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Linda Martini e Riding Panico @ Musicbox

Amigos e épicos, noite épica.

Poucos minutos antes da entrada em palco dos Riding Panico, no passado dia 30 de Julho, o Musicbox já está à pinha, o público excede claramente aquele que é normal lá estar a uma quinta-feira, véspera de dia de trabalho. Ao que consta, estes rapazes são convidados especiais dos Linda Martini por duas razões. Um: os Linda Martini passaram de convidados a principal atracção devido ao cancelamento de Portugal, The Man. Dois: A banda aproveitava as férias do único membro empregado. Esta era uma rara oportunidade para ver estes senhores ao vivo, portanto.

Ponto número um, o espaço é demasiado reduzido para os elementos que compõe o sexteto. A formação é composta por um baterista, um teclista, um baixista e três guitarristas que fazem muito barulho. A música é 100 por cento instrumental, furiosa, pesada, bruta e hipnotizante – como nos melhores discos dos Isis. O espaço é demasiado pequeno, o headbanging constante e as palavras nenhumas. Os autores daquele que foi um dos melhores discos nacionais de 2008, “Lady Cobra”, só abriram a boca no final do concerto para agradecer ao público presente. O carácter explosivo desta música encontra responsabilidades na poderosa secção rítmica e nos riff’s saídos das guitarras furiosas. Abandonaram o palco com um “muito obrigado, foi um prazer”. Irrepreensível.

Segundo o Facebook dos Linda Martini, a ideia original seria tocar na última canção dos Riding Panico e vice-versa. Tal não aconteceu – o mais certo é que tenha sido devido à falta de espaço necessário para a execução da manobra. A banda de André Henriques fez os últimos ajustamentos mesmo nas nossas barbas para um concerto que se adivinhava ganho à partida. A (óptima) recepção confirmou-o.

Hoje falamos do regresso do rock cantado em português. Falamos da Florcaveira, de Tiago Guillul, Os Pontos Negros, João Coração, entre outros, mas esquecemo-nos que os Linda Martini já por cá andam há uns anos – lembram-se do hype que os rodeou em 2006? Os anos de estrada notam-se. As canções roçam a perfeição. Temas como «A Corda do Elefante Sem Corda» (enorme), «Lição de Voo Nº 1», «As Putas Dançam Slow», «Amor Combate» ou «O Amor é Não Haver Polícia».

O vocalista André Henriques enverga o lado cool da banda, o baterista Hélio Morais a faceta comunicativa, Cláudia Guerreiro, baixista, a face bela da questão e o guitarrista Pedro Geraldes é uma espécie de Graham Coxon (guitarrista dos Blur) da banda. Em certos momentos há uma energia tremenda que emana de cima do palco, com correspondência directa para a plateia. O culto é enorme, a devoção mútua, o encore obrigatório. Antes, ainda há tempo para uma interpretação de «Dá-me a Tua Melhor Faca», com a participação do baixista dos Riding Panico a intervir com uma pandeireta e um prato de bateria. Tudo acabou em apoteose como, aliás, era de prever…

Noite épica, tal como o rock pesado que tão bem dominam.



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