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Linda Martini

"Casa Ocupada".

Goste-se muito, pouco ou “assim assim” Linda Martini será decerto um dos colectivos mais conhecidos no seio nacional, sobretudo pela camada mais jovem. Poucos são os festivaleiros ou gentes do rock que não se lembrarão da banda, que já vai em sete anos de existência.

Com uma quantidade considerável de fiéis e característicos fãs, que captam já desde que se iniciaram, e que os acompanham nos concertos ao vivo, permanecem no postulado que os deu a conhecer há uns anos atrás e que os pode redefinir, segundo André Henriques: “Uma banda de músicos em part-time, que não sabe ler pautas e tem pouco tempo para ensaiar”.

Foi com ele e com Cláudia Guerreiro que se depreendeu com maior abertura o perfil e intenção do mais recente trabalho do grupo – “Casa Ocupada”.

Sendo uma banda com já sete anos de estrada, há com certeza alguns aspectos que mudam. Cláudia Guerreiro afirma que “os últimos anos têm sido anos de mudança. Saiu o Sérgio (guitarra), fizemos um álbum que, embora seja uma continuidade dos outros discos, é também uma mudança de rumo, mudámos a nossa relação uns com os outros para melhor, e mudámos de sala de ensaio várias vezes”.

As mudanças reflectem, em grande número de situações do panorama mais underground, uma espécie de atitude reflexivo-conscienciosa do ponto em que se está e do que se pretende a seguir e daí para a frente e Cláudia reflecte esse maior crescimento do grupo duma forma que se não os caracteriza no todo, definirá, sem qualquer dúvida, em grande parte daquilo que fazem enquanto grupo rock: “mais maturidade tanto na nossa relação enquanto banda, como na composição das músicas. Preocupamo-nos muito menos sobre o que vão achar os outros, seja em estúdio ou em palco”.

Este novo longa-duração é “para nós, uma lufada de ar fresco”, começa por discernir o elemento feminino de Linda Martini. Continuando: “Embora tenhamos tido em 2009 a edição do “Intervalo”, estávamos sem músicas novas desde o “Marsupial”(EP) . Este é o primeiro longa-duração desde o “Olhos de Mongol”, e se tivermos isso em conta, demorou 4 anos a ser feito. Claro que não estivemos parados, tanto no que diz respeito a concertos como a outras edições, mas um longa-duração tem um peso que as outras edições não têm. É uma lufada de ar fresco porque além de termos músicas novas para mostrar, recuperamos um pouco do espírito punk com que começámos a banda. Músicas mais curtas, mais brutas, que podiam bem ser tocadas na Casa Ocupada da Praça de Espanha, até ao início dos anos 2000″, conclui.

Há um fenómeno particular que eleva a presença de Linda Martini em território nacional, que é a já focada legião de fãs que os seguem em muitos dos festivais onde acabam por tocar. Para Cláudia, “temos a sorte de poder dizer que desde o início tivemos os concertos sempre cheios. Nunca nos faltaram os pés na terra e por isso mesmo esperámos sempre um concerto com pouca gente, no entanto esse concerto nunca chegou… Não percebo bem porquê, mas parecemos ter os fãs mais fiéis do mundo! Claro que não temos 5000 pessoas em concertos, mas conseguirmos esgotar salas, mesmo que sejam para 300 pessoas, é o melhor que nos pode acontecer”.

“Casa Ocupada” foi um nome que reuniu consenso entre todos os integrantes.” Queríamos ilustrar a ideia de que estas músicas tinham alguma coisa a ver com o que fazíamos antigamente, na altura em que tocávamos em sítios como o Ritz Club ou a Casa Ocupada na Praça de Espanha”, diz Cláudia. “Nessa altura movíamo-nos num circuito hardcore e tocar nesses sítios implicava apenas marcar um dia nesses espaços. A Casa Ocupada é uma referência a esse modo mais directo de fazer as coisas.”

“Depois do nome escolhido, foi desconstruir o conceito e dar-lhe outra volta. Casa Ocupada podia ser uma casa vazia, ocupada com a nossa música. Escolhemos um espaço vazio, a Sociedade Harmonia Eborense, para fazer as fotografias (com o Paulo Segadães) que dariam origem ao artwork do disco” (da autoria de Bráulio Amado), complementa.

Muitos foram os que acorreram este ano ao Super Bock Em Stock, com vontade de lhes beber a jovialidade e garra que os caracteriza. Para eles: “já tocámos noutros festivais, maiores até que este. Mas este olha para a música com outros olhos, não procura multidões. Este procura juntar num mesmo festival, um pouco à semelhança do que se faz no Texas, muita música diferente em sítios diferentes, incentivando mais à pesquisa do que ao idolatrismo. É o único festival alternativo credenciado por uma grande produtora, onde não há bandas gigantes, só bandas boas. Acho que é mais a oportunidade de estarmos enquadrados num bom cartaz e de tocarmos numa garagem maior do que a nossa”, brinca Cláudia.

Mas, é no Palco de Paredes de Coura que lhes ocorre logo, quando se fala de festivais, a essência enigmática das apresentações ao vivo.

“Mesmo que não tenha sido o melhor palco, foi o que mais nos marcou até hoje, de tal modo que falamos sempre dele. Partilhámos o palco com Sonic Youth e nem nos lembrámos de lhes dar um CD nosso… Além disso dormimos no Sheraton! No entanto não podemos deixar de referir os últimos concertos da apresentação do “Casa Ocupada”, especialmente o do Lux e o do Hardclub, onde fomos recebidos com um entusiasmo tão grande como o nosso. É provável que estes dois se venham sobrepor ao sentimento que o Paredes de Coura nos deixou…”, deixa Cláudia em aberto.

Nelson Carvalho – engenheiro de som com estúdios na Valentim de Carvalho e já entrevistado numa das remotas edições da RDB – meteu mais uma vez o seu cunho ao serviço dum projecto nacional. Para estes jovens músicos, “embora o Nelson não tenha produzido o nosso disco, o processo de gravação com ele é muito calmo. Tanto ele como o seu assistente, o Ricardo Espinha, deixaram-nos completamente à vontade e souberam interpretar o que nós queríamos do disco”.

A banda vai continuar na estrada com a apresentação de “Casa Ocupada”. Para quem ainda não teve oportunidade dos ir ver, é só visitar o cardápio disponível no site da banda.



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