Lisboa Dance Festival 2016 @ LX Factory | 4 e 5 de Março

Lisboa Dance Festival 2016 @ LX Factory | 4 e 5 de Março

Estreia promissora do novo festival de dança alfacinha

Nos dias 4 e 5 de Março aconteceu a 1ª edição do Lisboa Dance Festival. O evento contou com a presença de cerca de nove mil pessoas no ano inaugural. Estreia promissora para o novo festival Lisboeta com muito público estrangeiro.

O LX Factory foi o espaço escolhido (e bem escolhido) para a edição inaugural do LDF; os shows foram divididos em quatro espaços mais o afterhours, que ficou a cargo da disco Ministerium. Na Fábrica XL actuaram cabeças-de-cartaz como Amê, que fechou o primeiro dia, Prosumer, Move D e a figura maior: Sven Väth. A Sala Zoot ficou marcada por ritmos afro aliados a batidas da música de dança. A Sala Bi+ca com bicicletas expostas nas paredes foi o spot mais original do festival, a Sala Norma Jean foi um espaço pequeno e quente! Ficou marcado por algum experimentalismo.

Falar deste festival implica obrigatoriamente começar pelo fim, já que acabou por ficar marcado pela actuação de Sven Väth. O lendário DJ/ produtor alemão teve a seu cargo o encerramento do festival. Väth, que já conta com uns longos 35 anos de carreira, apresentou-se em plena forma, tocou como um autêntico “tractor” do início ao fim nas suas duas horas e meia de set, em toadas maioritariamente techno terminando quase em ritmo transe. Antes de Sven actuou Move D; produtor já batido nestas andanças, deambulou entre o house e o techno music.

Na nossa opinião, a apresentação de um peso-pesado como Sven Väth não foi a melhor notícia que o LDF trouxe. O melhor foi mesmo a confirmação do que a produtora Live Experiences prometera trazer de novo à cidade de Lisboa: uma visão mais alargada da música electrónica portuguesa e uma nova metodologia da informação sobre música electrónica ser consumida pelo público mais curioso. O Talks, um dos três pilares do LDF, juntamente com a Music e o Market, foi o epicentro desta troca de informações. Aqui foi possível perceber como abrir e gerir uma editora, e inclusive como editar um disco respeitando os direitos de autor. Foram debatidas temáticas pertinentes por alguns dos actuais ícones da rádio portuguesa, com a Oxigénio e a Ant3na à cabeça, como o papel da rádio enquanto divulgadora da música electrónica portuguesa, as dificuldades e entraves em passar música de dança, principalmente numa rádio mais generalista como a Ant3na. Nota de destaque para a presença de Marco Rodrigues a.k.a. Photonz neste debate, que actuou neste mesmo dia na Bi+ca, onde argumentou da importância o seu projecto, Radio Quântica, dentro do panorama radiofónico português. Foi também no Talks onde DJ Ride, grande triunfador horas mais tarde com convidados especiais na apresentação do seu álbum “From Scratch”, deu umas lições de scratch e onde Moullinex discursou sobre sintetizadores desde dos seus primórdios aos synths mais actuais.

No Market foi possível comprar discos de algumas editoras portuguesas com destaque para a Bloop. Quem quisesse um novo corte de barba ou uma t-shirt de alguns dos artistas nacionais presentes também se safava nesta secção.

O LDF parece condenado para ficar e a edição de 2017 já foi prometida pela organização. Eventos como este são bem-vindos e fazem todo o sentido para publicitar a música electrónica portuguesa e a cidade de Lisboa, como uma das cidades a ter em conta na música de dança. Ficou a sensação de que a maioria dos presentes resumiu o festival à actuação de Sven Väth, deixando para segundo plano aquilo que demarca o LDF dos demais. No nosso ponto de vista, o Lisboa Dance Festival tem uma grande margem de progressão; o sentido deverá passar pela maior promoção das Talks e do Market, sem descurar um forte investimento em nomes importantes da música de dança no seu maior pilar, a Music.

Fotografia por Sofia Marques Ferreira



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