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Lisboa Electronica 2018|Reportagem

A segunda edição do Lisboa Electronica decorreu de 4 a 7 Abril no Teatro Capitólio, Ministerium Club e LX Factory

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Unindo forças com as afamadas lectures da Red Bull Music Academy, o primeiro dia de festival contou com Carlos Maria Trindade, membro fundador dos Heróis do Mar e Corpo Diplomático, que nos brindou com uma retrospectiva do percurso feito pela música pop portuguesa até aos dias de hoje. Seguiu-se Mike Grinser, nome incontornável da Masterização (ligado à mítica Dubplates and Mastering), que nos passou algum do seu vasto e precioso conhecimento acerca da matéria, para rejúbilo dos produtores e ascendentes a produtores que se encontravam na audiência.

Dia 5 começou com Serge, que nos falou do seu percurso enquanto DJ e produtor até criar a consistente Clone Records, revelando informações preciosas em como gerir uma label e uma loja de discos, algo que faz com sucesso desde 1993. O dia terminou com a partilha de Rui Vargas acerca de décadas de percurso onde acompanhou o nascimento da cena clubbing nacional, relato com momentos bastante emocionais onde relembrou e reafirmou a importância dos espaços de liberdade criados por Manuel Reis (Frágil e Lux).

A noite de dia 5 entrou por dia 6 adentro no Club Ministerium, com destaque para a música de Actress que nos presenteou com sons mais desafiantes, por vezes cavernosos, abstractos, não necessariamente dançáveis, para gáudio de uns e desconforto de outros (bem disfarçado, diga-se de passagem). Os amantes de sonoridades mais convencionais refugiavam-se na pista de cima, onde se dançava sob uma cadência mais constante. A organização e o staff revelavam-se organizados, sempre céleres a prestar esclarecimentos ou a servir um sumo de laranja natural (cof cof) a mais um espectador/ouvinte como eu, por entre muitos.

A noite de 6 seguiu para o LX Factory, onde a label de Nina Kravizтрип (trip, para quem não souber ler russo) e a recém formada label portuguesa Hayes Collective, deram música a quem anda mais pelos lados do TechnoMelliflowMinisterium RecordsAssemble Music e Carpet & Snares foram algumas das outras labels que pincelaram o evento de tons mais junto ao House. Os artistas foram distribuídos por três palcos (Box RoomClub Room e Factory Room), todos eles com uma personalidade distinta. De assinalar a dimensão do último,  tendo o público marcado presença de tal forma que o enorme armazém daquele antigo complexo industrial se encontrou quase totalmente preenchido.

Dia 7 encerrou com labels como SlowLife, Helena RecordsInterzona 13, Pole Group e Clone Records, com destaque para o sempre especial Legowelt. De mencionar uma vez mais a postura e comportamento do staff e organização, mesmo quando testei a paciência a alguns elementos ao inquiri-los sobre detalhes acerca de determinadas políticas adoptadas pelo evento. Um exemplo a seguir por outros.

Com uma organização sólida, artistas variados dentro daquele espectro, adopção de novas tecnologias para os pagamentos e consciência ecológica na política de reutilização dos copos, o Lisboa Electronica provou não ser apenas mais um festival de música de dança ao igualmente promover palestras e discussão à volta do tema (em parceria com a Red Bull Music Academy), fugindo desta forma à superficialidade por vezes, e erroneamente, associada a esta vertente da música.

Haja mais eventos assim que fomentem o diálogo e a partilha de conhecimento em conjunto com a música electrónica. Lisboa agradece.

A after party do evento continuou no Ministerium Club com Patrick Klein, Martyné e Onirik a encerrarem as festividades.

Fotografia por Sofia Ferreira



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