LISB_ON 2015 | Reportagem

LISB-ON 2015 | Reportagem

Uma edição Bipolar do #jardimsonoro

O Parque Eduardo VII acolheu, no passado dia 5 e 6 de Setembro, a 2ª edição do festival LISB-ON, um evento urbano virado para a música electrónica. Esta edição foi fortemente marcada por uma autêntica enchente comparativamente ao ano de estreia. Segundo a organização, nos dois dias o festival acolheu 9100 pessoas, mais do dobro do LISB-ON 2014.

Pelo cartaz, e pela agradável tarde de final de Verão que Lisboa nos proporcionava, pareciam estar reunidas todas as condições para tudo corresse de feição no primeiro dia. No entanto, as demoradas filas de acesso ao recinto, a lentidão para o carregamento da pulseiras – no festival não era necessário o uso de dinheiro, carregava-se a pulseira com o montante desejado, e no final era possível a devolução do dinheiro não utilizado – e a “seca” para beber um copo tornaram-se no ponto menos positivo do LISB-ON. A organização, no final, acabou por ter uma afirmação bastante feliz, dizendo que esta edição ficou marcada por “dores de crescimento”.

LISB-ON

Mas falando do que realmente interessa, no primeiro dia do evento, Sábado, depois das actuações de Isilda Sanches, Fandango e Mirror People & The Voyager Band esteve nos comandos Palms Trax, com um live act seguro, seguro demais para ser entusiasmante. Sempre controlado mas pouco arrojado na nossa opinião. Nicolas Jarr foi, sem dúvida, o grande triunfador do primeiro dia. O mago de apenas 25 anos abriu com um mix da, inesperada, «Vampiros» de Zeca Afonso e não deu tréguas durante as duas horas de performance altamente sofisticada. Difícil de rotular o que Jarr fez no #jardimsonoro, viajou algures entre o techno, com toques requintados de jazz, nuances de deep-house e até alguns ritmos de blues. Em toada cerebral, sempre minucioso nos pormenores, Nicolas não teve quebras nem falhas enquanto a noite foi dominando o Parque alfacinha. A fechar o dia esteve em palco a diva siberiana da música electrónica, Nina Kraviz. Teve alguns problemas com o equipamento, sendo mesmo obrigada a trocar a maioria dos pratos e sintetizadores durante o set. Nina não perdeu a calma nem muito menos a sua postura agradável à retina durante as mudanças. No entanto, na opinião da RDB, era expectável que a glamorosa Russa se apresentasse uns pontos acima, no encerramento do primeiro dia.

LISB-ON

A saudar o esforço da organização no segundo dia do evento, não nos parece que um menor número de festivaleiros, seja de forma alguma, a justificação para estar zero minutos à espera para entrar. Esta franca melhoria traduziu-se também na rapidez dos carregamentos da pulseira, assim como nos bares.

O Domingo ficou marcado pelo soberbo colectivo berlinense Jazzanova feat Paul Randolph. Serviu para matar saudades do nu-jazz misturado com música afro e doses homeopáticas de chill-out. A banda de sete elementos juntamente com Paul Randolph transmitiu boas vibrações a uma audiência, neste momento, já bastante composta e alegre. Foram realizando solos de contra-baixo, de saxofone e bateria. Tiveram em «No Use» o seu melhor momento da tarde. No final Paul ainda arranhou um bocado de Português e confessou que viveu parte da sua infância em São Paulo.

LISB-ON

O Norueguês Todd Terje foi o melhor que aconteceu neste dia, quiçá, do evento. Batidas contagiantes de nu-disco a abarrotar de felicidade, sem quebras (excepção à segunda malha em que foi tudo abaixo durante uns meros segundos), Todd actuou uns escassos noventa minutos que se revelaram curtos de mais. Este músico, para a RDB, roçou a perfeição e apresenta um perfil ideal para tocar num cenário de final de tarde com a luz de Lisboa. No seu set não faltaram as inevitáveis «Inspector Norse» e a nossa favorita «Oh Joy».

A fechar a noite, o patrão da Kompakt, Michael Mayer. A ele foi confiada a árdua tarefa de fechar o festival. Se numa fase inicial deambulou por caminhos mais calmos do que normalmente toca, guardou para o gran finale aquilo que tão bem faz, sets techno music. Vestido a rigor tocou faixas de Jamie XX, a «Octave One», e encerrou com a mítica «Love is in the air», num momento de pura magia. Miguel Fernandes, organizador do evento, já o tinha afirmado em entrevista à RDB, não era por acaso que Michael Mayer encerrava o evento e não é que o alemão cumpriu mesmo!

LISB-ON

A edição de 2015 ficou marcada por aumento exponencial de audiência. Após um primeiro dia confuso, fruto deste supracitado aumento, o dia de encerramento acabou por se revelar perto da excelência. A organização, no final, acabou por ter uma afirmação bastante feliz, comunicando na página oficial que esta edição ficou marcada por “dores de crescimento”. Congratulamos a organização por admitir os seus pontos menos positivos, e pelo esforço extra de ter “everything in the right place” em tão pouco tempo. Esperamos que o LISB-ON seja mesmo para ficar e para se afirmar como um evento premium no epicentro de Lisboa. A cidade agradece e a RDB também.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This