Marisa Cardoso/ 2014

Linda Martini @ Lux (14.02.2014)

Um Dia dos Namorados bem musculado

Mais um dia de concerto dos Linda Martini no Lux. Depois do dia 13 esgotar, surge esta segunda e derradeira oportunidade, também ela esgotada, de ver a banda de volta a um palco lisboeta.

Chegar cedo a espaço do evento é uma boa experiência. Para além de sentirmos no ar a expectativa do público, conseguimos também analisá-lo. E é curioso ver como os Linda Martini agradam a uma faixa etária tão larga, e contam com presenças tão ilustres como a de Tó Trips.

O concerto arranca com toda a força que tão bem caracteriza a banda. «Queluz Menos Luz» fez o warm-up do público e, à segunda música, já o Hélio dizia que aquele era um concerto de rock, por isso era suposto a malta mexer-se e atirar-se à multidão sem medos. E mesmo que os stage dives estivessem reservados para meio do concerto, a verdade é que o público responde desde logo à bateria do Hélio e ao baixo da Cláudia batendo palmas enquanto acompanha a voz do André. É inacreditável a força e dinâmica da banda em palco; transmitem uma sensação de plena harmonia de grupo, sem se sobreporem uns aos outros, sem atropelos, num rock puro de adrenalina. Canção atrás de canção, a banda mal dá tempo para respirar entre músicas; o público é avassalado com injecções de ritmos e distorções, inibindo-nos assim de descansar ou assimilar o que se acabou de ouvir.

E, tal como o primeiro concerto, também esta segunda data contou com a convidada Gisela João, uma fadista que afirma ter aprendido a gostar de rock pelos Linda Martini, e agradece os arranjos especiais na canção «Adeus que me vou embora». Gisela cantou quatro músicas do alinhamento e abriu as portas para os stage dives. Nada mau para a fadista nascida em Barcelos.

Supostamente o concerto acaba, mas como o Hélio diz, “o encore é uma forma de mentir ao público”, por isso ficam logo em palco. Tocam mais duas músicas, mais dois hinos que a banda fez crescer e que os seus fãs continuam a alimentar. «Cem Metros Sereia» é entoada a plenos pulmões por uma casa cheia. Desenganem-se no entanto se pensaram que o público arredou pé, não… ficou e pediu mais uma.

Vem desta forma um encore mais digno de nome. Sem terem de pedir muito, a banda fez-se fácil mas, achamos nós, que quando se toca com prazer a vontade de estar em palco é superior e ir embora fica difícil. Terminam em alta com «Dá-me a tua melhor faca», um verdadeiro hino ao amor, uma vez que o dia assim o sugeria. Como diz o mais recente avanço «Febril (Tanto Mar)» deste “Turbo Lento”: “Foi bonita a festa, pá!”

Hélio, em conversa já no final do concerto, afirma que estes concertos foram muito especiais. Já não tocavam em Lisboa desde Outubro e é sempre bom voltar a casa e tocar em Lisboa. Podemos apimentar a curiosidade e avançar que já há datas marcadas, mas não podem ainda revelar muito mais do que isso. Se o baterista diz que são boas, a nós só nos resta aguardar e estarmos atentos aos passos que dão. Podem já andar por aí há algum tempo – afinal a banda tem como data de nascimento o ano de 2003 – mas há ainda tanto para dar e receber…

Fotografia por Marisa Cardoso



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