue, só ele, encher uma sala e colocar qualquer um à beira do delírio. Os seus berros impulsivos, que denunciam uma vontade enorme de celebrar a música e de levar à demência quem o ouve, têm o efeito desejado. E o espaço alfacinha é, provavelmente, o ambiente natural em que uma banda como esta se insere. Nasceram nos clubs e para eles vivem.

Criado que estava o hype em torno do “Mr. DFA” e companhia, as hostilidades foram abertas entre graves bem perto do limite do aceitável, uma voz fenomenal em consonância com as distorções que a mesa de som gerava e uma sala cheia e suada (porque o ar condicionado até estava a trabalhar, mas nem por isso continha a libertação de energia que havia no espaço).

“Daft Punk” trouxe um James Murphy em modo (demasiadamente?) punk, sem muito recurso à electrónica e tirando assim alguma da força que a música tem em disco. Nada de grave, as músicas que se seguiam recompensavam os que ansiavam por assistir ao concerto como se de um DJ Set se tratasse. “Tribulations”, primeiro, e “Movement” depois, obrigaram então todos os presentes a sacudir (ainda mais) o corpo, numa versão que tinha como único objectivo deitar por terra aqueles preconceitos que impediam que alguns resistentes saltassem desalmadamente entre os gritos e chapadas electrónicas dos LCD Soundsystem.

Entre uma cover de Siouxsie & The Banshees e a inevitável “Yeah”, houve ainda espaço para “Losing My Edge” em versão Spoken Word, que parecia um discurso concertado para explicar que, depois de todo um percurso musical como o declarado nas letras da canção, o resultado é mesmo começar a “perder as estribeiras”. Inevitavelmente, “Yeah” ficou reservada para o final do concerto, antes do necessário encore que trouxe uma versão de “Throw”, de Paperclip People. Mas “Yeah” teria sido a cereja em cima do bolo para este concerto, com cerca de 10 minutos de pura loucura e um James Murphy a intercalar entre o microfone e uns tambores para dar cada vez mais ritmo àquela que foi a melhor música interpretada pelo grupo nova-iorquino, ajudado por uma plateia que acompanhava em uníssono os soantes Yeah!

Faltou talvez mais tempo de concerto. Dez músicas não satisfazem uma plateia que esperava “o concerto do milénio”. Se calhar também faltou ouvir grandes temas como “Disco Infiltrator” ou “Thrills”. O próximo concerto em Portugal deverá ter direito a tudo isto e muito mais. Esperemos que o espaço se adeque.



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