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Leonel Moura

Por trás de um robô há sempre um ser humano.

Os robôs criados por Leonel Moura já reclamaram mais que uma arte e, com isso, têm-nos conquistado cada vez mais. Neste ano de todas as atenções enquanto Embaixador Português do Ano Europeu da Criatividade, este “senhor dos robôs” conta-nos como está a ser 2009 e o que podemos esperar de futuro das suas criações.

Não existe ninguém que fique indiferente ao trabalho que Leonel Moura tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos com os seus robôs. Poucos são os que não terão ainda ouvido o seu nome no muito que se tem falado a seu propósito. Neste ano, em que o artista é o Embaixador Português no Ano Europeu da Criatividade, falámos com Leonel Moura sobre essa experiência e do futuro desta sua arte.

Os robôs construídos por Moura começaram pela pintura, como é o caso do Robotic Action Painter (RAP). Entretanto já escrevem poesia, como podemos observar o ISU. Quanto à área que a seguir estes robôs vão reclamar, Leonel responde-nos que “gostava de criar um robô capaz de dar conselhos às pessoas”. Seria uma espécie de oráculo, mas deixa bem claro tratar-se de algo “nada dado a misticismos” como convém neste mundo de ciência.

Estes e outros exemplos de inteligência artificial que este artista tem criado são possíveis de encontrar a vaguear em diferentes sítios. Por exemplo, em Alverca, no Robotarium X ou na sua galeria pessoal em Lisboa. Leonel acrescenta à lista “um robô-pintor no Pavilhão do Conhecimento em Lisboa que esteve em exposição durante bastante tempo”, mas infelizmente “foi retirado porque o Pavilhão vai entrar em obras de renovação”. Contudo, esta arte robótica não se fica por terras portuguesas e hoje é possível observar o RAP constantemente no Museu Americano de História Natural, em Nova Iorque.

Foi este trabalho no campo da inteligência artificial, que não se fica pelos robôs, que despertou a atenção e levou ao convite que recebeu para ser Embaixador Português no Ano Europeu da Criatividade. O artista parece estar a tirar o máximo proveito dessa experiência, pois conta-nos que “para além dos contactos sempre estimulantes com muita gente, por cá e na Europa”, as actividades deste ano têm-no obrigado a “reflectir seriamente sobre a questão da criatividade” e agora, sustenta, não apenas na perspectiva da sua própria “prática criativa”.

Perante as questões que lhe têm surgido, o artista conclui que “para desenvolver as capacidades de criatividade, imaginação e inovação que estão presentes em todas as pessoas é preciso fazer duas coisas na organização da sociedade”. Por um lado, “mudar as instituições, em particular as dedicadas à cultura e ao ensino”, pois “as actuais ainda assentam numa perspectiva de cima para baixo, em que existem autoridades activas e colocadas num plano superior e, em baixo, consumidores passivos e com pouca ou nenhuma possibilidade de expressão”. Leonel Moura sente, assim, a necessidade “de um novo tipo de espaços concebidos para a interacção e a cooperação”. Por outro lado, este fazedor de robôs afirma que devemos “caminhar para um reencontro entre as artes e as ciências” e exemplifica dizendo que “não faz qualquer sentido que exista um Ministério da Cultura e outro da Ciência”, pois “a cultura não existe sem saber; a ciência não avança sem cultura”.

No tempo que o cargo de embaixador não lhe toma, este português tem ainda um novo projecto que se encontra na “fase inicial”. O mesmo consiste em “robôs artistas que trabalham em grupo, introduzindo uma maior complexidade na geração das formas”, descritos pelo seu próprio criador como “mais interactivos, com maior capacidade de percepção do espaço e alguns aspectos inovadores que não cabe aqui desenvolver”.

Sobre o futuro, Leonel Moura diz-nos que “para quem trabalha com robótica autónoma a grande questão que ocupará o futuro é a consciência artificial”. Conta-nos também não ter “meios para avançar muito nessa área”. Contudo, podemos esperar de si “pequenos contributos talvez na maneira de produzir memória”. Este artista termina afirmando que o que lhe interessa mesmo “é contribuir para lançar as bases de uma nova arte assente no conhecimento e na ciência”.



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