Liga Knockout

Liga Knockout

Hip Hop Tuga com novo albergue: A Liga Knockout arrancou no nº 23 da Rua da Rosa. Fomos assistir à 2ª edição e falámos com José Cardoso

A expressão vem dos inícios do século XIX. Na altura, mulheres que acompanhavam os maridos ou namorados em grandes viagens marítimas, davam à luz por detrás de uma cortina, perto da artilharia que se situava na zona central do barco. Por muitas vezes, a paternidade terá sido duvidosa, tendo esses bebés, de forma individual, sido baptizados de forma jocosa como “Son of a Gun”. Uma pesquisa rápida através do mais famoso dos motores de busca permite-nos ainda encontrar um restaurante e um filme com o mesmo nome. Na música, lembramo-nos de referências dos Vaselines, Nirvana, La’s e Janet Jackson com Missy Elliot. Em Lisboa, a “Son of a Gun” é uma loja de roupa de marca, situada no nº 23 da Rua da Rosa, no Bairro Alto. É para lá que nos dirigimos num Domingo chuvoso; o motivo é a segunda edição da Liga Knockout, promovida pelo Hip Hop Sou Eusite fundamental para quem queira perceber o passado, presente e futuro do hip hop tuga e que merecia mais do que esta mera referência.

A chuva dá umas tréguas, mas as esquinas que antecedem a Rua da Rosa, vazias, não fazem prever o frenesim que nos espera durante as próximas três horas. À porta da loja, um ajuntamento que denuncia o pequeno atraso – somos avisados que em 10 minutos, mais coisa menos coisa, estará tudo pronto. Um balde e uma esfregona anunciam o cuidado em tentar manter o piso limpo. As conversas giram à volta de assuntos mais previsíveis (hip hop, mixtapes) e outros não tão previsíveis (iPhones, por exemplo). Passados os tais 10 minutos, anuncia-se: “vai começar o sangue!”. E repete, para que não restem dúvidas: “Vai começar!”. Entram as dezenas de intervenientes – participantes, júris, apreciadores, curiosos – que aguardavam lá fora. Fecham-se as portas.

A Liga Knockout surgiu na sequência de “muitos anos a ver batalhas que se faziam lá fora (Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, França) e do facto de não haver uma cá [em Portugal]”, diz-nos José Cardoso da Liga Knockout. “Deu para ver que sempre que tivemos batalhas na internet – a liga de batalhas entre [o] Regula, Black Mastah e Tekilla e Bob Da Rage Sense – elas tiveram um impacto tremendo na cultura”, acrescenta.

A Liga Knockout “é como se fosse um produto da Hip-hop Sou Eu”, são alguns dos colaboradores do site de hip hop que estão por detrás da liga que é patrocinada pela Earbox. “Antes da primeira edição – e porque sabíamos que tinha um potencial gigante – abordámos várias marcas. A Earbox interessou-se e decidiu ser main sponsor da liga”.

As regras são simples – uma battle é composta por três rounds, sendo que cada MC tem direito a um minuto por round. Uma vez ultrapassado esse minuto é dada a palavra ao adversário. No início ouve-se a familiar “cara ou coroa?”, lança-se uma moeda ao ar e o “vencedor” decide quem começa. No final, o júri, que é rotativo, ou seja, muda em todas as edições, decide o vencedor. Desta feita, o júri foi composto por Sir Scratch, Sensei D, Don Mac I, Lancelot e Del Tó. O critério na escolha dos júris teve como base “pessoas com ‘nome’ dentro do [circuito] do hip-hop nacional. Tivemos alguns contratempos – uns não queriam, outros não podiam -, mas, regra geral, conseguimos artistas relevantes dentro do hip hop feito em Portugal”, refere. Nas próximas edições já não haverá júri. Esta decisão está relacionada com o facto do público em casa não estar de acordo com a decisão, criando uma enorme polémica à volta da mesma – “Não era benéfico para ninguém. Às tantas já não se falava da batalha em si, mas da decisão que era mais correcta”. Tirando esta divergência que na próxima edição, a terceira, será corrigida, “o feedback do público tem sido do outro mundo. Temos tido reacções de Norte a Sul e até de outros países. Ao nível das visualizações, os números do Youtube têm sido elevados”. Na verdade, o vídeo da primeira battle atingiu recentemente umas notáveis 100 mil (!) visualizações.

Os participantes vêm de todo o lado. Uns enviam email voluntariando-se, os outros são nomes que a organização quer que participem. “Ouvimos os MCs [que enviam email] e escolhemos os melhores. Não é por se inscreverem que entram automaticamente. Fazemos uma selecção porque queremos battles com a melhor qualidade possível. Até agora, a Liga Knockout não era um evento aberto ao público. A ideia é, num futuro próximo, fazer um grande evento num espaço aberto”.

As battles arrancam, o público “enlouquece”, as punches sucedem-se. Não nos vamos debruçar sobre as battles – estão e estarão todas no Youtube. Os comentários (no Facebook, no Youtube) falam por si: há muita expectativa a rodear a 3ª edição. Entretanto, a Liga Knockout vai marcar presença no 1º aniversário da Candy Sessions, dia 1 de Junho, no BBC com uma battle, um showcase de Sam The Kid e presença de DJ Cruzfader, DJ Enigma, DJ Kwan e NBC.



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