“Lenz”, ZDB

“Lenz”

O regresso a nós

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Pode passar-se uma vida inteira a ver a vida inteira passar. Pode passar-se uma vida inteira sem amar todas as coisas do universo e faces da natureza e formas de arte. Pode passar-se uma vida inteira sem questionar absolutamente nada, sem crer em nada superior a nós ou em tudo como um mero acaso da vida.

Pode. Mas não “Lenz”. Que não vive se não for doentiamente apaixonado. Que não seria assim, genial, se não guardasse dentro dele toda a harmonia e beleza do universo. Se não buscasse em Deus uma razão, uma forma plena de existir.

Adaptado da novela com o mesmo nome, de Georg Buchner, “Lenz” é uma criação do actor Pedro Lacerda que reconstrói o percurso de um homem – do Séc. XVIII – que parte para uma viagem solitária. Da sua sensibilidade e genialidade, nasce o desafio de tentar sobreviver a si próprio e ao mundo, dando início a uma caminhada progressiva para a loucura, pela não correspondência do universo aos seus ideais de amor. Com a solidão como pano de fundo e grande catalisador, o texto deambula entre o contar da história, o discurso directo e a pintura, que cria uma linha narrativa gigantesca através de imagens.

“Lenz é uma história inacabada, de um homem que procura encontrar-se, mas que acaba por morrer internamente quando descobre que tudo é falível. A sua relação com Deus é ambígua: se por um lado tenta sentir a plenitude, por outro sente uma grande revolta, quando se apercebe que Deus permite que coisas más aconteçam, por exemplo a morte de uma criança”, conta Pedro Lacerda à RDB. Depois da revolta, a desistência de “Lenz”. O regresso à ansiedade e a morte intelectual.

Apesar do final triste – ou inacabado, como diz Lacerda – de “Lenz”, esta é uma peça que vale pelo exemplo que pretende dar ao espectador. “É um testemunho, uma forma de pôr as pessoas a reflectir sobre as suas vidas e a relação que têm com elas próprias e com o mundo. Não pretende converter ninguém, apenas discutir a sensibilidade e o direito à diferença”, explica o actor.

Um argumento que nos põe a fazer as malas e viajar com “Lenz” até ao nosso íntimo, onde é suposto explorar o lado mais sensível da nossa existência. Vale a pena ir.

NEGÓCIO

De 13 a 24 de Fevereiro
Quarta a Domingo, às 21h30
Rua de O Século, nº 9 porta 5

Fotografia de Pedro Pina



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