Light Against Time

A fotografia de Nuno Moreira em exposição no Espaço Juventude@Lisboa no Bairro Alto.

Nuno Moreira propõe-nos algo diferente dentro da fotografia. Desde o passado dia 26 de Maio que está patente, no Espaço Juventude @ Lisboa no Bairro Alto, na Rua da Atalaia 159, a exposição “Light Against Time”, “LAT”, reunião de meia década de trabalho do autor.

A exposição consiste em vinte e quatro fotografias de concertos que “decoram” todo o espaço. A inovação é que o autor pretende fazê-las circular por galerias, museus, lojas ou institutos com o objectivo de dinamizar e rentabilizar o local da exposição, de forma a atrair novos visitantes e promover o acesso livre aos interessados pelas manifestações culturais.

Segundo o próprio autor, pretende-se com “LAT” prestar homenagem a momentos únicos e inesquecíveis, a lugares comuns que subitamente se transformaram com a junção de pessoas prontas a partilhar interesses comuns. O convite segue nas palavras do autor:

“Os momentos captados em “Light Against Time” mostram uma procura por experiências singulares, fruto de um desmascarar energético de quem assiste aos espectáculos (público) em justaposição com quem resolve colocar a máscara de artista, performer, entertainer, ou simplesmente músico.

As pessoas saem e reunem-se num espaço comum para assistir a um espectáculo e o mesmo acontece com os músicos que entram em palco para sair de si mesmos e se reunirem num colectivo integro e coeso: a banda.

Enquanto um lado tira a máscara e se diverte o outro coloca-a e exercita-a, reforçando em ambos uma linguagem motora que habita em todos: ritmo, musicalidade, expressividade, vida.

Do palco para a audiência o som é projectado indiscriminadamente, e o primeiro a estabelecer contacto físico com as ondas electrizantes é muitas vezes o fotógrafo, que se encontra nas trincheiras, em frente ao palco, pronto a ripostar com o disparo da sua câmara que pretende ser tão eficaz quanto a perfeição do músico. Aqui gera-se uma pequena disputa artística, não de um contra o outro mas ambos procurando salvaguardar a todo o custo o mesmo interesse: uma imagem que imortalize o momento a que se assiste – uma memória colectiva. Uma experiência.

As fotografias patentes neste trabalho pretendem fugir a um determinismo técnico que por vezes anula o factor surpresa e expontâneadade. Tal como num concerto onde involuntariamente existe feedback e falhas técnicas e humanas o mesmo acontece na fotografia que aqui pretendo mostrar, assumindo e fazendo valer a fotografia livre ao contrariar falsos hermetismos teóricos que insistem em favorecer visões em formato de postal com pass-partout.

A única técnica existente é rapidez, concentração e um dominio entre máquina e homem que envolve a mente num estado de abstracção espacio-temporal. Noções estílisticas e multiculturais fundém-se em ambientes carregados de energia e expectativa. O ataque sonoro, flashes e resposta do público geram momentos extraordinariamente ímpares e invulgares para o comum fotógrafo de reportagem actual.

Estar em frente a um mar de pessoas é estimulante, inspirador e um desafio constante. Um previlégio que só faz sentido se for partilhado.

A fotografia ao vivo é nada mais que um esforço de uma arte que combate o tempo (volátil) e a exactidão rigorosa de um exercício que tende a caír na sua própria extinsão pela falta de autenticidade, imaginação e imprevisibilidade. Este tipo de fotografia é a expressão viva de um acaso que combate o controlo tecnicamente necessário provocando um resultado interessante, motivador e mesmo experimental.

Aguarda-se pelo momento certo de uma forma quase instintiva, como se de uma presa se tratasse, e quando a altura chega um feixe de luz trespassa os corpos já de si iluminados e em plena libertação. A luz é precisamente o corte incisivo no tempo e na sombra. É o que marca o ritmo e o acidente fotográfico.

Para além da tensão/catarse que habita os momentos aqui registados, assiste-se igualmente a uma desconstrução visual do fotógrafo que constantemente procura enquadrar o motivo da forma mais fidedigna e real possível. O alvo não é fixo nem as acções calculáveis. A reverberação em formato imagem é igualmente dinâmica, distorcida e imprevisível.

Uma corrida na ponta do dedo que aqui venho mostrar…”



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