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Levi’s 501

As 501 nunca desapareceram, estão sempre lá ou aqui mesmo nas nossas pernas neste momento. O que faz deste modelo, desta marca em particular, o blueprint de todas as calças de ganga?

A Levi’s é só a marca mais antiga de jeans (desde 1853, embora os jeans como os conhecemos só entram no nosso guarda-roupa nos anos 20), símbolo de interclasses, mesmo que em Portugal isso não seja mesmo real (quando tive a minhas primeiras Levi’s nem todos os rapazes da minha idade, 14 anos, podiam ter umas, nem mesmo era muito comum no sítio onde vivo fazer compras no Shopping Centre Amoreiras, Lisboa, onde abriu, nos anos 80, a primeira Levi’s Store, mais tarde outra no Rossio, mesmo ao lado da Loja das Meias.)

A marca reveste-se de um carácter único, deixando as considerações de como o working wear dos operários se tornou uniforme de todos os cidadãos, que é a sua organicidade. O que é mesmo curioso nas Levi’s, exepcionalmente misterioso no modelo 501, é que as mesmas calças, mais que qualquer outra peça que tenhamos no guarda-roupa, ganham personalidade própria em osmose com a nossa e com as nossas vivências.

Por onde passamos, festivais de verão, horas nos cafés, pistas-de-dança da moda, as Levis’s vão recolhendo e, ao mesmo tempo, deixando lá a sua essência. Por isso as minhas serão sempre diferentes das tuas. Sem querer ser metafísico, as Levi’s mereciam uma investigação científica relacionada com o seu aspecto orgânico. Se quisermos forçar este facto de transformação lembremos as saias que se fazem a partir de 501 já gastas. Isabel Costa, produtora de moda fez o mesmo às primeiras que teve quando tinha 15 anos, ‘ acabei por transformá-las numa mini-saia fantástica.’

Como ela já foram vistas em saias e mini-saias feitas de Levi’s 501 vários nomes do mundo da moda, incluíndo a também stylist Xana Guerra. Neste momento Isabel usa umas 501 de homem sem lavagens e que põe com tudo, informal ou toilette mais elaborada. ‘As Levi’s são objecto de culto, um mito, são clássicas e estão sempre contemporâneas…

Conforme a produção podemos agarrar no espírito 501 e subverte-lo, sublimá-lo, arranjar-nos de forma conservadora ou super sexy. ‘Eu às vezes uso Levi’s nas minhas produções porque consigo com elas mostrar perfeitamente o lado da história que estou a contar’ diz Isabel Costa acerca de introduzir a marca nos seus editoriais de moda, que merecem sempre uma vista de olhos mais atenta mesmo quando não constam estes ícones do jeans wear.

As 501 são a matriz para todas as outras calças de ganga, sejam da Levi’s ou de outras marcas mais caras ou de menor qualidade, mais baratas. Várias marcas têm sido alvo de processos por parte da Levi Strauss & Co, umas vezes ganham e outras vezes perdem, e por vezes há acordos. Os jeans e o seu corte pertencem ao imaginário de qualquer pessoa, será que por isso podemos fazer com elas o que quisermos, reinterpretar e não copiar, eis a questão. Temos óptimas reinterpretações desde Helmut Lang a Miuccia Prada, que agarraram nas 501 e lhes deram o seu twist, mais ou menos óbvio, e as tornaram suas.

Paulo Macedo,  também produtor de moda, comprou as suas primeiras 501 nos anos 80, quando ainda vivia no Porto. ‘Sempre que penso em completar um look que tenha uma componente clássica mas com um toque moderno , como por exemplo um casaco Chanel  com uns jeans e umas ballerinas, a primeira coisa  que me vem à cabeça é umas five-o-one!’ diz Paulo. E acrescenta, ‘As Levi’s 501 são um clássico incontornável…

Quando começam a ficar esgaçadas e mesmo rasgadas é que ganham o espírito total da informalidade, se fizermos equipa com peças de design fazem um diálogo perfeito, se mantivermos o estilo com cardigans de lã sobre t-shirts e all-stars, está lá o grunge em pleno, se usarmos uma t-shirt branca e uns sapatos pretos estamos na segunda metade da década de 80, se forem bem apertadas  estão completamente actuais. Umas Levi’s 501 rasgadas são o manifesto ‘I-don’t-care-about-fashion-but-in-the-end-I- actually-do!’ mais flagrante. Em mau estado ou imaculadamente novas, 501 forever!



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