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Load Aspas Aspas #2

As aventuras de Kirby para a Wii, o enredo detectivesco do Professor Layton para a Nintendo DS, as versões PS3 de Ico & Shadow of the Colossus e o Sonic CD no cantinho dos cotas.

Kirby’s Adventure (Wii)

Prometido inicialmente para a Gamecube (chegou mesmo a ser mostrado um vídeo em estado de desenvolvimento avançado na E3), este título foi várias vezes adiado. Assim, não há dúvida que poderíamos apelidar de “crente” quem o esperava agora, uma geração de consolas depois e com o “Epic Yarn” ainda fresco nas prateleiras. Mas a vida dá muitas voltas e “Kirby’s Adventure” abandona o development hell para se tornar um jogo da Wii.

A premissa continua tão colorida como sempre, mas a existência de um buraco na história poderá conduzir a um subtexto mais negro que o habitual. Kirby tem de ajudar um tipo de outro planeta a recuperar as peças para arranjar a sua nave, auxiliado por seus inimigos de outrora: King Dedede, Meta Knight e outro cujo nome eu não sei mas que acho sempre que parece o Kirby com as cores do Donkey Kong. Não sei porque é que os inimigos do Kirby de repente decidiram ajudá-lo, mas só posso supor que o vilão por trás do desaparecimento das peças seja um ser tão cruel ao ponto de justificar a união de adversários milenares. Talvez se trate de algum barão da droga e do crime, responsável pela morte de familiares de Kirby e Dee Dee Dee, enredo censurado para manter o ambiente familiar do jogo…

A nível da mecânica do jogo, “Kirby’s Adventure Wii” regressa às origens. Voa, engole inimigos e absorve-lhes os poderes. O nível de dificuldade é o habitual da série – a tender para o fácil, Kirby é mais uma vez um jogo para todos. Percorrer os vários níveis espalhados por seis mundos distintos mostra-se bastante linear, mas as últimas fases do jogo e o seus respectivos bosses finais podem tornar-se desafiantes.

Para aqueles que, após terminado a quest principal, ficaram com vontade de mais, apanhar as 120 energy spheres espalhadas pelos vários níveis pode revelar-se um bom desafio, pago com mini-jogos desbloqueáveis. Aos que completam o jogo é também desbloqueado um modo extra, mais difícil, no qual a energia de Kirby é reduzida em 40%, o que estenderá a longevidade do título para jogadores mais empedernidos.

A inclusão do modo multi-jogador, fórmula que já se revelou bem sucedida em títulos como o “New Super Mario Bros. Wii” e “Donkey Kong Country Returns”, faz com que “Kirby’s Adventure Wii” possa ser saboreado em formato “experiência social”, permitindo convidar até três amigos. É neste aspecto que o baixo grau de dificuldade se revela benigno – enquanto em Mario ou Donkey Kong a diferença da perícia dos jogadores pode levar a situações frustrantes (ocorre-me o típico momento em que o “convidado “ simplesmente impede o prosseguimento fluído pois teima em atrapalhar todos os nossos movimentos, chegando a despertar em nós o estado de espírito daquele puto alemão a jogar “Unreal Tournament”), neste jogo a coisa fica muito simplificada, havendo pouca possibilidade do jogador inexperiente atrapalhar a missão.

 

“Kirby’s Adventure Wii” mostra ser uma agradável surpresa, principalmente quando experimentado em grupo, e demonstra que o formato clássico de Kirby está longe de estar gasto. Seja numa festa, em casa de familiares ou com os novos flatmates que nem sequer falam a mesma língua durante o semestre de Erasmus, “Kirby’s Adventure Wii” é uma aposta de peso, a puxar à nostalgia. Afinal de contas, quem nunca jogou, pelo menos uma vez na vida, um jogo de plataformas?

Francisco Abrunhosa

 

Professor Layton & The Spectre’s Call (Nintendo DS)

Seguindo as pisadas dos anteriores jogos da série “Professor Layton”, este título mantém irresistível a dupla imaginário holmesiano + grafismo manga, acrescentando ainda novos elementos que só podem reforçar a devoção à série.

A estrutura geral do jogo é preservada, com um delicioso enredo detectivesco a servir de pretexto para a resolução dos puzzles. As personagens que vamos encontrando pelo caminho são mais divertidas e carismáticas do que nunca, os cenários encantadores e o ritmo da história muito envolvente. Pequenas alterações tornam o “Spectre’s Call” ainda mais agradável e desafiante de jogar do que os títulos anteriores, nomeadamente o surgimento de elementos e puzzles escondidos ou a existência de um ratito sorrateiro que só é apanhado pelos mais atentos.

No conjunto, um dos principais factores de atracção do jogo consiste no facto de ser uma prequela, desvendando a origem da amizade entre o Professor e o Luke. Os que já jogaram títulos anteriores vão rever velhos amigos, descobrir mais coisas sobre eles e também ganhar uma mancheia de novos. Os estreantes na série também não terão razões de queixa – não é preciso qualquer enquadramento para perceber a história e os puzzles vão seguramente divertir os apreciadores do género. No entanto, há que assinalar algum decréscimo de qualidade relativamente aos puzzles dos jogos anteriores. Desta vez tive que gastar muito mais hint coins para resolver os quebra-cabeças, não por serem mais desafiantes mas por terem premissas menos claras.

De um modo geral, foi um jogo que me deu muitas horas de prazer e não fica aquém dos títulos anteriores. Apenas um ponto importante me desapontou – a omissão do RPG “London Life”, incluído em todas as versões do jogo excepto na europeia. Havendo uma tradução em Inglês para a versão norte-americana, não compreendo porque não a puderam incluir, mesmo não havendo tempo para a traduzir para outras línguas europeias. Afinal, é material bónus. Mas mesmo sem essas 100 horas de jogo extra, acredito que o título mais recente da série “Professor Layton” não vai deixar os antigos fãs indiferentes e é até capaz de conquistar um punhado de novos seguidores.

Joana Cardoso

 

Ico & Shadow of the Colossus (PS3)

Falar de Ico e Shadow of the Colossus sem mencionar a palavra obra-prima é quase impossível. Jogá-los é uma experiência única e inesquecível. Na altura da sua saída para a PS2, Ico quase passou despercebido da maioria dos jogadores da consola de 128 bites, mas os prémios que foi ganhando na imprensa especializada trouxeram-lhe um pouco da atenção mais que merecida. Já Shadow of the Colossus teve uma recepção bem diferente, visto muita gente esperar ansiosamente uma “continuação” da magnífica experiência vivida em Ico.

Ico é um rapaz aprisionado num castelo devido a uma maldição que lhe fez crescer cornos na cabeça. Depois de fugir da sua cela, Ico encontra uma misteriosa rapariga e ambos vão ter de lutar para sair do castelo. Controlamos Ico durante a aventura e a nossa principal missão é manter a Yorda longe de perigo. Passam grande parte da aventura de mão dada, uma das imagens de marca do jogo. Tudo isto enquanto resolvemos alguns puzzles, ou tentamos afastar demónios sombra com lutas corpo-a-corpo.

Para quem está a jogá-lo pela segunda vez, os puzzles acabam por parecer algo básicos, mas nada que estrague o prazer deste reencontro, agora na ps3.

Ainda assim não damos o nosso tempo por perdido, antes pelo contrário.

Shadow of The Colossus passa-se num ambiente completamente diferente, em que controlamos um rapaz que tem como missão devolver a alma ao corpo do seu amigo. Tendo para isso que defrontar 16 Colossi que habitam a terra.

Shadow vai-se dividindo entre a calma das planícies lindas de perder de vista que temos de percorrer para encontrar os Colossi e as batalhas épicas que temos com os mesmos. A primeira vez que vemos um colossi é algo inesquecível, e se a primeira coisa que nos vem à cabeça é que é enorme, é mesmo porque ainda não vimos nada. À medida que vamos passando cada Colossi, o próximo é ainda maior, conferindo às lutas uma sensação de qualquer coisa larger then life.

A nível mais técnico ambos os jogos beneficiaram deste makeover para a Ps3, os gráficos estão bem mais apurados e os movimentos mas fluídos.

Em conclusão, para quem já os tinha jogado é um prazer voltar a reviver todos os belos momentos que os jogos anteriores tinham proporcionado, e para quem não jogou é caso para dizer – De que estão à espera? -, Estes são sem dúvida, se não as melhores, uma das melhores conversões HD para a Ps3.

João Rodrigues

 

Cantinho dos Cotas: Sonic CD (Mega CD)

A probabilidade de alguém ter experimentado este jogo quando foi originalmente lançado em 93 é quase nula. Nunca conheci ninguém com uma Mega CD já que a coisa custava 70 contos na época (sim, mais que uma PS3, sem contar com a inflação da moeda) e o número de títulos desta máquina que valia a pena jogar conseguiam-se contar com os dedos da mão de um leproso. Mas que o leproso tivesse pelo menos um dedo, já que “Sonic CD” deveria ser incluído na lista de títulos obrigatórios para jogar antes de deixar de gostar de jogos.

“Sonic CD” distancia-se da linha conceptual dos restantes títulos do Sonic na Mega Drive, com a inclusão de elementos únicos quer na jogabilidade, quer na parte visual. O aspecto que torna este título único é a possibilidade de visitar, nas primeiras duas zonas de cada nível, o passado, o presente, o bom e o mau futuro. Em cada nível Sonic dá uma de “Exterminador Implacável” e viaja do presente ao passado para destruir as máquinas que alimentam de energia os badniks de Robotnick (aqueles robôs que costumavam ter bichinhos dentro lembram-se?), de modo a tornar o futuro bom em vez de mau. Confuso? Se pensarmos que os restantes jogos de Sonic na Mega Drive tinham como simples objectivo chegar rapidamente ao fim do nível, “Sonic CD” preza muito mais a exploração dos níveis para atingir o objectivo pretendido.

Na terceira zona de cada nível, que apenas se poderá tratar de um bom ou mau futuro (dependendo do jogador ter conseguido ou não cumprir os objectivos nas zonas anteriores), dá-se o já esperado encontro com Robotnick, em lutas durante as quais é preciso acertar menos vezes do que é costume nos jogos do Sonic, mas que em compensação se revelarão mais difíceis, já que cada boss tem o seu próprio segredo para ser derrotado.

Também as esmeraldas regressam uma vez mais… quer dizer, mais ou menos… aqui as pedras preciosas são as time stones e podem ser obtidas através de níveis bónus. Desta vez Sonic terá de destruir os OVNIS num ambiente 3D a fazer lembrar as pistas de Mario Kart da SNES, um efeito que na Mega Drive era apenas possibilitado pelo hardware extra existente na Mega CD.

Visualmente, o “Sonic CD” faz lembrar o “Sonic 1” depois de levar uma injecção de LSD. A explosão de cor e design dos níveis poderia bem ser um videoclip de Syd Barrett no ano 2000 (deixem-me sonhar!). A juntar a este caldeirão de boa disposição está ainda a primeira aparição da namorada de Sonic, Amy Rose, e do vilão Metal Sonic, personagens que entraram directamente para o topo das preferências dos fãs, ficando nestas listagens sempre à frente dos dispensáveis Rouge the Bat e Shadow the Hedgehog (não sabem do que falo? não faz mal também).

O “Sonic CD” já teve direito a várias reedições – em 1997 como “Sonic PC” e mais tarde na compilação “Sonic Gems” na Gamecube e Playstation 2. Infelizmente estas versões resolveram omitir a excelente banda sonora japonesa (anteriormente também presente na versão PAL da Mega CD) em prol das faixas medíocres compostas para a versão norte-americana. Consciente de que tinha feito asneira, a Sega corrigiu este ponto na mais recente re-encarnação do jogo, disponível via download na PS3, Xbox 360, PC e iOS e Android, onde incluiu ainda a possibilidade de jogar o jogo com Tails, personagem ausente no lançamento original.

Francisco Abrunhosa

ILUSTRAÇÃO DE JOÃO RODRIGUES



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