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Living Apart Together

Novo elixir do amor? Viver separados.

” The Living Apart Together meaning”

“Estar juntos em situação de pobreza ou riqueza, na doença e na saúde, até que a morte os separe”

Estas palavras que fazem parte da promessa de casamento, da mão de “prometo ser-te fiel e blá blá blá” estão a mudar. Colômbia: Alguns anos atrás, um jovem casal de amigos que já se tinham comprometido perante a lei, para formar uma sociedade conjugal, decide que cada um vai viver em sua casa. Isso não existe! Como assim? Como se pode ser casado e não viver com o conjugue? Onde foi que ficou aquilo da adaptação ao dia a dia de manias e costumes de cada um? Que baixes a tampa da sanita antes de ir e limpes depois, que não deixes o dentífrico regado por todo o lado, que o que é usado lava-se, etc? Pois sim, agora vivem separados, esta tendência existe e está a tomar o mundo.

Essas pessoas chamadas LATS (abreviação de Living Apart Together), disseram SIM ao compromisso, SIM ao amor de longa duração, mas NÃO a viverem juntos. Aparentemente, esta tendência está a abrir caminho há muitas décadas atrás, materializando-se nos anos 90 graças ao aumento na sociedade. Foi detectada pela primeira vez em Londres, logo na Holanda, Alemanha, Bélgica, França e países escandinavos, actualmente encontra-se em todo o mundo, mesmo nos países mais católicos e seguidores da igreja. A que se deve esta nova forma de família e como pode ser bem sucedida uma relação tão estranha aos nossos ouvidos? Em primeiro lugar, todas as mudanças demográficas que temos tido como a taxa de divórcio a aumentar, os índices de natalidade e fecundidade, filhos fora do casamento, a aplicação das regras em deterioração, a mudança de emprego e estabilidade financeira, são a causa do afastamento do cônjuge. Mas não só estes valores favorecem esta consequência, os LAT´s afirmam que esta alternativa mantém o relacionamento fresco, como de “namoro”, no qual cada evento é especial e está cheio de amor e compromisso. Paradoxalmente, a razão do sucesso nos seus relacionamentos é a de viver em casas separadas, porque eles podem compartilhar o sentimento, sem ter de compartilhar espaço ou tempo, ou desistir de sua liberdade. Esta é uma ideia muito atraente, nestes tempos em que a individualidade está a ganhar mais adeptos e o compromisso é um “monstro” que visa destruir a diversão, alegria e amor.

Mas todos são felizes LAT’s? e quem faz parte desta nova tendência? Infelizmente nem todos são LAT’s por decisão própria, muitos deles, mais comum entre os jovens, vêem como um problema temporário, enquanto a sua situação económica se estabiliza. Em paralelo, existem outras pessoas que não querem tornar-se LAT, mas a decisão de viver em casas separadas foi tomada apenas por um dos envolvidos. No entanto, a maioria destes são LAT’s por decisão unânime sem mudar no futuro; muitas vezes, por terem tido uma má experiência co-habitacional no passado, ou a simples ideia de não partilhar o dia-a-dia de modo que este não torne o relacionamento em monotonia.

A Universidade de Oxford em um estudo realizado por John Haskey em 2005, estimou mais de 2 milhões no Reino Unido de LAT´s, enquanto outros estudos mostraram um aumento de 14% na Suíça e 10% os E.U. Estima-se actualmente que a quantidade de LAT´s é proporcional ao número de relações co-habitacionais e sua coesão também é devido à sua aceitação em quase todos os grupos etários. Em Portugal não é ainda conhecida a extensão desta tendência, sendo um país tão conservador seria interessante ver o comportamento deste e a luta por o reinado de casamento co-habitacional.

E onde ficam as crianças neste conto? Eles estão neste comboio também!

Os LAT´s consideram emocionante a ideia de que eles tenham dois espaços próprios em casas diferentes que lhes proporcionem diversas alternativas. Para as crianças não há dúvida de que a relação de seus pais está baseada em compromisso com o amor que eles têm um pelo outro, e a ideia de não coabitação não afecta o seu crescimento e educação. Assim, os pais são felizes, a decorar a casa com o seu próprios gostos, dedicando o tempo para o trabalho ou actividades de lazer que desejem, sem pedir permissão ou pensar sobre o outro, também sem compartilhar os fardos do dia-a-dia ou alterações de humor que levam a desacordos. Toda a ideia desta nova família digna de ser chamada”lifestyle” como uma tendência que é, deve ter consequências para o futuro, então pode dizer-se que vai haver uma desconstrução da unidade da família tradicional, pilar da igreja e outros.. mas não vamos entrar em religião.

Isso não significa que o casamento de coabitação não funciona, mas de alguma maneira está a mutar de acordo com as necessidades das pessoas. Há ainda um tabu e confusão sobre os LAT´s na sociedade, mas tenham a certeza que isso vai mudar em um piscar de olhos, da mesma forma que outros modelos de “família” vieram para ficar. Por agora basta entende-los, porque ninguém sabe o que pode acontecer no futuro próximo, pode ser que muitas pessoas encontrem a felicidade desta forma. Já há muitos e serão mais.

By Alejandra Egurrola



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Existe 1 comentário

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  1. Jorge R. Silva

    Os ditos LAT´S são o actual ovo de colombo emocional. Mas a sua própria designação é em si mesmo um paradoxo: "Living apart" together…

    Estas novas "tendências" de organização familiar não são mais respostas deficitárias para lidar com a incapacidade cada vez mais crescente de se ter um relacionamento emocional profundo, que vá além da espuma dos dias.

    Na prática, e recorrendo à culinária, é um modo de relacionamento que mantêm a situação em banho maria, marinando, marinando, de preferência à distância. Se queimar, tem-se sempre a respectiva casa (que por sinal nunca se abandonou).

    Denota também uma incapacidade de lidar com o outro, e por sua vez, com o próprio, pois intimidade implica aceitação na plenitude da outra pessoa, e não só apenas o que convém, ou até quando convém.

    Sem esquecer uma vez mais, que nunca se abandonou o respectivo "castelo", onde cada um vai organizando e construindo cada vez maiores muralhas de intolerância, de egoismo, egocentrismo, entrando numa espiral da qual dificialmente se sai. Já estou a imaginar o discurso quando o caldo aquece ou esfria: "ainda bem que não me mudei, e que mantive a minha casa".

    Surreal é o modo como são tratadas as crianças, quais extensões narcisicas dos seus pais, que além de não terem pedido para nascer têm de aceitar e de lidar com as incapacidades dos pais. Só o modo como são introduzidos nesta dita (des)organização familiar fala por si: "E onde ficam as crianças neste conto? Eles estão neste comboio também!"

    Repare-se nestas duas frases…primeiro, onde ficam as crianças neste conto? Pois, se fosse uma fábula que os embalasse devidamente, uma história contentora dos seus medos, capaz de exorcizar os seus fantasmas seria interessante. O que acontece é que não é mais que um conto tenebroso, onde as crianças se vão sentir divididas, entre o estar com o Pai ou com a Mãe, já que eles não são capazes de estar os dois…Imagine-se então se ambos vivem em locais afastados; vou recorrer ao texto :
    "Assim, os pais são felizes, a decorar a casa com o seu próprios gostos, dedicando o tempo para o trabalho ou actividades de lazer que desejem, sem pedir permissão ou pensar sobre o outro, também sem compartilhar os fardos do dia-a-dia ou alterações de humor que levam a desacordos.".

    Mais palavras para quê…"Eles estão neste comboio também!""

    Ainda a propósito das crianças, gostaria de perguntar como é que " a ideia de não coabitação não afecta o seu crescimento e educação" das crianças???
    Crescer implica apenas a capacidade de ler, escrever ou dominar a aritmética? e as competências emocionais? e os laços afectivos, que são desenvolvidos e potenciados em ambiente familiar?
    Pois…se os pais não os têm e optam por viver a uma distância emocional segura, vivendo é claro "Apart Together", como poderão as crianças desenvolvê-las??
    Deste modo parece-me que se estará a potenciar um efeito que vem dos pais e passará aos filhos.

    Mas, como em tudo, existirão pessoas para quem este modo de se relacionar com o outro preenche e permite alguma forma de "proximidade", mesmo que à distância. Deste modo, poderão sempre continuar a acreditar que está tudo bem com eles.

    Os outros é que ainda não perceberam o brilhantismo da ideia.


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